Escondida no meio de fachadas discretas, entre a Lapa e Santos, acaba de nascer uma nova “aldeia” em plena cidade. Com cinco casas recuperadas, o boutique hotel Villa Dorotheá abriu este sábado, 6 de junho.
A unidade hoteleira, com apenas 20 quartos, nasceu da recuperação de um antigo complexo habitacional, originalmente construído em 1878 para famílias de pescadores de um dos bairros históricos mais antigos de Lisboa.
“A ideia é que os hóspedes se sintam mesmo numa aldeia, mas no meio de Lisboa”, refere Tomás Pereira, diretor de operações, de apenas 25 anos. “Queríamos criar um espaço de paz, que transmitisse calma e sossego.”
O complexo, que pertencia à Câmara de Lisboa e já estava em ruínas, foi adquirido em 2017, pelo empresário Jacob Perez Toledano, fundador da Tradition Signature, uma chancela de hospitalidade boutique com especial enfoque na recuperação de património histórico.
No entanto, devido à pandemia de Covid-19, as obras acabaram por atrasar e só arrancaram em meados de 2023. Durante este período, o proprietário focou-se, essencialmente, na recuperação das cinco propriedades, de forma a manter a tradição do complexo.
“Há muitas pessoas que ainda hoje moram na Lapa, que cresceram aqui e que já vieram-nos visitar algumas vezes”, partilha. “Infelizmente, com os anos, o espaço acabou por ficar inabitável. Portanto, aquilo que o Jacob fez aqui foi não só aclarar um negócio e um hotel, mas também restaurar este património de Lisboa.”
Desde o início, o empresário quis manter o charme da pequena “aldeia”, fazendo referência à altura em que as propriedades pertenciam aos pescadores lisboetas. Foram preservados os detalhes arquitetónicos, bem como as passagens semi-públicas que mais parecem ruas estreitas.
O próprio nome da unidade é uma homenagem à filha do antigo proprietário do complexo. Durante vários anos, o espaço ficou conhecido como Villa Dorothéa. Por isso mesmo, Jacob decidiu mantê-lo.
“Também ficou o sino, que está há muitos anos ali, e a calçada portuguesa que fazia parte das ruas.”
View this post on Instagram
O design de interiores foi concebido pela LACASTA Interior design studio, em colaboração com Carla Kottmann. Foram privilegiados pedra natural, linho, veludo, madeira e mármore.
Os 20 quartos estão divididos entre as cinco casas. Cada um deles tem uma espécie de biblioteca privada, com uma seleção de livros disponíveis para os hóspedes lerem durante a estadia.
A oferta gastronómica é assegurada pelo gastrobar The Secret, que funciona como restaurante na área do pátio. Tem 25 lugares, numa extensão no rooftop. Ali, graças à ausência de edifícios altos em frente do boutique hotel, é possível aproveitar vistas desafogadas para o rio Tejo, o Cristo Rei e a Ponte 25 de Abril.
Todas as manhãs, durante o pequeno-almoço, são deixados junto das mesas dos hóspedes cartões manuscritos com versos de poesia escritos por autores portugueses e de outras nacionalidades.
O café de especialidade é fornecido pela torrefação Filtrô, situada na mesma rua, e o pão chega diariamente da padaria Pão do Pastor. Ao longo da tarde, um carrinho itinerante também percorre o hotel com águas infusionadas, pequenos sabores sazonais e bolo caseiro feito no dia.
No final do verão, o hotel pretende arrancar com a iniciativa Sunday Suppers, para reunir hóspedes e residentes “em torno de longas mesas partilhadas, inspiradas na tradição dos almoços familiares portugueses.”
As diárias no novo Villa Dorothéa começam nos 280€. As reservas já podem ser feitas online.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias do novo boutique hotel de Lisboa.







