Quase 15 anos depois de ter sido completamente reconstruída, a aldeia de Póvoa Dão poderá estar prestes a ganhar uma nova vida. Com 100 hectares e 32 casas em granito, está agora em leilão, com um valor base de 1,7 milhões de euros.
A aldeia situa-se na freguesia de Silgueiros, a cerca de 14 quilómetros de Viseu, e é um dos mais antigos povoados da região — ainda hoje conta com um histórico e emblemático caminho romano logo à entrada, que ligava Viseu a Tábua. A estrada terá sido fundamental para o desenvolvimento da aldeia.
“Cada pedra da Póvoa Dão conta uma história. Entre o silêncio do vale e o som do rio, é um refúgio de autenticidade — um cenário onde a tradição e a modernidade se unem”, defende a Leilosoc Worldwide, a leiloaria responsável pela venda.
A história da aldeia remonta ao século XIII, tendo sido mencionada nas inquirições afonsinas de 1258 com o nome “Póvoa de Jusã”. Ao longo do tempo, porém, foi batizada de Póvoa Dão, em homenagem ao rio Dão. A presença de romanos na região é confirmada precisamente por causa da estrada romana que atravessa a zona.
A aldeia terá sido um ponto importante para o comércio da zona, mas nos anos 60 começou a perder os seus habitantes, sobretudo devido à emigração. Como resultado, grande parte das propriedades foram entregues às ruínas. Mais tarde, em 1995, acabou por ser vendida por cerca de 400 mil euros ao Grupo Catarino, especializado em construção, obras públicas e paisagismo.
Nesta altura, só ali vivam “quatro idosos, das dezenas de famílias que 20 anos antes habitavam na localidade”, segundo escreveu a agência “Lusa” na época, citada recentemente pelo jornal “Público.” O objetivo era recuperá-la, vender parte das propriedades para particulares e deixar as restantes para turismo rural.
Cinco anos mais tarde, mais de 30 casas (de tipologias que iam desde T0 a T3) foram colocadas à venda. E até 2004, 20 já tinham sido compradas por famílias portuguesas de várias partes do País, como Lisboa, Porto, Coimbra e Viseu.

Em 2010, a aldeia foi novamente recuperada pela Ramos Catarino, pertencente ao grupo proprietário, e durante cinco anos, chegou a ser habitada pontualmente por turistas. Mas em 2015, tudo voltou ao silêncio, com a falência da construtora que investiu na localidade turística.
Agora, está quase como nova com casas reabilitadas, caminhos recuperados, zonas ajardinadas, um restaurante, uma capela, uma piscina e até um campo de ténis. Mas não há o principal: pessoas para aproveitarem a localidade.
Embora a aldeia conte com um total de 41 casas, apenas 32 estão incluídas no novo leilão — as restantes pertencem à particulares, segundo o “Jornal de Notícias”, que terão comprado as residências no início dos anos 2000.
A piscina e o campo de ténis poderão ser utilizadas pelo comprador da aldeia, mas também pelos proprietários das casas particulares da região.
O leilão online ficará disponível até 5 de dezembro e tem atualmente um valor base de 1,7 milhões de euros. Segundo a leiloaria, os possíveis projetos para a aldeia incluem a criação de um eco-resort de luxo, um aldeamento turístico, um empreendimento vinícola ou um condomínio rural sustentável.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias da aldeia de Póvoa Dão.

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