Turismos Rurais e Hotéis

Nesta nova quinta da Covilhã pode beber vinho e explorar uma antiga mina

Os visitantes serão equipados como mineiros, antes de partirem à descoberta do espaço, que culmina numa prova de vinhos.
Somos transportados para o passado.

É estranho lermos mina e quinta na mesma frase, especialmente quando dizemos que de uma antiga mina alemã nasceu uma nova quinta na Covilhã. Mas é verdade, e ao passar por lá sentir-se-á como um verdadeiro mineiro.

A história da Quinta das Minas da Recheira começa no século passado. Rica em água do rio Zêzere, era uma zona próspera graças à agricultura, aos pomares e à criação de gado. “Com a chegada das prospecções e pesquisas mineiras alemães, os antigos proprietários perceberem que existiam à superfície da quinta, filões com minerais de estanho e volfrâmio, e deixaram a pastorícia e a agricultura”, conta Luís António, o diretor-geral do empreendimento, à NiT. E foi assim que as Minas da Recheira passaram também a ser conhecidas como a Mina do Alemão.

Em 1971, com o decréscimo do valor dos minerais a exploração das minas deixou de ser rentável. Para Luís António, “as leis da economia foram mais fortes que as regras do coração.”

A exploração parou, mas a atividade mineira perdurou. “Depois de deixar de laborar na exploração das várias galerias mineiras começaram a utilizar as infra-estruturas existentes para tratar de minérios que vinham de outras minas pertencentes à Companhia”, recorda. Em 1996, toda a atividade mineira chegou ao fim.

Seguiram-se anos e anos de abandono total. As únicas pessoas que por lá passavam não tinham boas intenções, vandalizando constantemente o espaço que antes brilhava de estanho e volfrâmio.

Luís António, juntamente com um grupo composto por investidores brasileiros e, curiosamente, também alemães, viram o “diamante em bruto” que era aquela mina, e decidiram reabilitar o espaço. Demoraram seis anos a concluir a obra.

“O empreendimento está licenciado desde junho de 2020, mas por causa da pandemia só abriu ao público em agosto de 2020. Não sabemos o que é trabalhar de uma forma normal”, confessa o diretor-geral. Circunstância que não o impediram de ter um “produto turístico fantástico, único e diferenciador”, com “inovações, dinamismo e motivações constantes, empreendedorismo, parcerias estratégicas — tudo com muita coragem, visão e resiliência.”

O interior da mina.

Luís António explica que os principais objetivos da Quinta das Minas da Recheira são a promoção da cultura, costumes, tradição, história e ainda do património industrial extrativo mineiro, o tema de todo o empreendimento.  No local também já foram gravadas cenas para a série portuguesa “A Espia”, da RTP1.

Além disso, conjuga um produto turístico mineiro, ambiental e com um produto agrícola, o vinho algo que na maioria das vezes não acontece, porque, por norma, onde existe exploração mineira não existe agricultura.

Ao entrar no espaço pode esperar viver uma experiência digna de um mineiro de profissão: os visitantes são recebidos com um capacete e um colete. Depois, durante umas horas, “deixam o mundo real e serão verdadeiros mineiros, entrando literalmente numa verdadeira viagem no tempo.”

É feita uma visita guiada a três galerias mineiras recuperadas e em total segurança, para que seja possível perceber como se fazia uma mina. Será também possível observar os filões de quartzo hidrotermal mineralizado de estanho e volfrâmio. Os carris e vagonetas originais também são umas das atrações da Quinta das Minas da Recheira.

Para nos transportar para a extração mineira teremos manequins vestidos de mineiros a desempenhar as suas diversas funções, bem como outros artefactos espalhados pelo empreendimento. 

Dentro das galerias podemos encontrar um bar, um lago interior, uma galeria de arte mineira e ainda uma zona especialmente feita para tirarmos uma fotografia com todo o equipamento.

Pode encontrar uma galeria de arte fotográfica.

Segue-se uma visita ao complexo mineiro, o Salão Mineiro de Eventos, “destinado a espectáculos culturais diversos, degustação de produtos regionais, festas temáticas, aniversários de todo o tipo, casamento, almoços/jantares, team building, e todo o tipo de eventos onde a imaginação e a criatividade conseguirem chegar”, adianta Luís António.

A par da visita ao complexo mineiro existe ainda um enoturismo, através da visita à Galeria Mineira de Estágio de Espumantes e Vinhos, em parceria com a Almeida Garrett Wines, a adega vinícola mais antiga da Covilhã. À prova de vinhos juntam-se os alimentos regionais da Beira Interior, como o queijo da Serra da Estrela, presunto, azeitonas, pão e tostas.

Luís António explica-nos que, infelizmente, “a parte referente ao futuro alojamento ainda não está a funcionar.” Mesmo assim, não faltam hipóteses de lazer neste empreendimento que junta uma quinta a uma mina.

O espaço convida a uma prova de vinhos.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua das Minas da Recheira, 6215-097 Barco
    6215-097 Covilhã
ESTILO
turismo rural
PREÇO MÉDIO
Menos que 50€
AMBIENTE
aventura

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

Novos talentos

AGENDA NiT