Turismos Rurais e Hotéis

Já abriu o primeiro hotel em Portugal onde pode dormir dentro de uma cereja gigante

O Cherry Sculpture Hotel nasceu de um sonho antigo de Gabriel Soares. Agora, aos 74 anos, conseguiu concretizar a ideia que tinha desde miúdo.
É um espaço inovador.

Aos 74 anos, Gabriel Soares cumpriu um sonho e uma promessa antiga. Desde miúdo que tinha a ambição de desenvolver um projeto turístico “diferenciador e fora da caixa” no terreno dos pais na vila de Paul, na Covilhã. Queria, acima de tudo, “trazer algo para fazer crescer a zona do interior”. A protagonista, essa, nunca teve dúvidas de que seria a cereja, a fruta mais famosa da região da Cova da Beira.

“No meu tempo, as brincadeiras eram outras. Passávamos os dias a roubar cerejas, a brincar aos cowboys. Sempre foi um fruto que me chamou a atenção, tanto pelo sabor como pela aparência”, começa por contar à NiT o proprietário do Cherry Sculpture Hotel, que recebeu os primeiros hóspedes em janeiro.

O sonho já era antigo, mas a oportunidade de o concretizar só surgiu décadas mais tarde, depois de uma vida a trabalhar como funcionário público. Agora, reformado, sabia que estava na altura de dar o primeiro passo. Quando disse em voz alta que ia construir o primeiro hotel do País dedicado unicamente às cerejas, chamaram-lhe “louco e lunático”, mas a teimosia venceu a guerra, apesar de não ter sido um processo fácil. 

Tudo começou em 2015, ano em que começou a pensar realmente na viabilidade de construir um empreendimento no terreno que os pais haviam comprado quando Gabriel ainda era um adolescente. Tinha 17 anos e tinha acabado de ir para a tropa, pelo que nunca chegou a morar na propriedade. “Era um olival e os meus pais depois mudaram-se para uma casa na propriedade, mas acabou por ficar em ruínas e quis recuperá-la”, sublinha Gabriel, que já se tinha aventurado nesta área do turismo quando transformou a casa onde vivia em Coimbra num alojamento local, em 2013. 

Quando apresentou o projeto à autarquia pela primeira vez, em 2016, não foi aprovado, mas nem isso o fez desistir da ideia de construir “uma casa dedicada à cereja”. Conseguiu a aprovação dois anos mais tarde e, “com a chave na mão”, a empresa Decriativos ficou responsável por toda a obra.

Depois chegou a pandemia, que atrasou todo o processo, mas o pior aconteceu mais tarde, em 2023, quando a empresa responsável por criar o projeto declarou insolvência. “Já estava tudo pago, foi um investimento de 1,8 milhões de euros. Nessa altura fiquei com receio que não fosse capaz de levar isto até ao fim, mas a teimosia voltou a vencer”, explica Gabriel. A 2 de janeiro, abriu ao público “algo inovador no mundo”: o Cherry Sculpture Hotel.

O hotel propriamente dito foi construído num dos edifícios antigos que estava em ruínas junto à moradia dos pais, que o responsável comprou em 2015. Com paredes de pedra, a unidade hoteleira de charme é composta por 13 quartos e duas suites, com hidromassagem incorporada e lareira suspensa, também com formato de cereja.

Todos os pormenores foram pensados ao máximo detalhe e no interior destaca-se ainda a cama redonda com uma base vermelha que faz lembrar a fruta. As grandes protagonistas, contudo, encontram-se fora do edifício principal e estão espalhadas pelos 17 mil metros quadrados de terreno: são as esculturas em forma de cerejas gigantes.

Atualmente existem oito bungalows, mas serão 13 “dentro de pouco tempo”. Todos eles foram construídos em fábrica e oferecem uma experiência completamente diferente de tudo o que existe em Portugal. Com cerca de 40 metros quadrados, cada uma destas cerejas dispõe de uma cama redonda, um chuveiro, uma zona de estar e um pequeno pátio.

 
 
 
 
 
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A particularidade destas unidades de alojamento estende-se também às restantes comodidades que se podem encontrar no Cherry Sculpture Hotel. Além do hotel e dos bungalows, os hóspedes têm à disposição um restaurante temático que privilegia “tudo o que é da zona”, desde a truta ao cabrito. Entre as opções da carta do Cherry Restaurant destacam-se a sopa de truta do Paul (4,60€), as pataniscas de truta com aioli de ervas (5,20€), o cabrito assado no forno (22€) e a sobremesa Arre Diabo (o nome de uma expressão popular local), um brownie de chocolate com gelado e menta e doce de cereja (6,50€).

Ocasionalmente, os hóspedes podem aprender esta arte nobre pelas mãos da artesã Adelaide, que dá formação todos os fins de semana. O objetivo é “tecer o maior caminho de Portugal”, uma espécie de tapete em forma de passadeira, com motivos religiosos e da Cova da Beira. “Não queremos ser só um projeto de turismo. Também queremos associar a cultura e a tradição da Beira Interior ao hotel”, sublinha.

A próxima fase do projeto deverá ser inaugurada no mês de junho — e será igualmente incrível e inovadora. Trata-se do spa com sauna e uma piscina aquecida, onde os hóspedes poderão fazer hidroterapia no interior. Tudo isto enquanto podem olhar para uma espécie de cascata, com água a cair de seis metros de altura. No exterior haverá ainda uma piscina com 350 mil litros de água que será um “cacho de cerejas”.

“Neste momento temos 23 espaços turísticos, mas o projeto ainda está longe de acabar. Estamos a contar ter um total de 40 cerejas e 60 quartos e associar o hotel à parte da cultura biológica também”, adianta Gabriel. Um dos principais objetivos é mostrar aos hóspedes como se vivia antigamente numa vila como esta e criar uma “simbiose entre o turismo e a parte rústica”.

Quanto a projetos para o futuro, Gabriel adianta que está prevista a construção de uma fábrica de azeite. “Os meus pais tinham um lagar onde cresci e ficou o bichinho do azeite. Sempre quis ter uma fábrica que durasse o ano inteiro”, confessa. Outro objetivo é avançar com um projeto para recuperar as três levadas que existem na zona para que os hóspedes e outros visitantes possam visitá-las a pé ou de bicicleta e conhecer as minas que existiam, os moinhos e as quedas de água. 

Aos poucos, está a fazer renascer uma vila que tem vindo a fechar muitos estabelecimentos nos últimos anos: perdeu um hotel, um banco e uma série de valências. “Já ninguém acreditava em coisa nenhuma, mas com este empreendimento oferecemos postos de trabalho para pessoas que vão ficar a viver aqui. Já se nota um movimento anormal e a vila começa a ter alguma vida. Está a renascer”, diz.

Quanto aos preços da estadia, os valores rondam os 90€ (quarto), os 120€ (esculturas de cereja) e 170€ (suite). As reservas podem ser feitas online.

Carregue na galeria para conhecer melhor o primeiro hotel do País dedicado às cerejas.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. Dr. José Carvalho 71
    6215-328 Covilhã
ESTILO
hotel
PREÇO MÉDIO
Entre 100€ e 200€
AMBIENTE
serra

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