Turismos Rurais e Hotéis

Na nova Hospedaria da zona mais cool do Algarve vive-se e dorme-se com calma

É dos mesmos donos da Pensão Agrícola e aposta num ambiente relaxado em pequenos quartos rústicos e confortáveis.
Simples, bonita e cool — é assim a Hospedaria

O velho edifício à face da estrada prendia a atenção de Rui Sousa sempre que passava por ele. Uma antiga loja construída em 1917, agora abandonada. Ao lado, o salão onde os moradores de Conceição de Tavira organizavam animados bailes ao fim de semana.

“Ali vendia-se de tudo, comida, bebidas, tinha um posto de correios, um telefone. Era o shopping daquela época”, explica à NiT. Rui contactou os herdeiros da família e ao fim de um ano era o novo dono da propriedade onde nasceria o novo turismo rural do Algarve, a Hospedaria.

A cerca de 400 metros de distância, encontra-se o motivo que levou a que este engenheiro civil de 41 anos trocasse a agitação de Lisboa pela pacatez da zona rural de Tavira: a Pensão Agrícola, o primeiro turismo rural que Rui e o seu sócio criaram naquela região.

Há uma década, a incursão dos dois sócios no sotavento algarvio visava o investimento. Um engenheiro e um médico encontraram na propriedade entre a serra e a Ria Formosa a oportunidade imobiliária. Só que o projeto esbarrou nas aprovações e estacionou num limbo burocrático. Foi aí que surgiu a solução: usá-lo como turismo rural para rentabilizar o investimento.

Dono de uma empresa de construção, Rui mudou-se para o Algarve para avançar com o projeto. Ao fim de dois anos, terminada a obra, percebeu que estava ali para ficar. “Tinha uma qualidade de vida bastante melhor do que teria em Lisboa ou noutro lado. Falei com o meu sócio e decidimos que eu ficaria a gerir o hotel, apesar de não ter formação na área.”

Dos antigos moradores da casa, pouco sabiam, apesar de o interior estar recheado de vestígios de outros tempos: roupas, fotografias, livros, móveis. Mas muito poucas pistas sobre a identidade de quem, em 1921, construiu a casa. No exterior, uns marcos de pedra com as iniciais MSG. Era tudo.

A descoberta aconteceria mais tarde, numa visita ocasional ao cemitério local. Rui deparou-se com um jazigo construído por Manuel da Silva Gomes para a mulher Rita Silva Gomes. Estavam desvendadas as iniciais — e as caras nos jazigos batiam certo com as encontradas na casa.

Alguns dos objetos foram recolhidos, recuperados e usados na decoração. A obra recuperou os antigos edifícios — a zona protegida impede que sejam criadas novas edificações —, os novos proprietários apostaram nos traços arquitetónicos locais e criaram um dos turismos rurais mais visualmente arrebatadores da região.

A Pensão Agrícola foi inaugurada em 2015. Cinco anos depois, junta-se-lhe a Hospedaria. Apesar de independentes, a proximidade faz com que se torne natural a partilha de facilidades. É normal que os hóspedes passem entre um e outro alojamento.

O ambiente é semelhante em ambos. Paredes brancas caiadas, uma decoração assente em objetos decorativos e mobiliário com personalidade: estão à vista as marcas do tempo, o desgaste da cor, manchas, ranhuras. A textura contrasta com as paredes imaculadamente brancas numa harmonia quase perfeita.

Um dos quartos da Hospedaria

A decoração foi também a parte mais rápida de completar do projeto. Os dois sócios arrendaram vários armazéns onde, durante as obras, iam aumentando a coleção de objetos, antiguidades, velharias, relíquias. Depois de concluídos os espaços, foi só colocar tudo nos devidos lugares.

Apesar da semelhança, Rui Sousa aponta as diferenças entre a vida de hóspede num e noutro local. “O conceito da Pensão Agrícola é mais de quinta, os quartos não são tão espaçosos. A vivência é mais exterior. A Hospedaria, sendo uma propriedade murada, é um conceito mais fechado para o interior: os quartos são bastante maiores e todos têm bastante privacidade com pátios exteriores e alguns com duche”, explica. “Se as pessoas quiserem, quase que nem se veem.”

A novíssima Hospedaria tem um total de cinco suites, todas elas com pátios privados: o Amendoeira, por exemplo, tem tudo o que é preciso para uma estadia relaxada, com um duche exterior privado; já o Forno troca o duche pela lareira interior. Mas todos têm chão aquecido, wi-fi e uma estação para ouvir música.

Lá fora, o tanque para refrescar os dias de verão — e que também aquece a água para os dias frios de inverno —, acompanhado de um honesty bar. Depois, pode fazer o que quiser: ir até às magníficas praias da região, fazer passeios a cavalo no parque natural da Ria formosa, andar de vespa, fazer piqueniques ou tratar do casal de burros que moram na propriedade.

Uma das zonas comuns da Hospedaria

A estadia inclui, desde logo, o pequeno-almoço que nunca é servido em formato buffet. Inclui, por exemplo, sumos, café, chá, ovos, tostas de croissant com chocolate ou queijo brie e doce de tomate, frutas, iogurte natural e granola caseira.

Ao almoço, estão sempre disponíveis pequenas refeições leves, entre saladas, massas e sanduíches. Ao jantar, o menu muda todos os dias e necessita de pré-reserva. Custa 45€ por pessoa (inclui uma garrafa de vinho por cada duas pessoas) e é composto por tábua de aperitivos, entrada, prato principal, sobremesa, café e digestivo. A cozinha, claro, é tradicionalmente portuguesa e da região: o que significa muitas cataplanas, peixe grelhado e assado, caldeirada de lulas e muitas outras receitas familiares.

Os preços variam entre os 170€ por noite na época baixa e os 270€ na época alta.

Carregue na fotogaleria para conhecer também a Pensão Agrícola.

 

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Sítio da Cumeada, Conceição de Tavira, Tavira
    8800-072 Tavira
ESTILO
turismo rural
PREÇO MÉDIO
entre 151€ e 250€
AMBIENTE
rural

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