Durante cinco anos, Daniel Sousa e Márcia Meireles aproveitaram quase todos os fins de semana e as férias de verão para trabalhar num projeto de sonho. O pai, a filha e outros familiares, naturais da vila de Lousada, no distrito do Porto, construíram de raiz um novo alojamento que acaba de abrir portas aos hóspedes.
A história começou a cerca de 90 quilómetros da Lousada, onde Daniel, de 52 anos, encontrou o terreno perfeito para construir um refúgio familiar. Foi na pequena aldeia de Zebral, em Vieira do Minho e a uma hora de distância de casa, que deu início ao novo projeto.
“Começámos por procurar em vários sítios porque isto é um projeto do meu pai e acabei por me aliar a ele”, conta à NiT Márcia, assistente educativa num conservatório de música, de 30 anos. “Quando andava à procura, vi umas imagens muito giras de um terreno com inclinação, que era o que o meu pai pretendia, e cheio de carvalhos.”
A família foi então conhecer o terreno pessoalmente e apaixonou-se de imediato. Em 2020, Daniel, um serralheiro de alumínio, oficializou a compra e deu início às obras no ano seguinte.
“A ideia era construirmos com as nossas próprias mãos e foi assim que fizemos, não contratámos nenhuma empresa”, frisa Márcia.
Nesse mesmo ano, o pai, a filha e outros familiares — entre os quais Tiago, o irmão de Márcia, e o tio, José Sousa — começaram a fazer viagens constantes até ao terreno para pôr mãos à obra. A assistente educativa refere que estas eram feitas, sobretudo, aos fins de semana e durante o mês de agosto, quando tinha férias. Para ir e para voltar, demoravam cerca de três horas todos os dias.
“Nos meses de agosto, saíamos às seis da manhã e regressávamos por volta das 20h30 a casa”, recorda Márcia. “Chegávamos a casa, tomávamos banho, comíamos e íamos dormir. Era sempre a altura mais intensa porque era quando eu tinha disponibilidade e quando o meu pai também conseguia estar mais livre.”
O trabalho árduo que tiveram ao longo dos últimos anos deu origem ao Zebral, que foi inaugurado a 1 de agosto, com duas cabanas construídas à mão pela família. Embora sejam iguais a nível arquitetónico, foram pensadas de formas diferentes.
Uma das villas é uma homenagem à Serra do Gerês — porque está voltada precisamente para esta paisagem. A segunda inspirou-se na Serra da Cabreira, com vista para a zona mais baixa da cadeia de montanhas. Cada uma tem capacidade para receber o máximo de quatro hóspedes.
“Desde o início, queríamos construir em forma de cabanas porque já tínhamos visto algumas em várias partes do mundo, como no Brasil”, refere Márcia. “Em Portugal, também já começaram a aparecer algumas.”
Márcia refere que a parte mais divertida de todo o processo era, as viagens de carro. “Quando estamos a chegar à aldeia, o trânsito não é como aqui onde vivemos, com muitos carros. Ali são as vacas que ficam no meio da estrada.”

Apesar de se terem inspirado no formato destas cabanas, os fundadores optaram por fazer algumas alterações, sobretudo a nível de estrutura e tamanho. “Têm ambas 72 metros quadrados, o que é maior do que o habitual”, explica à NiT.
A Villa Cabreira ficou a cargo de Márcia, que, quando se juntou ao projeto, decidiu construir a própria cabana. Para a decorar, inspirou-se nas cores da serra que dá nome à residência.
“Há um pormenor ou outro que tem as cores da serra na altura da primavera, que é quando nascem muitas florzinhas amarelas, roxas e lilás. Portanto, inspirei um bocadinho por aí.”
Já na Villa Gerês, Daniel fez com que os móveis da cozinha ficassem cinzentos, numa alusão aos montes rochosos da região. “Ele também fez tudo a pensar nas coisas antigas, de que ele gosta muito. Colocou, por exemplo, os pés de uma máquina de costura a fazer de apoio à base do lavatório da casa de banho”.
Cada cabana conta ainda com um jacuzzi privado; e, no exterior, existe uma piscina infinita, com vista para a aldeia e para a Serra do Gerês. “As cabanas são elevadas para aproveitarmos um bocado a vista. Devido à inclinação, conseguimos aproveitar ainda mais o espaço e a vista envolvente, em homenagem às serras.”
Desde que começou o projeto, a família tem recebido vários contactos de vizinhos que vivem na aldeia e até de emigrantes que deixaram a região para trás. Todo o processo da obra foi partilhado nas redes sociais, o que acabou por chamar a atenção dos moradores e antigos residentes. “Foi um esforço que valeu mesmo a pena.”
As diárias no Zebral rondam os 140€, para duas pessoas e uma estadia mínima de duas noites. As reservas podem ser feitas através da página de Instagram do projeto.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias do novo alojamento em Vieira do Minho.







