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Neste hotel nos Açores, toma-se banho de água quente numa estufa de ananases

Com mais de 200 anos de história, a quinta que se transformou na Senhora da Rosa é um dos segredos mais bem guardados da ilha de São Miguel
É um verdadeiro oásis.

Joana Damião Melo, açoriana de gema, recorda-se bem dos dias que passava na quinta da família, na ilha de São Miguel, a subir às árvores e a fazer bolos com terra e flores. “Lembro-me dos lanches servidos no jardim com fruta do pomar, que eram uma delícia, e de brincar aos polícias e ladrões com o meu irmão Miguel”, recorda à NiT Joana, de 45 anos. A herdade foi também palco do casamento dos seus avós e pais, assim como o de alguns primos mais afastados, que viam no terreno o lugar perfeito para celebrar a união. 

Com mais de 200 anos de história, a quinta Senhora da Rosa pertence à família há várias gerações. Hoje funciona como um hotel, mas nem sempre foi assim. Em tempos, mais precisamente no século XVIII, era conhecida essencialmente pelas laranjas que produzia. 

Tudo mudou quando uma praga atacou a herdade e dizimou toda a produção. O acidente trágico obrigou os proprietários a mudarem o foco, passando a dedicar-se à produção de ananás, que voltou a colocar a Senhora da Rosa no mapa. Afinal, a zona de Fajã de Baixo, onde estão situados, era uma das zonas mais conhecidas para esta prática.

Mais tarde, em 1994, escreveu-se um novo capítulo na história da propriedade com três hectares: os pais de Joana abriram a quinta, pela primeira vez com uma estalagem. O hotel acabaria por fechar portas 17 anos depois, sem que a família soubesse que voltaria a reerguer-se.

Mais do que todas as memórias de infância, foi também na ilha de São Miguel, onde cresceu, que Joana Damião Melo viu nascer a sua paixão pela hotelaria. O interesse levou-a a Lisboa, onde estudou gestão hoteleira — e esse foi apenas o início do sonho. 

Nos últimos 24 anos andou “por muitos grupos hoteleiros”, todos eles diferentes entre si, mas nenhum deles tão especial como a Senhora da Rosa. Sem esquecer as suas raízes, mudou-se para os Açores em 2015 para assumir a direção do Santa Bárbara Eco-Beach Resort. que foi um sucesso no arquipélago. Pouco depois, começou a equacionar a possibilidade de adquirir a quinta da família.

“A propriedade esteve abandonada durante sete anos e chegou a estar à venda, mas ninguém a comprou. Costumo dizer que sempre esteve à nossa espera”, disse. Com o irmão e outro amigo que se tornou sócio, decidiu que aquela herdade, onde guardavam tantas memórias, ainda tinha muito para oferecer. A visão era a mesma: “Dar a conhecer a história da família”.

As obras arrancaram em 2019, mas a pandemia veio atrasar a abertura do hotel, algo que só viria a acontecer em 2021, após um investimento de seis milhões de euros. Renasceu assim o “segredo mais bem guardado da ilha de São Miguel”, um oásis que une tradição à natureza. 

As intervenções foram significativas, mas sempre com o objetivo de “manter o máximo possível da estrutura original”, assim como as divisões da antiga estalagem. O projeto arquitetónico de recuperação é do Atelier Vieitas, enquanto a decoração ficou a cargo de Lili Damião, mãe de Joana, que reaproveitou móveis antigos, juntando-os a outros mais contemporâneos.

Composto por 35 quartos, que incluem suites, duplos, deluxes e duas garden lodges. Estas últimas estão situada no centro da quinta e recriam as antigas estruturas de madeira conhecidas como cafuões, onde os cereais eram armazenados. Cada uma das unidades de alojamento tem uma fotografia da ilha, tirada por fotógrafos como Paulo Goulart, Miguel Damião e João Moniz. 

A decoração é inspirada na natureza típica dos Açores, aliando detalhes antigos e modernos. Já no que diz respeito aos novos cafuões, cada um conta com 33 metros quadrados e dispõe de quarto, casa de banho, zona de estar e um terraço com banheiro ao ar livre, rodeado por bananeiras.

Joana não deixa de destacar ainda a ermida, construída em 1897, e que foi totalmente recuperada, com a sua talha dourada. “Lembro-me da minha avó ir rezar todos os dias à ermita. Muitos dos objetos do hotel, aliás, fazem parte das vivências da nossa família”, sublinha. As colchas de seda bordadas à mão e trabalhadas em linho, assim como as peças de cerâmica únicas, são alguns dos elementos diferenciadores, que não se encontram em mais lado nenhum.

Cerca de 14 variedades de fruta, desde a laranja às bananas e castanhas. O grande protagonista é mesmo o ananás. “É uma produção delicada e produzida em estufas de vidros, com todo um ritual de preparação e de manutenção. O fruto em si leva dois anos a crescer”, revela. Mais do que acompanhar todo este processo, os hóspedes podem ainda tomar um banho de água quente dentro da estufa.

“Tentamos fazer esta ligação entre o hotel e a natureza, pelo que trazemos alguns elementos de natureza para dentro do edifício, mas também ao contrário. Foi daí que surgiu a ideia do tanque”, diz. Construído dentro da estufa de ananases, que ainda se encontra ativa, este tanque de água quente é apenas uma das várias atrações do espaço. A Senhora da Rosa conta ainda com um campo de padel, uma piscina exterior, uma loja de produtos açorianos, um centro interpretativo onde pode aprender sobre a história do local, um Kids Club para os miúdos e até uma capela do século XIX (aberta a celebrações religiosas).

A pensar no bem-estar, a quinta dispõe de um spa com quatro salas de tratamento, uma de relaxamento, bem como banho turco, sauna e um estúdio para aulas de ioga e de pilares. É um espaço que convida a “desligar e a relaxar com tempo e em comunhão com a natureza”.

O restaurante principal é o Magma, que apresenta uma cozinha de sabores regionais, destacando-se o “melhor do mar, da terra e dos doces do arquipélago dos Açores”. Com capacidade para 55 pessoas, inclui também uma esplanada semicoberta.

Um ano após a inauguração da Senhora da Rosa, Joana decidiu transformar a antiga zona técnica cheia de máquinas e outros equipamentos num rooftop no topo do edifício principal. Ao contrário do restaurante principal, o Mirante funciona apenas sazonalmente e deverá reabrir no mês de junho. Com uma vista incrível para as montanhas que rodeiam a propriedade, o gastrobar tem um conceito asiático.

A estadia no hotel Senhora da Rosa começam nos 170€ (época baixa) e nos 250€ (época alta) por noite, com pequeno-almoço incluído. As reservas pdoem ser feitas online.

Carregue na galeria para conhecer melhor a Senhora da Rosa.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua Senhora da Rosa 3


    9500-450 São Miguel
ESTILO
hotel
PREÇO MÉDIO
Entre 100€ e 200€
AMBIENTE
serra

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