Cerca de 10 meses após a morte do pai, Ana Macedo decidiu levar os dois filhos a conhecer a Quinta do Sampayo, a propriedade comprada pelo patriarca da família, José Júlio de Macedo, ainda nos anos 90, no Cartaxo. Nesta altura, o espaço, que chegou a ter uma produção consistente de vinho até 2013, tinha apenas uma “manutenção mínima” e vendia todas as uvas para fora.
“Os meus filhos ainda não conheciam a quinta e tomámos a decisão de que estava na altura de os apresentar”, começa por contar à NiT Ana, atual proprietária da Quinta do Sampayo, de 46 anos. “Também estava há vários anos sem ir lá.”
A viagem aconteceu em novembro de 2022, logo após a morte de José, aos 80 anos, no início desse mesmo ano. Ana juntou-se com o marido, Pedro Emílio, de 47, e os filhos, Madalena (12) e Ricardo (9), para visitar o terreno que marcou a sua infância.
“O meu sentimento de regresso à quinta foi avassalador”, recorda. “Tinha muitas memórias e ver os miúdos a correr no meio das vinhas, foi muito emotivo e foi mesmo muito forte. Basicamente, era a terra que fez parte da minha infância e não conseguia equacionar a hipótese de vendê-la.”
Quando era pequena, Ana recorda-se de visitar a propriedade com o pai, sobretudo aos fins de semana. A propriedade foi comprada em 1995, juntamente com a Quinta da Cabreira, com o objetivo de as tornar numa só.
“Eu via Quinta do Sampayo na altura em que aquilo tinha a ruína da casa antiga e as videiras só existiam na da Cabreira”, partilha. “Vi também a junção de todos aqueles bocadinhos de terra entre uma propriedade e outra.”
Em 2022, quando revisitou o terreno com os filhos, tomou uma decisão: iria recuperá-lo, como forma de homenagear também todo o trabalho de José Júlio. Nessa altura, era responsável pela gestão das empresas e Pedro, o marido, trabalhava como advogado.
“Não entendíamos nada de uvas e muito menos de terra. Mas decidimos arregaçar as mangas”, sublinha. Um ano depois, em 2023, a Quinta do Sampayo renasceu com várias experiências ligadas às vinhas e à região envolvente.

Vinhos, animais e experiência para viver na quinta
As obras para reerguer a quinta arrancaram em janeiro de 2023, mas tinham um problema: teriam de encontrar um enólogo para retomar com a produção. Através do engenheiro responsável pelo projeto, chegaram a Marco Crespo, que decidiu abraçar o desafio.
“Ele achou que era um desafio muito aliciante porque temos muitas castas plantadas, que nos permitem fazer vinhos diferentes uns dos outros”, aponta. “Obviamente que sempre me alertou que a vinha ia necessitar de muito cuidado e carinho até conseguirmos uma produção simpática e em boas condições”.
No final desse mesmo ano, produziram o primeiro vinho e arrancaram com as experiências no terreno. Além das provas e dos passeios pelas vinhas, começaram a encher a quinta de animais. Inicialmente, escolheram um casal de cada espécie para agradar aos dois filhos: era sempre um para a Madalena e outro para o Ricardo.
“Entretanto, os coelhos e as cabras reproduziram-se e temos mais do que esperávamos”, brinca, acrescentando que a quinta também tem burros e cavalos, que os clientes podem conhecer e até alimentar, além de oferecer biberão às cabras bebés.
Desde que arrancaram com o projeto, Ana e Pedro queriam torná-lo diferente e mais pessoal. A proprietária refere que o espaço não é uma “fábrica de experiências”. Opta sempre por fazer apenas uma durante a manhã e outra à tarde, para os clientes se sentirem mesmo em casa. “A pessoa deve estar à vontade, seja para descobrir a quinta acompanhada connosco ou sozinha”, frisa.

Além de todas as novidades, há um segredo bem guardado no terreno: um cedro plantado durante a primeira visita do casal com os filhos. A ideia surgiu através de uma história que Ana ouviu sobre a quinta, que remonta ao século XVII.
“Reza a lenda que havia um cedro muito grande na quinta, que era avistado de todo o Cartaxo”, conta-nos Ana. “Mas acabou por ser atingido por uma tempestade com um raio, e o vendaval conseguiu arrancá-lo e ele morreu.”
Na primeira ida à propriedade com os filhos, plantaram um “cedro bebé” para honrar aquele que já não existia. “Ainda não está adulto, mas já está a crescer e é um adolescente”, brinca.
Entre as experiências mais famosas da quinta, está a Poda & Prova (30€ por pessoa) que inclui rituais e métodos ligados à poda,uma visita à adega e a prova de vinhos. Se preferir fazer apenas a prova de vinhos e uma visita guiada para descobrir a história do espaço, o valor começa nos 20€.
Há ainda atividades como passeios a cavalo (70€), piquenique na vinha (60€), pintura com vinho (115€ para duas pessoas), vindimas (a partir de 25€), entre outras. No futuro, os fundadores pretendem também criar um alojamento para tornar a experiência mais especial.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias da Quinta do Sampayo, tiradas por Dora António.








