O tom solar da fachada denuncia logo o conceito da Casamarela, um boutique hotel que assume uma “estética pop” através de texturas ricas, das peças de autor no mesmo tom — como um cabinet of curiosities exposto na sala — e da hospitalidade alentejana. Abriu no final de 2025, em Beja, como um convite a abrandar.
Quando Raquel Montes e Luís Pedro Serrano adquiriram a casa, há cerca de uma década, tinham como plano construir uma habitação para a família, após uma temporada a viverem em Lisboa. “Percebemos que era demasiado grande para a nossa estrutura familiar”, recordam à NiT.
Identificaram tanto potencial que não se conseguiram desfazer dela. Seguiu-se um longo período em que o casal, de 44 e 41 anos, respetivamente, tentou perceber “quais seriam as valências da casa” e, passados nove anos, surgiu a ideia de fazerem algo diferente: uma espécie de pousada contemporânea que não esquece a memória da região.
“O nosso mercado não é quem vem a Beja e precisa de alojamento. Queremos que as pessoas digam: ‘Quero ir à Casamarela, onde é?’. E venham ter connosco de propósito”, explica Raquel, sobre este “refúgio contemporâneo” onde a serenidade tem uma cor, design e garante exclusividade.
Com interiores assinados pelo Studio Astolfi, o espaço teve ainda reabilitação do gabinete de Inês Regato. “Pensámos em fazer algo mais moderno, porque tinha uma visão mais simplista e minimalista”, continua. “Mas pensámos em tentar um novo segmento que ainda não está trabalhado em Beja.”

Um dos pontos de partida são as cores do Alentejo que pintam os vários detalhe. Além do amarelo, misturou-se o terracotta e o azul, tanto no exterior como em apontamentos no interior: começaram pela fachada recuperada e continuaram até aos objetos dispersos nas 39 prateleiras da sala, o principal ponto de encontro.
Um pátio central, onde mora agora uma oliveira, surge uma escada que conduz a um dos terraços. Destaca-se como um dos elementos centrais deste espaço, marcado ainda pelo verde das plantas, e dá acesso a uma vista desafogada onde o horizonte de Beja surge, amplo e sereno, perante o nosso olhar.
A natureza continua no interior, com o casal a optar, sem grandes dificuldades, pelo calor da madeira. “A questão voltou a ser a tentativa de valorizar o Alentejo. Queríamos refletir essa materialidade, com um toque moderno. É isso que torna o conceito da casa tão interessante.”
No interior, há nove quartos duplos cuidadosamente decorados. Há peças de mobiliário de design, o que faz com que nenhum deles seja igual ao outro, sendo que os hóspedes podem optar por três categorias: deluxe, superior ou standard.
Nenhum deles tem televisões — a não ser que faça mesmo questão —, embora disponibilizem tablets ou iPads. Mais uma vez, a ideia é desconectar do mundo exterior e abrandar, com bolo caseiro sempre à disposição.

Inspirado pela tranquilidade do Alentejo, o casal pensou ainda num spa no piso de baixo, sob as abóboDas originais do edifício. Disponibiliza uma piscina, banho turco e massagens terapêuticas (como a sueca, aromática ou com pedras quentes), todas realizadas por profissionais especializados, bem como rituais corporais e cuidados de beleza num ambiente que alia conforto com detalhes históricos.
“Foi pensado, desde o início, para dar resposta à oferta da cidade e dar às pessoas algo mais para desfrutar na casa”, garante Raquel, que teve em mente a privacidade necessária para que os hóspedes se sintam bem.
Outra das particularidades é a cozinha “completamente integrada e aberta para a casa”, sem portas, mas com o mesmo nível de detalhe nas peças de design. E, mediante aviso, preparam refeições para dar a conhecer a gastronomia local. “É mais um convite para se sentirem em casa. É sempre essa a ideia que queremos transmitir.”
Responsável pela mesa, está o chef Manuel Cano, também ele natural de Beja. Todos os dias, serve pequeno-almoço com uma seleção de produtos regionais, queijo, enchidos, iogurte, fruta, granola, pão, croissant ou ovos. A cozinha comum está aberta durante 24 horas com vários mimos.
No bar da Casamarela, dispõe também de uma vasta seleção de bebidas como cocktails clássicos, refrescos e vinhos premium da região. Conta com três terraços, dois com vista para cidade e um junto à piscina, diminuindo a distância entre os visitantes e a cidade à sua volta.
O objetivo é que, mais do que ser vendida ao quarto, a casa seja também uma solução para grupos que procuram um refúgio solar e vibrante. Contudo, sem nunca esquecer a principal missão da Casamarela: uma porta de entrada para um universo de ritmo lento e que revela o melhor do Alentejo.
As reservas podem ser feitas online e os preços dos quartos começam a partir dos 180€.
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