Marta Alvim e Vasco Maya procuraram “toda a vida” um terreno selvagem onde pudessem criar uma casa de férias. O casal português queria encontrar uma propriedade que não tivesse muitas alterações em termos de fauna e flora, com a terra pura.
Em 2016, depois de seis anos intensamente dedicados à procura do terreno ideal, encontraram-no em Melides. “A partir do momento em que o comprámos, demorámos seis anos a construir”, conta à NiT a artista plástica e investigadora na área de neuroestética, de 46 anos e natural do Douro.
O objetivo do casal era que a construção fosse também a “mais ética” possível. Por esta razão, apostou na taipa, uma técnica milenar e artesanal que utiliza terra crua (misturada com argila, cascalho e água) para erguer as paredes.
“São casas muito bonitas e saudáveis, que não têm tanta humidade”, explica. “São casas que respiram e que não estão plastificadas.”
A artista refere que a escolha fez com que a construção da RockRose Melides, como batizou a propriedade, demorasse mais tempo do que o habitual. Afinal, só é possível trabalhar com a taipa quando o tempo assim o permite. Em dias de chuva, por exemplo, a terra desfaz-se facilmente e em dias de calor intenso, acaba por secar rapidamente.
“São todas técnicas de slow living e temos de cooperar com a natureza e esperar que ela coopere connosco”, salienta Marta. “Não se pode apressar. As coisas têm um ritmo.”
Este conceito, por sua vez, estendeu-se também ao resto da propriedade, que ficou pronta este ano. A arquitetura esteve a cargo de Manuel Aires Mateus, um dos mais conhecidos arquitetos em Portugal.
Marta refere que já conhecia e adorava o trabalho do profissional e foi assim que decidiu propor o projeto. “Apesar de nunca ter construído uma casa em taipa de raiz, já tinha feito reconstruções”, afirma. “Achámos que era uma pessoa com sensibilidade para o património.”
Os fundadores decidiram também abrir a casa a hóspedes, para partilhar todas as sensações que sentiam no refúgio. Construída como casa de férias, perceberam também que ia estar vários meses encerrada. Por isso, viram aí a oportunidade de a disponibilizar para reservas.
“Começámos a receber visitas recorrentes de alunos de arquitetura de outros países que queriam perceber como é que se constrói em taipa e também aquilo que o Manuel andava a fazer”, explica. “Começou a ter alguma notoriedade pública e, com as visitas e alguns artigos, começou a tornar-se conhecida.”
O terreno tem 10 hectares, mas Marta e Vasco, um piloto de aviões de 56 anos, construíram apenas a casa principal, com cerca de 500 metros quadrados.
“Podíamos construir mais e até criar outras casas de campo, mas queremos que o terreno tenha 10 hectares virgens para os animais e para as plantas autóctones, porque temos centenas de espécies diferentes”, sublinha. “Somos aquela casa que preserva e que comunica uma forma de luxo e bem-estar diferente.”

A RockRose dispõe de cinco quartos espaçosos com casas de banho privativas, spa com banho romano, uma sala de meditação com salamandra, sala de estar com lareira e uma biblioteca com livros selecionados e dedicados a temas como filosofia, mitologia, neuroestética, ecologia, gastronomia e design de interiores.
A sala de estar com lareira, por sua vez, foi feita como um espaço de convívio inteiramente dedicado ao fogo. O espaço é iluminado apenas com a luz das chamas. “O fogo por si só é muito anti-inflamatório e é ótimo estar ali antes de ir dormir”, diz a cofundadora.
Para além de ter tido um cuidado especial na construção da casa, a própria decoração foi escolhida ao pormenor pelo casal. Cada apontamento que encontra na RockRose tem um propósito e uma história, e não foi lá colocado apenas por causa da beleza.
“Fomos buscar elementos muito básicos, mas ao mesmo tempo clássicos”, aponta. “Fizemos nós candeeiros com classicismo em latão. A luz é muito importante para nós, portanto, é sempre quente, não é fria e, idealmente, é difusa, para ser reconfortante.”
Para os sofás, os fundadores apostaram em opções intemporais e grandes, assim como as mesas onde cabe toda a família. “Nada ali é decorativo só porque é bonito. Há qualquer qualidade ou capacidade do objeto de causar algum tipo de emoção ou de sensação. Tudo isso foi visto na perspetiva do utilizador de se sentir regulado e bastante tranquilo dentro de casa.”

Na parte do bem-estar, a propriedade aposta em produtos de higiene da Rowse e conta com um painel de terapia com luz infravermelha. A máquina é responsável por “ativar as células de energia e ajudar o corpo a desinflamar e a funcionar melhor.”
A house manager da RockRose é também fisioterapeuta de formação, tendo feito um curso para conseguir operar a máquina de luz infravermelha. Os hóspedes podem ainda reservar massagens e outros serviços durante a estadia, que inclui também limpeza diária.
Na parte dos serviços, podem optar por passeios a cavalo, marcações de jantares (em restaurantes ou em casa, com um chef privado) e até consultas de tarot e astrologia. O refúgio fica a cerca de 15 minutos de carro da vila de Melides e a 10 minutos das praias da região.
“A ideia que queremos passar é que a casa adapta-se àquilo de que a pessoa precisa naquele momento da sua vida, seja em grupo ou sozinha”, frisa. “Somos um projeto ótimo também para artistas e pessoas que queiram criar e estar sossegados.”
Inicialmente, a RockRose só estava disponível para estadias de pelo menos uma semana. Contudo, permite atualmente reservas de no mínimo duas noites para mais pessoas conseguirem aproveitar a casa, que tem capacidade para receber 10 pessoas. As diárias variam entre os 1400€ e os três mil euros. As reservas podem ser feitas online.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias do RockRose Melides, tiradas por João Guimarães.







