Uma quinta com 25 hectares, animais, trilhos, casas de pedra, vinhas e tudo a que tem direito. É esta a proposta da Banduja Reserve, um novo alojamento que abriu no final de abril em Celorico de Basto, distrito de Braga, para dar a possibilidade aos hóspedes de serem “donos” temporários de uma propriedade histórica.
A ideia surgiu por parte de Nuno Cunha e Silva, de 63 anos, empresário do setor têxtil em Barcelos, e Sandra Gomes, proprietária de uma agência têxtil na Póvoa de Varzim, de 50. A propriedade remonta ao ano de 1700 e desde então, está na família Cunha e Silva.
No entanto, os trabalhos para a recuperar só arrancaram há cerca de cinco anos, com a compra da Casa do Telhó, um solar brasonado do século XVIII mesmo junto ao terreno da quinta.
“É uma propriedade profundamente ligada à história local e outrora habitada por famílias de grande relevância na região”, contam à NiT os proprietários, acrescentando que há relatos de Camilo Castelo Branco ter-se hospedado ali, durante a escrita da obra “Novelas do Minho.”
Ao todo, a quinta dispõe de 10 casas, sendo que atualmente apenas três foram recuperadas e abertas aos hóspedes: Casa das Cabras (até seis pessoas), Casa das Oliveiras e Casa do Burros, ambas para quatro. As restantes contam já com projetos de recuperação em andamento.
Apesar de estarem “bastante degradadas”, as casas foram recuperadas ao longo dos últimos anos de forma a manter “a sua traça original e autenticidade arquitetónica.”
“À excepção do solar, da Casa do Padre e do antigo Alambique, as restantes construções destinavam-se originalmente à habitação dos caseiros da quinta”, explicam. Nos pisos inferiores, por exemplo, situavam-se as cortes, onde os animais permaneciam.
Uma das construções que ainda está a ser recuperada, a Casa do Padre, fica junto ao Solar e vai ser rebatizada de Casa do Padre Albino, em homenagem a um familiar da família.
Os proprietários explicam que, quando ainda era jovem, o Padre Albino mudou-se para o Brasil, de forma a fugir à perseguição religiosa da época. Escolheu a região de Catanduva, no estado de São Paulo, como casa e, ao longo das décadas, dedicou-se à construção de escolas, universidades, lares e outras instituições de apoio à comunidade.
“Atualmente, encontra-se em curso o processo para a sua canonização, o que acaba por tornar esta homenagem ainda mais simbólica e especial para nós”, referem.

“A quinta é um lugar para desligar do ruído”
A decoração das casas da Banduja Reserve conta com apontamentos retirados da própria floresta que envolve a propriedade. Adriana Pinho, responsável pelo marketing, refere que a madeira foi um dos materiais mais utilizados.
“Apesar de continuar com um estilo muito contemporâneo, o suposto é preservar mesmo a história do sítio”, refere a responsável. “A promessa da quinta acaba por ser o facto de ela ser um lugar para desligar do ruído, para abrandar e preservar a autenticidade do próprio espaço”.
Desde a sua criação, a quinta foi também a casa de vários animais — e, atualmente, não é diferente. Ali, encontra três burras mirandesas, porcos bísaros, cabras, bodes, aves de capoeira, pavões, perus, gansos e coelhos selvagens que vivem livremente pela propriedade.
Além disso, dois cães adotados após terem sido abandonados na região assumem o papel de “guardiões e companheiros” da propriedade e dos hóspedes que por ali passam.
“Destes primeiros feedbacks que temos tido, os hóspedes têm valorizado imenso o convívio que podem ter com os animais, até porque duas das casas são mesmo bastante próximas da zona onde ficam”, refere Adriana. “As famílias gostam muito de levar para lá os filhos, já propositadamente, para poderem conviver um bocadinho naquele ambiente rural.”

De acordo com os proprietários, o objetivo é atrair um “público diversificado”, que vai desde “profissionais do setor vínico até amantes da natureza e apaixonados pelos animais”.
“Pretendemos também criar um espaço acolhedor para estudantes, grupos de escuteiros, lares e outras instituições, promovendo convívios, experiências e atividades de um dia num ambiente autêntico e em contacto com a natureza”, apontam.
Um dos destaques da quinta são também os seis hectares de vinha, com castas tradicionais da região, como Azal, Arinto e Padeiro. Durante a estadia, os hóspedes são convidados a conhecer e a caminhar pelas plantações. Os hóspedes podem ainda mergulhar na piscina e percorrer os diferentes trilhos distribuídos ao longo dos 25 hectares.
Numa fase posterior, os fundadores pretendem transformar uma das salas do Solar numa galeria de arte, com uma coleção de quadros, livros e obras de arte pertencentes a Paulo Cunha e Silva, irmão e cunhado da família, além de ter sido antigo vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto.
Além disso, está nos planos o desenvolvimento de uma área dedicada às atividades desportivas e de lazer, que incluirá a construção de um slide, um campo de futebol, sauna, espaço para ioga e ginástica, baloiço, entre outras valências.
As diárias começam nos 190€ na época baixa e nos 270€ na alta, sendo que a estadia mínima na quinta é de duas noites. As reservas podem ser feitas online.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias da Banduja Reserve.








