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Turismos Rurais e Hotéis

Festas ilegais na pandemia: “Consumiam drogas e chegavam a ser 10 num apartamento”

Apesar de pontuais, os casos que sucederam nos Lisbon Serviced Apartments são um reflexo do que se passa por todo o País.
As festas são perigosos pontos de contágio

São mais ou menos recorrentes desde que a pandemia obrigou a um confinamento mais rigoroso, sobretudo depois de ter sido decretado o encerramento de bares e discotecas. Teimosamente, grupos compostos na sua maioria por jovens optaram por contornar todas as regras que iam sendo definidas pelo governo.

Se não era possível fazer festas nos bares, eles aglomeravam-se nas bombas de gasolina. Restrita a venda de álcool, passaram a juntar-se nas ruas e nas praças. Daí saltaram para os espaços privados, muitas vezes reservados para festas ilegais sem o conhecimento dos proprietários.

As festas com centenas de pessoas foram rapidamente sendo interrompidas pela polícia. Mas em locais menos óbvios, pequenos grupos foram-se juntando para violar todas as regras e diretivas do governo e da Direção-Geral da Saúde, mesmo quando o número de infetados atingia níveis perigosamente altos.

Foram situações como essas que Luís Milagres e Sousa — responsável da Lisbon Serviced Apartments, que gere mais de três centenas de alojamentos em Lisboa — relata à NiT. Assim que a luta contra a pandemia começou a restringir a movimentação dos portugueses, algo de fora do habitual começou a acontecer nas propriedades da empresa. Cada noite num destes mini apartamentos ronda os 40€ e está limitada a dois hóspedes.

A forma de atuar era quase sempre mesma. “Normalmente vinham apenas uma ou duas pessoas fazer a reserva, identificavam-se, mas depois à noite chamavam mais pessoas”.

Apesar de não ter ido ao local no “par de ocasiões” em que isso aconteceu, nota que as situações foram identificadas graças aos sistemas de segurança e de videovigilância que têm instalados. E, nesses casos, eram sempre “convidados a sair”.

“Eram quase sempre jovens de classes sociais mais baixas que usavam os apartamentos para fazer festas. Chegavam a consumir drogas lá dentro”, nota, antes de referir que num alojamento para quatro pessoas chegavam a estar dez pessoas.

Alertados pelas movimentações captadas pelas câmaras e por relatos da vizinhança, chegaram mesmo a chamar a polícia, embora Luís Sousa não saiba se os grupos foram autuados.

De acordo com dados divulgados em setembro pelo Comando Metropolitano da PSP de Lisboa, entre junho e agosto, a polícia foi forçada a intervir em mais de 600 festas, tendo também sido abordadas mais de 78 mil pessoas, com 112 detenções por desobediência.

As festas começaram assim que a pandemia chegou ao País, embora Luís confesse que as tentativas de organizar estes eventos, no caso dos seus apartamentos, diminuiram de forma progressiva. “Eles deixaram de se aproximar por iniciativa própria. Hoje ainda sentimos que continuam a tentar, mas é algo que já conseguimos reconhecer e não facilitamos.

O momento da reserva é hoje abordado com mais cautela. Estão “mais atentos” na altura do check-in, tentam sempre perceber ao que vão os hóspedes e, claro, mantêm-se constantemente vigilantes através das câmaras.

“Continua a ser possível reservar apartamentos de forma não-presencial, através do telecheck-in, mas temos um sistema de controlo para saber quem vai e quem não vai, ainda que seja impossível controlar tudo a 100 por cento.”

Este é um fenómeno que se tem repetido um pouco por todo o mundo. A maior rede de alojamentos locais do mundo, a Airbnb, decretou em agosto novas regras, mais rígidas, na tentativa de fazer travar o fenómeno das festas ilegais.

Recentemente, em Espanha, a empresa anunciou ter retirado da plataforma mais de 800 alojamentos e bloqueado mais de cinco mil reservas, quase todas feitas por jovens abaixo dos 25 anos para casas na sua área de residência.

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