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Este Tudo Incluído é o Melhor Hotel para Famílias do País — fomos saber porquê

A repórter da NiT visitou o resort distinguido na Tripadvisor. E aproveitou para ver como é um all inclusive em tempo de pandemia.
Um sonho (foto Nuno Andrade).
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A vida segue em modo business as usual, no 3HB Clube Humbria. Há uma pandemia, claro que sim — as máscaras, as desinfecções constantes, as marcas no chão e os cuidados extra não nos deixam esquecer. Mas aqui, no resort do Algarve que foi novamente eleito como o melhor hotel para famílias do País, a sensação de segurança é impressionante. O galardão da Tripadvisor é de 2020 mas foi atribuído antes de todas as mudanças que o Tudo Incluído de Olhos de Água teve de fazer para se adaptar à Covid-19. A ser posterior, este Traveller’s Choice Award — a avaliar pelas críticas dos hóspedes que o escolheram este verão e pelo que vimos — teria sido ainda mais adequado.

“O que havia de nos acontecer”, diz-me a funcionária do hotel enquanto faço o check-in, no início de outubro, numa das últimas datas em que a unidade está aberta este ano — volta em abril de 2021, para quem quiser já planear e conseguir valores mais em conta. O desabafo da funcionária surgia à milésima desinfeção que fazia das suas mãos, do balcão, dos nossos cartões de cidadão, dos cartões do quarto, das garrafas de água. “Acho que um dia destes fico sem óleo na pele das mãos”.

É possível, mas faz parte do esforço rigoroso que claramente ali foi feito para que a pandemia não fosse impedimento de férias mesmo em modo all inclusive: algo que pelas suas características tradicionais — buffets, piscinas normalmente cheias de gente, aulas de grupo, ginástica na água, kids club, mais buffets — não seria à partida a escolha mais adequada.

Ao visitar o 3HB Clube Humbria percebi que praticamente tudo aquilo que um tudo incluído tem, pode continuar a ter em versão pandémica, por incrível que pareça. E fiquei com pena de não ter ido mais cedo, em pleno verão.

Durante os dois dias de família a experimentar este vencedor do melhor hotel para famílias, não vi a cara de um único funcionário. Isso foi uma das coisas que me impressionaram. Não me refiro ao uso de máscaras em espaços fechados, refiro-me a todo o lado: os jardineiros ao ar livre andam de máscara, os rapazes que limpam as espreguiçadeiras da piscina às oito da manhã, ao ar livre e sem ninguém remotamente por perto estão de máscara, os instrutores de ginástica ainda que mega afastados também. A regra é levada à letra.

Isso contribuiu muito para a sensação de segurança. É impressionante como, por causa deste detalhe (e outros, como as marcas no chão, as desinfecções e o enorme espaçamento entre mesas e espreguiçadeiras) se consegue fazer quase tudo: a animação e ginástica junto à piscina, as danças dos miúdos ao ar livre depois do jantar, o usufruto das várias refeições com calma e do parque aquático do resort.

Falemos então do mini parque aquático: se tem miúdos, esta é das melhores piscinas de hotel que já vi. Tem literalmente vários escorregas de água, além dos tradicionais cogumelos gigantes estilo chuveiro, barcos que despejam baldes, papagaios e geringonças, muito espaço para eles estarem: com os meus, foi a loucura total. À volta, o chão é igual ao dos parques infantis, uma segurança contra inevitáveis escorreganços.

Parte do parque aquático.

Foi um dos pontos altos do hotel para os meus filhos, até porque tivemos o parque durante uma manhã inteira quase só para nós — um luxo nos dias que correm. Vê-se aqui, e noutros detalhes, que é um resort claramente pensado para famílias, com infraestruturas e serviços exclusivos, animação dedicada e ainda uma piscina para crianças e zona de parque infantil. 

A forma como todo o hotel está desenhado, com gigantes árvores e blocos generosos de relva em volta das piscinas, parece ter sido — sem obviamente o ser — feita a pensar na atual crise pandémica. É uma garantia de espaço para correrias, aulas de ginástica, música ao entardecer com segurança e jogos de futebol improvisados. 

Com as áreas comuns aprovadas, importa referir os interiores: o hotel funciona por blocos, marcados com letras, o que lhe dá um ar anos 80 q.b; os quartos são espaçosos, não luxuosos mas bonitos, super limpos, funcionais, com todos os requisitos para uns dias de férias e ainda varandas sobre as áreas comuns.

Quanto ao restaurante, foi também uma agradável surpresa: o 3HB Clube Humbria não é um daqueles resorts com quatro ou cinco espaços de diferentes gastronomias, mas o restaurante é espaçoso, com várias salas, um grande terraço ao ar livre, comida boa e variada. E, claro, aquela sensação de tudo controlado, tão importante agora. A comida é estilo buffet mas com divisórias a tapar os alimentos, corredores de espera com marcas no chão e empregados a servir o que pedimos.

A verdade é que, não sei se foi dos filhos— e das suas constantes ânsias alimentares e exigências por diversão — ou das unidades que tenho tido oportunidade de conhecer, do espírito da coisa que tem um quê de mundo fechado e seguro, mas 2018 foi o ano em que me converti aos resorts em Tudo Incluído. Desde então há quase uma necessidade anual de viver esta experiência e de a proporcionar aos miúdos — sempre que possível, claro.

2020 parecia ser o ano em que tal não seria mesmo possível: com a situação do coronavírus, muitos dos Tudo Incluído do País abriram mais tarde, alguns nem abriram e os que voltaram, até que ponto ofereceriam segurança e distanciamento, quando o objetivo é normalmente o mal sair dali — nós e todos os outros clientes?

Foi uma agradável surpresa visitar o resort em Olhos de Água e perceber que tudo se faz com empenho, parecendo claro a todos os níveis que empenho ali não falta. Para o ano, que consiga lá voltar mas sem máscaras, cartões de cidadão e garrafas de água desinfetados ou marcas no chão. Mas se tiver de ser, pelo menos será seguro.

Relativamente aos preços: para a época baixa começam nos 166€ por quarto (duas pessoas); para a época alta existem opções desde 250€ por quarto (duas pessoas) — sempre em regime de tudo incluído.

A área de estar ao ar livre.

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