Turismos Rurais e Hotéis

Entre murais de Vhils e piscinas infinitas: é assim o novo cinco estrelas alentejano

É o primeiro hotel de luxo do Alandroal. Obra de uma luso-angolana que viu um sonho concretizar-se a 1 de maio.
Abriu a 1 de maio.

Lígia Fraga mudou-se para Luanda, em Angola, há cerca de quatro décadas, onde começou a trabalhar na área da energia. Apesar de operar fora de Portugal, a presidente da comissão executiva da INOTEC ‒ Ambiente, Energia e Comunicação, sempre disse que, um dia, gostava de deixar a sua marca no país onde nasceu. 

Aos 67 anos, e depois de “muitas peripécias”, o sonho tornou-se realidade. A 1 de maio, abriu ao público o projeto que idealizou há oito anos: o Land of Alandroal, o primeiro hotel de cinco estrelas no concelho do distrito de Évora, um destino que a luso-angolana bem conhece. Apesar de ter nascido e crescido em Lisboa, grande parte da sua família vive no Alentejo, entre Beja e Évora. É de “terras alentejanas”, como a própria afirma.

“Quando era mais nova, costumava passar lá muitas férias. Ia para casa do meu avô, em Beja, e para a da minha prima, em Évora. O pai dela foi responsável pelas piscinas municipais de Évora e, na altura, era uma coisa do outro mundo”, recorda à NiT.

As memórias nunca as esqueceu, mas queria ser também responsável por proporcionar a tantas outras famílias momentos felizes e de união. A ideia de avançar com um projeto relacionado com o turismo surgiu há cerca de oito anos, quando veio a Portugal para ser operada ao coração. “Pensei que com a operação ia deixar de trabalhar e comecei a pensar que estava na altura de tornar o meu sonho realidade”, confessa. A verdade é que não deixou de trabalhar, e ainda hoje vive entre Angola e Portugal, mas não deixou morrer a ideia.

Primeiro começou por procurar um terreno em Vila Viçosa, “por toda a história da localidade”, mas não encontrou nada dentro daquilo que pretendia. Só encontrou o lugar perfeito no Alandroal, por “um mero acaso”. “A agência com quem normalmente trabalho, na pesquisa de imóveis, é que me apresentou o Alandroal. Realmente, quando chegámos lá, percebemos que era um ambiente completamente diferente”, confessa.

Sem pensar duas vezes, adquiriu a herdade com 30 hectares, um “monte todo velho, sem infraestruturas nenhumas” — e foi nessa altura que tudo começou. “Foi um verdadeiro desafio, pegar numa coisa que não tinha nada e recuperá-la”.

Mais do que um simples alojamento, queria algo que “fizesse a diferença”. A princípio seria um projeto rural, mas rapidamente foi evoluindo e a ideia passou a ser construir ali um hotel de cinco estrelas, algo inédito no Alandroal. 

O percurso, confessa, foi tudo menos fácil. “Não havia saneamento, nem energia, nem água. Levar toda a infraestrutura para lá foi complicado, um processo doloroso, mas conseguimos”, diz. Na herdade existiam apenas ruínas de três edifícios com mais de 200 anos, que foram “recuperados à pedra”. “Penso que o monte pertenceu a pessoas que não tinham grandes condições financeiras, porque não tinha água nem luz. Tinha animais e uma ribeira, portanto deveriam utilizar aquela água, mas os materiais eram pobres”, refere. 

Aos edifícios antigos juntaram-se outros três novos, completamente modernos. “Tentámos recuperar toda a essência. Mantivemos as chaminés, as lareiras, até o forno, que utilizamos agora para fazer um workshop de pão aos sábados”, realça.

O maior desafio foi recuperar tudo o que havia, adicionando também toques de modernidade e de inovação. Prova disso é o imponente mural assinado pelas mãos do reconhecido artista urbano Vhils. O projeto foi assinado pelo arquiteto de interiores António Lages.

A experiência começa assim que passar o portão da entrada, onde os carros ficarão estacionados. A partir daí, o trajeto é feito em pequenos carrinhos de transfer elétricos, de bicicleta ou a pé, para que o ruído visual e o barulho se reduzam ao mínimo.

O Land of Alandroal oferece um total de 24 espaçosos e criteriosamente decorados suites, que permitem “viver o tempo aberto”. Todas elas têm um estilo minimalista, no qual se privilegia a pedra e madeira. Algumas das unidades têm mezzanine e dispõem de terraço e espreguiçadeiras, de onde se avista toda a paisagem alentejana.

A antiga vacaria e o estábulo transformaram-se no restaurante e na garrafeira. Os pequenos-almoços são servidos até às 13 horas, algo pouco habitual nas unidades hoteleiras. 

O espaço de restauração está aberto apenas ao jantar, numa sala com toalhas de mesa bordadas à mão e louças da Vista Alegre. Ali vai poder provar pratos com sabores alentejanos, com um toque muito próprio e uma inspiração familiar da gastrónoma Maria Lourdes Modesto, a prima de Lígia que morreu em 2022.

O hotel de cinco estrelas dispõe ainda de uma sala de leitura e um spa, com salas de massagem, sauna, banho turco e ginásio. Já no exterior, a piscina com borda infinita e água aquecida convida a mergulhos o ano inteiro.

O que não falta na unidade hoteleira são atividades para passar o tempo, desde cinema ao ar livre na piscina, a ateliers de pinturas e workshops para aprender a fazer pão ou queijo. Os hóspedes podem ainda aproveitar para passear pelos 30 hectares de terreno, sendo que 10 deles são dedicados à vinha. “O objetivo é que em 2027 estejamos a produzir o nosso próprio vinho”, garante.

O maior destaque, para Lígia, é mesmo “a paz, o silêncio e a tranquilidade” da herdade. Depois de ver concluído o primeiro projeto turístico, Lígia confessa que “agora quer mais”. A luso-angolana já anda, inclusive, à procura de terrenos na Costa Vicentina para negócios futuros.

Para ficar hospedado no novo Land of Alandroal, os preços rondam entre os 200€ e os 450€ por noite. As reservas podem ser feitas online.

Carregue na galeria para conhecer melhor o primeiro cinco estrelas do Alandroal.

 

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Herdade das Parreiras Apartado 66

    7250-203 Évora
ESTILO
hotel
PREÇO MÉDIO
Mais de 200€
AMBIENTE
rural

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