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Já pode dormir na 1923, a casa misteriosa que é tão bonita por dentro como por fora

Alojamento em Faro acolhe também o atelier e a residência da arquitecta Vânia Fernandes, autora de outro projeto similar no Algarve.
(Foto: Alexander Bogorodskiy)

Quando Vânia Fernandes se lançou numa caça a uma nova casa, nunca pensou que a procura a levasse até à curiosa fachada da que agora é conhecida como Casa 1923. Foi também graças ao seu olho clínico, fruto naturalmente do talento profissional de arquiteta, que percebeu rapidamente todo o potencial.

Avançou para o que seria não só um projeto de habitação própria, mas também um novo espaço profissional. Na altura, estava longe de imaginar que o edificio no centro de Faro acolheria hóspedes para estadias de curta duração.

Volvidos quatro anos, a arquiteta de 39 anos, natural de Olhão, transformou a Casa 1923 num negócio, onde também funciona o atelier PAr e serve ainda como habitação própria. Tudo num espaço reimaginado, mas que pretendeu manter o mais intacto possível o projeto original dos anos 20 do século passado.

A recuperação de casas para colocar no mercado do alojamento não era, de todo, uma novidade para Vânia. Em 2016 abriu, em conjunto com dois irmãos, a Casa Modesta, que rapidamente se tornou num dos mais falados espaços do Algarve, elogiado pela sua beleza e simplicidade — e figura de proa da região em diversas publicações internacionais. Recorde o artigo da NiT sobre o projeto.

Agora a solo, a arquitecta aplicou ao novo espaço o mesmo tratamento, num cuidado extremo com a história, o projeto original, os materiais. “Desapareceu tudo para depois reaparecer outra vez”, recorda à NiT sobre o processo que, antes de ser uma remodelação, foi um restauro. A casa, já bastante degradada, foi alvo de uma renovação profunda, com paredes reforçadas e uma atualização transversal, atendendo às modernas exigências de construção.

Depois, foi como montar um puzzle. Todos os materiais e detalhes foram fotografados. Alguns foram retirados, pedaço a pedaço, com a respetiva numeração para serem recolocados nos mesmos sítios.

(Foto: Alexander Bogorodskiy)

“Foi um trabalho de restauro. Mesmo as portas, foram todas retiradas, tratadas e recolocadas. Um trabalho de campo exaustivo, até porque depois tivemos que fazer muitas réplicas de peças para recolocar”, explica.

Nem o projeto poderia ter sido feito de outra forma. “Fiquei apaixonada pela fachada e após a visita, pelas próprias estruturas, porque mantinham a sua originalidade”, conta. Apesar de nunca ter conseguido descobrir o autor original da casa, elogia a clarividência e engenho do criador. “Tem uma distribuição muito inteligente e achámos que fazia todo o sentido mantê-la, porque é uma casa única em Faro. Tinha que ser preservada.”

No interior, o corredor principal serve de “cordão umbilical” que leva a cada uma das salas. Com os seus 270 metros quadrados, as circunstâncias de uma pandemia e de uma obra complicada levaram a que os planos se alterassem e fossem sendo moldados às necessidades.

“Diria que o processo foi mesmo sofrido e doloroso. Comprei-a em 2019 e só a consegui abrir em 2023”, conta. “E como a casa era muito grande, decidimos que devíamos fazer um programa mais híbrido.”

O projeto foi então desenhado para acomodar uma casa para Vânia, um espaço para o atelier PAr e dois apartamentos, neste caso um T0 e um T2. Foi no improvável sótão “de pé direito bastante alto” que nasceu um imprevisto T2. “Percebemos que ali havia uma zona que poderia ser aproveitada para outra casa, mantendo sempre a mesma altura, o respeito pela estrutura. Não alterámos quase nada”, confirma. E é este T2 que tem direito a uma piscina privativa, o enorme tanque que tem também ele uma história para contar.

Quando Vânia avançou para a compra, percebeu que havia já um projeto de demolição da casa e construção de um prédio de seis pisos. Uma ideia que “felizmente não foi aprovada” pela autarquia. “Esta zona faz parte da zona de proteção que pertencia ainda ao Teatro Lethes. Mas antes do teatro, havia aqui um colégio jesuíta que tinha uma horta gigante e, nesta zona, antes da construção do bairro, havia aqui um tanque grande. Então foi daí que veio a ideia de fazermos também este tanque.”

No interior, a casa apresenta-se bastante mais comedida nos elementos decorativos, quando comparada com a maior exuberância da fachada e dos seus azulejos ornamentados e coloridos. Os tons rosa pastéis interligam-se com a madeira e os mosaicos hidráulicos. Quanto a elementos favoritos, a arquiteta não faz qualquer eleição.

“É um todo. Hoje vivo a casa, atmosfera e a energia que transmite, que é uma energia de paz. Foi também o que sempre procurámos, a luz que conseguimos ganhar”, conta. “Chegámos até a mudar a cozinha para outra localização que, para nós, fazia muito mais sentido. E ficámos contentes por perceber que era exatamente ali que estava no projeto original. Estávamos em sintonia.”

A seguir, carregue na galeria para ver mais imagens desta Casa 1923.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua Almeida Garrett, 53



    8000-206 Faro
ESTILO
alojamento local
PREÇO MÉDIO
Entre 100€ e 200€
AMBIENTE
urbano

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