Carlos Coelho e Alê Monteiro não tinham planos para criar um projeto turístico. O objetivo do casal era ter um refúgio no Algarve, onde pudesse viver parte do ano. Mas tudo mudou quando conheceram um espaço para restauro junto ao Palácio da Galeria, em Tavira.
Eram antigas casas de apoio ao monumento, situadas no Largo Dona Ana, um dos mais charmosos da cidade. Pouco depois de conhecerem a propriedade, Carlos, de 62 anos, e Alê, de 47, mudaram de ideia e decidiram criar um alojamento aberto a todos, com arquitetura assinada pelo conceituado Manuel Aires Mateus.
“Era um projeto que inicialmente foi pensado para ser privado, mas passou a ser público”, explica à NiT o criativo e designer. “Está muitíssimo bem desenhado. São três casas que se interligam e, no fundo, o objetivo foi fazer aquilo a que eu chamo um concentrado de portugalidade.”
A expressão utilizada pelo designer refere-se à riqueza arquitetónica e decorativa que se encontra nas três casas. As propriedades deram lugar ao Danna Tavira Portuguese Design Houses, um refúgio pensado para viver um Algarve diferente que não se limita apenas às praias.
A experiência no universo do design fez com que Carlos se inspirasse em tudo o que é português. As três casas contam com produtos de marcas como Vista Alegre, Costa Nova, Pato Rico, Branca Lisboa, Abyss & Habidecor, entre outras.
Uma das curiosidades do projeto é uma ligação indireta a Jane Birkin. O designer explica que antes de a artista dar nome às icónicas malas da Hermès, tinha outro interesse pessoal: um cesto com três hastes feito à mão no Sotavento Algarvio.
“Era uma afirmação de estilo da Jane Birkin porque ela era um símbolo de sensualidade e de rebelião”, explica Carlos. “Ela adquiriu um cabaz daqueles, não se sabe ao certo se foi durante uma visita a Portugal ou numa feira em Londres.”
Na Danna Tavira, existem várias “Birkins” portuguesas, idênticas às que a cantora utilizava, espalhadas pelas casas. Foram aí colocadas como forma de “valorizar as raízes locais.”
“Aquilo que pretendemos com isto é recontar esta história, sobretudo na perspectiva da valorização das raízes”, explica à NiT. “Há muitos sítios para dormir, mas o que o nosso tem de diferente é precisamente isso: conta a história de um Portugal contemporâneo, que começa pelo Manuel Aires Mateus na arquitetura, pelo designer Toni Grilo nos móveis, pelas mesas da Branca Lisboa, e uma mistura de detalhes.”

O Danna Tavira abriu em soft opening no verão passado, só para amigos e familiares. Este ano, porém, o casal começou a apostar na comunicação para chegar a mais pessoas. As três casas do projeto podem ser alugadas em conjunto ou em separado. Cada uma tem uma porta diferente, que dá também o nome às residências.
Na Porta 11, encontra dois quartos, uma cozinha espaçosa e um jardim com uma piscina. A Porta 10, por sua vez, fica no primeiro andar, tem dois quartos, um terraço panorâmico e destaca-se pelos “tetos lindos e altíssimos.” Por fim, a Porta 7 apenas dispõe de um quarto, cozinha, sala de estar e um pátio tropical, com algumas bananeiras.
O objetivo dos proprietários é que o Danna Tavira seja um refúgio para o ano inteiro e não apenas durante o verão. “O Algarve não é um destino apenas para ir para a praia. A nossa aposta é um destino de cultura, ancestralidade e permanência no ano inteiro”, diz.
Como forma de apostar neste conceito, os proprietários criam um guia semanal para os hóspedes durante a estadia. Assim, conseguem descobrir todos os eventos que estão a acontecer na região durante os dias em que ficam na Danna Tavira.
As estadias na Danna Tavira devem ser de, no mínimo, três noites. As diárias começam nos 175€ para alugar apenas uma casa e as reservas podem ser feitas online. As casas são também pet-friendly, mediante a pedido prévio e pode ainda agendar um serviço de pet sitting.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias do novo refúgio em Tavira.








