José Simão nunca soube estar parado — quem o diz é Adriana, a filha mais nova do construtor civil. Durante vários anos, a família teve uma quinta em ruínas, na zona da Fatela, no Fundão, até que, no início da década de 2000, decidiu fazer alguma coisa a esse respeito.
Em 2006, José, atualmente com 66 anos, começou a visitar a quinta todos os fins de semana, para tentar recuperá-la. Com a ajuda da mulher, Rosa, de 58, começou por limpar o terreno até evoluir para obras mais sérias, como a reconstrução do edifício principal.
“Tínhamos uma casa em ruínas na propriedade e ele foi reconstruindo tudo”, conta à NiT Adriana, uma técnica de radiologia, de 35 anos. “O trabalho em pedra é a grande paixão do meu pai e durante muitos anos, foi o que fez. Construiu muros e fontes no tempo livre que tinha.”
Adriana e o irmão, Alexandre, de 36 anos, estavam habituados a acompanhar o pai nas aventuras semanais.
“As memórias que tenho são de brincar no terreno quando não havia nada, apenas as ruínas”, recorda. “Mais tarde, ainda não havia chão na casa, mas como faço anos no verão, costumávamos acampar no terreno, no meio da floresta.”
Aos poucos, a propriedade, conhecida como Quinta da Madanela ainda antes de ser adquirida pela família, começou a ganhar forma. Os trabalhos nunca estavam completos, mas a casa já permitia que a família recebesse alguns amigos.
“Começámos por celebrar aniversários, fazer jantaradas e passar lá os dias”, conta Adriana. “Há três anos, inclusivamente, casei-me naquela quinta.”
Esta paixão pela propriedade fez com que a família decidisse partilhá-la com hóspedes, até para mostrar o resultado do trabalho árduo de José ao longo das últimas décadas. Em junho, as reservas para a Quinta da Madanela ficaram disponíveis.
“Sempre foi um sítio que as pessoas nos diziam que se sentiam bem, que era um sítio muito especial e que tinha muito potencial”, aponta. “Até então, obviamente, cada um também andava na sua vida, mas achamos que seria interessante também que as pessoas tivessem esta experiência que sempre tivemos com os nossos amigos e familiares”.

A casa é composta por três quartos, duas casas de banho e salas de estar. No exterior, a quinta expande-se por cerca de um hectare, conta com um pequeno lago e é a casa de vários animais. O mais conhecido, porém, é o cavalo Eusébio.
“Ele faz sempre sucesso e é o nosso favorito”, confessa Adriana. O equídeo foi comprado pela família quando ainda era jovem, há mais de uma década.
O nome do cavalo é uma referência ao futebolista português e foi-lhe dado pelos antigos proprietários. A família Simão, por sua vez, decidiu mantê-lo: “Por acaso, o meu pai é benfiquista. Portanto, foi uma feliz coincidência.”
Além do cavalo, a quinta é a casa de gatos, galinhas, patos e pavões. Junto à barragem próxima da propriedade, Adriana refere que existem várias rãs. Os miúdos adoram “vê-las a saltar para o charco.”
“A quinta nunca foi pensada para ser um turismo rural ou alojamento local. Foi pensada para ser a nossa casa de família, e poder proporcionar isso a outras pessoas é incrível”, frisa. “O meu pai e a minha mãe conseguiram fazer um trabalho incrível. É muito emocionante, porque é o projeto de vida deles.”
O nome da quinta também atrai muitos curiosos, que acabam sempre por confundir com “Madalena”. Adriana, porém, explica que a propriedade já estava registada com este nome.
“Não sabemos se pode ter acontecido um erro na altura do registo, mas naquela zona toda a gente conhece como Madanela.”
As diárias na Quinta da Madanela, que tem capacidade para receber até seis hóspedes, rondam os 300€. As reservas podem ser feitas online.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias da Quinta da Madanela.







