Turismos Rurais e Hotéis

A casa onde todos se reuniam para ver o Benfica nos anos 60 agora é um alojamento

A Villa Aura foi a primeira a ter televisão em São Martinho de Mouros. Quem vivia nas redondezas fazia quilómetros a pé para ver os jogos.
Abriu em maio.

Sérgio Andrade ainda não era nascido no início da década de 60, mas nunca se vai esquecer das histórias que os seus familiares lhe contaram sobre a emblemática casa na vila de São Martinho de Mouros, no distrito de Viseu. Foi a primeira da região a ter uma televisão e as pessoas que viviam nas redondezas faziam quilómetros a pé só para assistirem aos jogos do Benfica.

“O meu pai conheceu a minha mãe numa dessas reuniões de adeptos”, conta à NiT Sérgio, de 50 anos, que “vibra” cada vez que fala sobre esta propriedade cheia de histórias. Tudo começou com o bisavô Simplício Fernandes, que emigrou para o Brasil, onde se estabeleceu como construtor de obras públicas no estado de Manaus.

No início do século XX regressou a Portugal, casou com Aurora Basto e mudou-se para a casa centenária de São Martinho de Mouros. “Há 97 anos, quando a minha avó nasceu, deu-lhe o nome de Aura e decidiu ampliar a propriedade, que tinha apenas a parte debaixo. Acabou por ser batizada como Villa Aura”, recorda.

Mais do que uma arquitetura diferente para a época, destacava-se por ter, logo à entrada, a estátua de um menino a urinar. “As pessoas passavam por aqui a pé e ficavam a olhar para ela, toda a gente a conhecia. Entretanto, foi mandada recuperar e temos agora uma réplica da original”, revela.

Sérgio recorda-se perfeitamente dos verões que passava lá com os primos do Porto e de Lisboa. Um dos momentos mais marcantes foi o batizado da irmã mais nova. “Foi uma festa que me marcou imenso. Até hoje lembro-me que foi um evento grandioso, com um serviço cheio de opulência, com bandejas de prata. Tinha cerca de sete anos e lembro-me de ver uma pessoa a tocar num piano de 1933”, recorda.

Quando a avó Aura se casou, mudou-se para a Régua e a villa deixou de ser habitada, passando a ser apenas uma casa de fim de semana e de temporadas no verão. “Vivi tanta coisa boa lá, mas sempre imaginei aquela propriedade para turismo”, confessa.

Nos anos 80, quando Portugal entrou para a União Europeia, ainda se falou na possibilidade de criar ali um turismo real, mas os tios, os pais e os avós estavam reticentes. Disseram-lhes que teriam de destruir tudo para conseguirem avançar com o projeto, então acabaram por desistir da ideia.

Em 2017, Sérgio resolveu ir com um amigo arquiteto ver o estado do imóvel que acreditava “não ter salvação possível”. “Pensava que estava quase a cair, mas ele disse-me que estava ótima, que as paredes estavam boas e que era possível fazer um projeto de recuperação. Não foi nada do que nos tinham dito anos antes”, admite.

Sem pensar duas vezes, avançou então com um projeto e pediu aprovação à autarquia. Daí seguiu-se uma espera de dois anos até obter resposta. “A aprovação chegou precisamente no dia em que Portugal entrou em confinamento e não fizemos nada. Ninguém sabia o futuro”, releva.

Quando a pandemia começou a aligeirar, avançaram com a recuperação da propriedade, que ficou “com um charme interessante”, aliando o moderno e o antigo. Juntou-se à Feel Discovery, empresa que gere várias propriedades na região, e abriu oficialmente a Villa Aura no dia 25 de maio.

Com 246 metros quadrados, o alojamento dispõe de quatro suites, sendo uma delas master, e todas com casa de banho privativo. Um dos quartos destaca-se por ter um pé alto enorme, por estar situado na torre da casa, e por ter acesso a uma ponte que passa por cima de um tanque que permite sair e entrar da villa. 

No interior encontra-se ainda uma sala espaçosa, com 40 metros quadrados, cozinha de apoio no piso de cima e uma sala de jantar. Existe ainda uma segunda cozinha que vai dar apoio a uma esplanada que irá funcionar apenas no verão, aos sábados e domingos, e estará aberta ao público. 

“Todos os móveis foram recuperados e depois há elementos mais modernos, como as camas e as cabeceiras. Ainda temos o tal piano que ouvi tocar no batizado da minha irmã”, refere.

Já no exterior, além da réplica do menino a urinar, os hóspedes podem aproveitar a piscina privada e todo o espaço de jardim.

A Villa Aura tem capacidade para receber um total de nove pessoas. Os preços rondam os 400€ e os 500€ por noite e as reservas podem ser feitas online.

Carregue na galeria para ver mais imagens do novo alojamento de São Martinho de Mouros.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua da Feira Nova, 445
    4660-361 Viseu
ESTILO
alojamento local
PREÇO MÉDIO
Mais de 200€
AMBIENTE
rural

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