Turismos Rurais e Hotéis

João recuperou uma casa de Xisto esquecida no Douro. Agora é um refúgio silencioso

O Peso D'ouro começou a receber hóspedes no início do mês. Tem uma decoração inspirada na história da propriedade rural.

João Pinto cresceu a visitar o Alto Douro com os pais. A região encantou a família desde cedo e a vila de São João da Pesqueira era sempre a escolhida para férias. “É a zona que achamos mais bonita”, confessa à NiT.

No final de 2024, a família decidiu comprar uma casa na pequena vila e criar um refúgio para aproveitar as férias. E bastou visitar a propriedade uma vez para o português ficar completamente apaixonado. “Comecei por procurar algumas casas e fui visitar esta que me encantou logo. Foi um impacto, mal sair do carro”, recorda à NiT o estudante de Medicina Dentária na Universidade Fernando Pessoa (Porto), de 25 anos. Na altura, a casa já estava degradada por ter estado vários anos abandonada.

Ainda assim, era possível ver o potencial que tinha, sobretudo devido à vista para as vinhas, os olivais e os tradicionais socalcos do Douro. João recorda-se também de ficar admirado pelo silêncio e pelo cheiro das lareiras nos arredores. Inicialmente, o objetivo era criar apenas um refúgio para a família, mas não conseguiu deixar passar o potencial da casa. A 1 de setembro, abriu as portas do Peso D’ouro aos hóspedes, o novo alojamento de São João da Pesqueira.

A propriedade tem mais de 150 anos e esteve sempre ligada à história da vila. Tem, inclusive, uma construção típica da altura em que nasceu: no andar de cima, viviam as pessoas, enquanto o de baixo era destinado aos animais, como gado, cavalos, porcos e galinhas.

“A casa no exterior até tem várias ferraduras cravadas entre as pedras que eram onde amarravam os cavalos durante o dia”, explica o jovem. Por esta razão, toda a decoração do novo alojamento foi inspirada nesta história.

João Pinto, o fundador.

A Peso D’ouro tem dois quartos e em todos, encontra quadros ou apontamentos ligados ao universo equestre. “Quisemos manter muito esta essência dos cavalos, que também são animais de que também gosto muito”, refere. “Incluímos um tema mais selvagem, porque as próprias paredes da casa não têm ângulos retos. Foi tudo feito artesanalmente.”

A par das peças mais tradicionais, a família procurou também fazer um contraste com o moderno, apostando num mobiliário mais novo. O principal objetivo destas diferenças era garantir que os hóspedes “tivessem conforto, mas, ao mesmo tempo, uma experiência autêntica.”

Quando decidiu comprar a casa, João refere que pesquisou mais sobre a história da região. Acabou por descobrir várias curiosidades que ficaram esquecidas com o tempo.

“Descobri que São João da Pesqueira tem o floral mais antigo de Portugal e que a própria vila foi povoada pelo cunhado de D. Afonso Henriques, tendo uma história do século XII”, refere. “Mas tudo isso foi esquecido e neste momento a própria zona está muito esquecida.”

Nos últimos anos, porém, o fundador refere que a região tem apostado mais no turismo. E o que não falta aos hóspedes são atividades para fazerem nos arredores. Podem aproveitar para conhecer o miradouro de São Salvador do Mundo, as vinhas históricas da região, o Palácio de Cidrô – Real Companhia Velha, o centro histórico de São João da Pesqueira, o Museu do Vinho, entre outros.

As diárias no Peso D’ouro começam nos 90€ para uma pessoa ou nos 110€ para um casal. O valor aumenta gradualmente mediante o número de hóspedes e a época do ano. As diárias podem ser feitas online. 

Carregue na galeria para ver algumas fotografias do Peso D’Ouro.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Quelha dos Tamanqueiros, 1, Várzea de Trevões
    5130-520
ESTILO
alojamento local
PREÇO MÉDIO
entre 101€ e 150€
AMBIENTE
rural

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