Turismos Rurais e Hotéis

Banana Glamping: o incrível complexo turístico da Madeira que reaproveita bananeiras

O glamping com materiais da transformação das folhas de bananeira, pensado por três jovens, venceu o Tomorrow Tourism Leaders.
Uma ideia sustentável.

Está a nascer na Madeira um complexo turístico que é a definição de criatividade, sustentabilidade e empreendedorismo — tudo combinado num resultado incrível e com um enorme potencial.

Esta semana, soube-se que a construção de um glamping com materiais provenientes da transformação das folhas de bananeira da Madeira foi o grande vencedor do Tomorrow Tourism Leaders Super Edition, promovido pelo Fórum Turismo e o Super Bock Group (com o apoio institucional do Turismo de Portugal). O objetivo deste concurso era identificar novas oportunidades para uma das sete regiões turísticas nacionais, contribuindo para tornar Portugal num destino turístico mais sustentável.

O vencedor foi este Banana Glamping: um espaço nascido da vontade de três jovens, com formação nas áreas do Turismo, do Marketing e da Engenharia Mecânica, em criar um complexo turístico sustentável na ilha da Madeira, que unisse as três vertentes da sustentabilidade. E tudo, através de um produto integrado na própria história e identidade deste destino.

O projeto baseia-se na economia circular: já que pretende reaproveitar o desperdício das bananeiras da Madeira para construir as estruturas de glamping. Para além de incentivar à fruição de um turismo mais sustentável, o Banana Glamping vai possibilitar a preservação do património da Madeira e apoiar a comunidade local, pela necessidade de criar parcerias com os produtores e por permitir gerar experiências autênticas no destino, à volta da cultura da banana.

A NiT falou com os jovens por detrás do projeto vencedor, entre mais de 700 candidaturas. Dizem ser “um grupo de amigos”: Catarina Silva, de Gestão de Marketing e com um projeto na área da alimentação vegana (VeggieRebel) ; André Lopes, Engenheiro Mecânico e Cátia Sousa com pós graduação em ação humanitária.

Os três jovens.

A ideia surgiu quando Catarina e Cátia viveram em Cabo Verde, onde se aperceberam de que existe bastante desperdício nas plantações das bananas. “Sabe que apenas 12 por cento da bananeira é aproveitada?”, perguntam à NiT. “E que a planta morre depois da banana ser colhida?”. Como elas, não sabíamos. As jovens já não se esqueceram.

A oportunidade surgiu quando a Catarina, na feira do Planetiers viu um concurso da SuperBock. Na troca de uma ideia com base na sustentabilidade e turismo, eles ofereciam uma cerveja sem glúten. E nessa altura, pressionada por sugerir algo, Catarina lembrou-se dos desperdícios das plantações das bananeiras e de como seria uma boa solução transformá-los em estruturas de glamping num local onde a banana faz parte da sua cultura e da sua historia.

Assim surgiu a ideia da ilha da Madeira, pela qual Catarina já era apaixonada e em que a banana faz parte da história e identidade daquele que é, lembra, “considerado consecutivamente o melhor destino insular do Mundo”.

Após passar à segunda fase, Catarina ligou à Cátia e ao André. Juntos, “amadureceram” a ideia para que esta fosse a vencedora — e foi mesmo. Com abertura prevista para o próximo ano, o Banana Glamping consiste num complexo turístico composto inicialmente por cinco tendas, sendo duas para o segmento de luxo e as outras três para um segmento mais familiar. Os valores por noite vão começar nos  95€, com pequeno-almoço incluído.

O que distingue este projeto é, reiteram, a conjugação da sustentabilidade ambiental com a sustentabilidade económica e social da região. Sempre “com realce na valorização da banana e das práticas e técnicas a ela associadas”, frisam.

A unidade tem como primeiro objetivo otimizar os derivados da planta da bananeira para materiais de construção do glamping e outros produtos que entretanto venham a ser desenvolvidos. Por outro lado, os três jovens querem que o seu Banana Glamping seja uma porta para um melhor conhecimento da história deste fruto tão típico da Madeira, bem como das plantações de bananeiras, praticas agrícolas, praticas sociais e “toda uma experiência que será desvendada e partilhada com os hóspedes”.

“O Banana Glamping vai contar uma história, abrindo caminhos para os clientes criarem a sua”, dizem, orgulhosos, à NiT. Posteriormente, promove-se uma relação win-win entre os produtores de bananas e a unidade turística, cujos proveitos têm impactes a nível da sustentabilidade ambiental, económica e social da região.

Sobre a distinção alcançada ao vencer o TTL, dizem ter sido “uma validação incrível” das suas ideias e trabalho; “e isso levou-nos a ter ainda mais confiança naquilo que está para vir”. De momento o Banana Glamping está a recolher parcerias e espera receber os primeiros visitantes no final de 2022.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT