Turismos Rurais e Hotéis

A aldeia na serra com vista para o mar para passar as férias com toda a família

Traços d’Outrora pegou nas ruínas, guardou o espírito rural e transformou-as num sítio especial para descobrir.

“Nós já andávamos à procura de um imóvel em ruínas, mais pelo prazer de requalificarmos. Andámos em vários locais, São Pedro do Sul, Sever do Vouga, e encontrámos a primeira casa, a casa da Rosalina, em Vale de Cambra. Chegámos e adorámos logo o espaço, pela aldeia em si, mesmo com tudo em ruínas. Adquirimos logo o espaço”, recorda Isabel Fonseca, que investiu em Trebilhadouro na companhia do sócio Horácio Pereira.

A tal paixão à primeira vista contou com a sorte de ser também um local onde ia valer a pena investir. “Entretanto tivemos conhecimento que a aldeia ia sofrer intervenção de fundos comunitários”. Acabaram por investir em mais três casas, mais pequenas, que foram todas requalificadas de alto a baixo e direcionadas para turismo.

Trebilhadouro era já um espaço esquecido pelo tempo. As pessoas pessoas que lá haviam morado já haviam saído. “Não vivia ali rigorosamente ninguém. A aldeia já tinha sido abandonada há umas duas décadas, até porque não tinha nada de infraestruturas, nem água, nem luz”, conta-nos. A aldeia apenas aquele esqueleto de vida rural de outros tempos à espera de nova oportunidade. Até 2009 foi dinamizada por um festival internacional de artes e culturas, evento com espírito de Andanças mas em modo mais pequeno. Em 2011, Trebilhadouro foi classificada como “Aldeia de Portugal”, mais um passo que ajudou a abrir caminho ao que aí vinha.

Em 2015, com a requalificação completa, a aldeia foi que como inaugurada e nasceu na mesma altura a Traços d’Outrora. Logo no ano de estreia, o alojamento foi premiado pelo Instituto da Habitação e Requalificação Urbana pelo projeto de requalificação. A primeira casa, a Casa Rosalina, destaca-se como o maior espaço, um T4 que recebe até oito hóspedes (200€ noite em época baixa). Conta com a companhia da Casa do Poço do Mato (para quatro hóspedes, 110€ por noite) e da Casa da Matilde e da Casa do Custódio (ambas perfeitas para casal, a 60€ noite). Não estão sozinhas.

Isabel conta à NiT que cerca de 80 por cento do que foi restaurado por ali nos últimos anos resultou de projetos turísticos. É uma nova vida dada a uma aldeia que viu perder a sua com o passar do tempo. Encontramos ali as comodidades que se querem quando se procura descanso mas por entre aquelas ruas pequenas e casas destaca-se a pedra granítica que nos remete para outros tempos.

Hoje em dias as acessibilidades são ótimas e a aldeia está num lugar privilegiado. “Estamos na zona da serra da Freita, um geopark classificado pela UNESCO, estamos perto dos Passadiços do Paiva”

A aposta da Traços d’Outrora tem apostado em tornar o espaço cada vez mais eco-friendly. “Todos nós temos a nossa quota parte de responsabilidade a cumprir” e isso ganha ainda mais força num lugar que tem no ambiente rural e na natureza envolvente a sua força

De trilhos a desportos de natureza e náuticos, de passeios de jipe pela serra, há uma oferta grande na zona e o próprio Traços d’Outrora será ponto de referência para descobrir o que pode fazer na zona. Num raio de cinco, seis quilómetros há também diferentes restaurantes, numa região que também é conhecida pela sua aposta gastronómica. Quem quiser algo mais caseiro, não precisa de se preocupar. As casas estão todas equipadas para se poder tratar de uma refeição.

A nova vida de Trebilhadouro.

Desde cedo os portugueses escolhiam o espaço como escapadinha de fim de semana. Os hóspedes que faziam temporadas mais longas, com espanhóis à cabeça, mas também muitos turistas franceses, alemães, ou de países nórdicos, também de EUA e Brasil. Já receberam inclusive hóspedes de sítios tão longínquos e imprevistos, como as Filipinas ou Malásia.

Com a pandemia, isto mudou um pouco e não necessariamente para pior. Os espanhóis já estão de volta em força. Mas a pandemia alterou todo o mundo das viagens e isso fez com que cada vez mais portugueses procurassem dentro de portas alternativas. Trebilhadouro está, por isso, muito longe daqueles anos de abandono. “Para este fim de semana tenho as quatro casas todas ocupadas. Se tivesse mais alguma também estaria”, realça Isabel.

Com o verão que aí vem, ganha outra força esta ideia de aproveitar o nosso País. Aqui juntam-se aqueles elementos de descanso e tranquilidade, num cenário de lugar antigo resguardado pela própria natureza.

Erguida a mais de 600 metros de altitude, a aldeia está integrada na serra. A zona não deixa de ser remota e merece que se leve um par de binóculos para prolongar a visão. A aldeia “tem o privilégio de estar na costa poente, protegida, e da aldeia é possível ver a ria de Aveiro e o Atlântico”, revela Isabel. À volta a paisagem caracteriza-se pelos declives.

No interior das casas, as camas de ferro e os móveis antigos, as colchas de renda e as cortinas de linho são marcas da decoração. “As pessoas procuram isto”, explica Isabel. Nos dias de inverno, pode também desfrutar da lareira, um conforto especial em aldeia. E não se preocupe. A civilização está por perto quando quiser, não só não é lugar isolado como também tem internet e televisão por cabo.

Para chegar a Trebilhadouro, a partir de Lisboa são cerca de 300 quilómetros de viagem. O grosso do percurso é na A1. Sai-se na N224 em Estarreja e segue-se por aí durante cerca de 30 quilómetros até ao destino. Quem vem do Porto, pode tomar a A32 até à mesma N224.

Em tempos de pandemia a prioridade foi dada ao check-in online. Com o País a começar a reabrir, volta-se a receber as pessoas presencialmente. Faz parte do espírito do lugar. “Aqui sentimo-nos quase como uma família”. E é também essas memórias de ambiente familiar que os hóspedes guardam na altura de fazer as malas.

Em ambiente familiar.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Lugar de Trebilhadouro, Vale de Cambra
    3730-704 Aveiro
ESTILO
turismo rural
PREÇO MÉDIO
entre 101€ e 150€
AMBIENTE
rural

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT