Turismos Rurais e Hotéis

Arte e vista única para a cidade: o The Rebello tem o grande rooftop deste verão

Com um design irreverente e um spa a fazer lembrar os banhos romanos, o hotel que abriu no final de 2023 não é certamente mais do mesmo.
A piscina interior inspirada nos banhos romanos
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No coração do Porto, não existem grandes alternativas no que toca aos cenários: quem quer ter o pé junto ao rio, terá que escolher entre a vista desafogada sobre os longos telhados dos armazéns de Porto de Vila Nova de Gaia; ou a vista do empoleirado e colorido casario da Ribeira. Mas há uma vista quase única que permite, excecionalmente, colocarmo-nos num ponto de equilíbrio: o de admirar as duas margens, num quadro emoldurado pela ponte D. Luis.

O mérito pertence ao The Rebello, que desde outubro que ocupa o enorme edifício na margem esquerda do Douro; antiga fábrica de utensílios de cozinha, isto é, tachos e panelas — e que empresta inspiração ao nome do restaurante Pot & Pan —, reconverteu-se num dos novos hotéis da cidade, estrategicamente posicionado no extremo do Cais de Gaia, antes de o rio iniciar o último percurso sinuoso rumo ao mar.

Essa vista é privilégio dos quartos virados para o rio, embora os que não se incluam nesta categoria fiquem propriamente mal servidos. O interior do edifício é outro mundo. Por trás da fachada, abrem-se os pátios interiores ajardinados, com apartamentos servidos de terraços e varandas. Mas há mais. Os 100 alojamentos são todos independentes, completamente equipados e divididos em tipologias que vão do estúdio às suites com três quartos.

Visto de fora, o caráter austero do edifício poderia levar-nos a crer que enfrentaríamos uma das mil interpretações de um omnipresente design minimalista que aterrou como uma praga na hotelaria. Felizmente, ainda há quem queira experimentar outros moldes.

No The Rebello, as peças aparentemente inconciliáveis amontoam-se e criam uma harmonia refrescante. São, não raras vezes, peças ousadas; outras enganadoramente simples, que se revelam elementos valiosos neste conjunto. Os olhos nunca descansam: ora se vidram no maravilhoso conjunto de xadrez no lobby da receção, ora se prendem na inesperada cadeira de veludo carmim que dá um toque de cor ao quarto. Há cerâmicas, mantas, fotografia de assinatura, obras de arte para admirar.

Nos quartos, mantém-se uma linha mais simples, sem perder algum do arrojo. Além da cozinha equipada, destaca-se o espaço amplo disponível, embora a disposição pudesse ter tido outra atenção- Pelo menos numa das suites, é preciso ir até à sala e depois à porta de entrada para aceder à casa de banho, sem entrada direta do quarto. Pelo contrário, nota positiva para a atenção a outros detalhes, como o cesto de boas-vindas com produtos nacionais e a tão útil coluna de com à disposição dos hóspedes — um precioso bónus que a maioria dos espaços não oferece, com muita pena.

O salto deste ambiente arrojado para o spa não podia ser mais radical. E apesar de serem dois mundos diferentes, a transição funciona. É certo que é de pequena dimensão — talvez demasiada, tendo em conta o número de quartos do hotel —, mas a piscina do spa inspira-se nos antigos banhos romanos. As águas límpidas deixam sobressair a textura dos materiais; cá fora, confortáveis espreguiçadeiras, bem espaçadas, alinhadas na sala preenchida por enormes esferas luminosas e arcos e colunas em tons suaves. Uma pena que a água, em pleno inverno, não estivesse mais quente — embora cada um tenha o seu ponto ideal e, naturalmente, seja impossível agradar a todos.

O Pot & Pan, restaurante onde se fazem as principais refeições e o pequeno-almoço, proporciona outra mudança radical de ambiente, aqui num espírito mais industrial, onde as vigas e tubagens não se escondem: exibem-se no teto, cobertas a preto, num jogo de contrastes com o sistema de prevenção de incêndio: uma forma de cruzar utilidade com arrojo decorativo. À mesa, abranda-se o arrojo e aposta-se em sabores familiares (para os hóspedes nacionais).

A refeição pode assentar numa corrida pelos vários pratos ou numa escolha à carta. Nota positivíssima para o ensopado de bacalhau, com as suas línguas e ervilhas, assentes num pedaço de pão que suga todos os sabores e se revela o complemento perfeito. Seria difícil manter a bitola, embora fossem surgindo boas surpresas, da manteiga de escabeche para abrilhantar as entradas ou as confortáveis favas com linguiça — nota sobretudo positivo para a escolha dos vinhos que acompanham cada momento.

E é por ali, na ampla sala que consegue manter o recato, que se serve também o pequeno-almoço numa fórmula que parece ser cada vez melhor opção: um leque reduzido mas assente na qualidade. Pão quente e fresco e um bem recebido visitante pouco comum: uma travessa com burratas e pesto, para devorar com focaccia. Parece simples, não é?

A última etapa leva-nos de volta à vista, agora aproveitada de um ponto ainda mais privilegiado. Seria um crime não fazer nascer ali um rooftop. O The Rebello livrou-se do julgamento, plantou um espaço que implora por sol e decorou-o à sua maneira. O resultado é uma esplanada que promete ser um dos novos spots do verão.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Cais de Gaia 380
    4400-245 Vila Nova de Gaia
ESTILO
hotel
PREÇO MÉDIO
Entre 100€ e 200€
AMBIENTE
urbano

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