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No The Lodge, adormecemos e acordamos a olhar para o Porto

A New in Porto foi conhecer de perto a experiência do novo hotel de Gaia onde o vinho é a estrela principal.
Fotografias do hotel

A paisagem da Ribeira do Porto, das suas casas coloridas, da Sé e da Torre dos Clérigos a espreitar lá do alto e dos barcos ancorados é uma das mais emblemáticas da cidade. Se pensarmos bem, de onde é que podemos ter essa vista? Do outro lado do Rio Douro, claro, em Vila Nova de Gaia.

Por esse motivo — e porque sou fã dessa paisagem portuense —, não podia deixar passar a oportunidade de atravessar o rio e ir conhecer o The Lodge, o novo hotel de Gaia. Apesar de ter estado numa espécie de soft opening desde outubro do ano passado, a pandemia acabou por fazer com que tudo fosse um pouco mais lento e indefinido e, só em maio, é que começaram a apostar em força na abertura do hotel.

Este cinco estrelas está instalado num espaço onde antigamente ficavam as caves de Vinho do Porto da Real Companhia Velha e, por isso, não é de estranhar que o tema central aqui seja precisamente esse, o vinho. No exterior, o edifício é simples e enquadra-se bem na paisagem, recordando efetivamente as fábricas e caves de outros tempos, agora numa versão acobreada que nos remete para a terra das vinhas ou a madeira das pipas. No interior, a sensação mantém-se.

Entrar no The Lodge é ser abraçado por um misto de sensações. Por um lado, temos o luxo de entrar num espaço requintado como se exige a um cinco estrelas. Ao mesmo tempo, os tons escuros que combinam os castanhos, os cobres, os terras, dourados e até azuis marinho levam-nos para o Douro e para uma sensação de conforto e de estar em casa. Um luxo reconfortante em vez de imponente.

Os materiais e os designs também ajudam nesta tarefa. Há grandes cestos que lembram aqueles que são usados para as vindimas, há até uma escadaria em caracol onde foi usado um grande e antigo balseiro, mesas feitas de troncos de árvores, sofás, mesas e cadeiras com linhas arredondadas feitos a pensar exclusivamente neste projeto. Os materiais transmitem não só beleza ao olhar mas vontade de tocar — como os varões iluminados que estão nos elevadores ou nos roupeiros e que, ao toque, fazem lembrar troncos de videira. Tudo isto é um projeto da designer Nini Andrade Silva.

Nas comodidades do hotel podemos encontrar ainda salas de conferências com capacidade para até 200 pessoas e cujos nomes estão associados a anos vintage de referência. Pelas paredes, há fotografias antigas, a preto e branco, recuperadas do acervo da Fotografia Beleza.

De regresso à experiência, subi ao quarto. Como seria de esperar, as expectativas não defraudaram. Entre os 119 que tem o hotel, calhou-me uma opção com vista para o Douro, o que já por si é um bom presságio. Aqui, são os detalhes que fazem toda a diferença e vamos encontrá-los nos tons quentes que se mantêm nos quartos como no resto do hotel, mas também no jogo de pedra e espelhos que há entre a casa de banho e o roupeiro e que fazem a área parecer maior. À primeira vista, não há televisão, está escondida num espelho em frente à cama e só fica visível quando se acende.

Junto à janela há um cadeirão onde dá vontade de ficar a ler um livro ou simplesmente contemplar a vista sobre o Douro enquanto se ouve música. Aí mesmo há uma pequena mesa onde não faltam águas com e sem gás, um prato com frutas, doces e o meu nome escrito a chocolate. Ah, e uma garrafa de Vinho do Porto, claro, um item imprescindível por cá.

O ambiente é acolhedor e convida a relaxar. Não é um quarto extremamente espaçoso mas tem o tamanho ideal para quem procura conforto e requinte mesmo numa estadia citadina e onde, provavelmente, passará grande parte do tempo fora do hotel a conhecer a cidade. Não nos esqueçamos que grande parte desse conforto é trazido pelas marcas portuguesas, escolhidas tanto para o colchão como para os lençóis, atoalhados, cutelarias, louças, ou louças de casa de banho. Só os amenities ficam de fora, a cargo da L’Occitane.

Está na hora de deixar o quarto e ir conhecer o resto do hotel. As restantes suítes não desiludem, claro, mas são as duas Signature Suites que arrebatam qualquer coração. Os espaços são quase como duas pequenas casas dentro do hotel. Têm dois quartos divididos por dois pisos, um mini ginásio, sala de estar, sala de televisão e até uma pequena cozinha. Ainda assim, o que realmente conquista é a oportunidade de olhar o rio ainda deitado na cama, com uma janela panorâmica que ocupa os dois pisos.

Na passagem há ainda tempo para espreitar a piscina e o ginásio do hotel, que convidam a momentos de desconexão, mas há outro objetivo já em mente. Sim, vir ao The Lodge e não fazer uma paragem no bar ou no restaurante é quase imperdoável. Isto é válido tanto para os hóspedes como para qualquer cliente, porque estes dois espaços estão abertos a qualquer pessoa.

No The Lodge Bar, que nos transporta a um qualquer filme de James Bond, vamos encontrar uma grande variedade de cocktails, desde os mais clássicos aos envelhecidos, uma especialidade preparada no próprio hotel e que utiliza para a sua confecção barricas como acontece com o Vinho do Porto. Dizem os entendidos que este estágio suaviza os cocktails como os clássicos negroni ou Manhattan e, por causa desse envelhecimento contínuo, é provável que experimente diferentes sabores do mesmo cocktail a cada visita que faça.

Centrando-me na minha experiência, posso dizer que fiquei fã do Spicy Passion Porto, um cocktail que junta Vinho do Porto branco, spiced rum, puré de maracujá, hortelã, clara de ovo e açúcar de cana. Tudo acompanhado por frutos secos e snacks de folha de arroz aromatizados com especiarias.

O jantar foi, claro, no D. Maria, o restaurante que recebe este nome em homenagem à infanta portuguesa, a quem se atribui a autoria do primeiro livro de cozinha nacional. Aqui, além da sala principal, há duas salas para eventos privados, a Sala dos Vinte e a Sala dos Trinta, com capacidade para esse número de pessoas.

A vista do restaurante, onde também são servidos os pequenos almoços do hotel, dá para o Rio Douro e o Porto, claro, o que é uma ótima companhia para qualquer refeição. Ao mesmo tempo, casa bem com o conceito descontraído do restaurante, que não quer ser um fine dining mas sim um local onde pode provar a comida típica portuguesa com um toque um pouco mais sofisticado.

Neste misto entre tradição e modernidade, comecei por provar uma seleção de azeite e pães, seguida de entradas como peixinhos da horta ou croquetes de leitão, acompanhados com as respetivas saladas e maioneses especiais. O prato principal foi uma vitela estufada com arroz de enchidos de Trás-os-Montes, o que pode dizer-se que traz realmente uma sensação de conforto e de estar a provar algo muito português.

Não podia vir embora sem provar as sobremesas, que vieram numa tábua variada que tinha opções tão atrativas como barriga de freira, torta de laranja, pudim de côco ou bolo de chocolate. Tudo isto acompanhado por vinhos portugueses da carta — que conta com cerca de 300 referências de todo o País — e finalizado com o indispensável Vinho do Porto.

Depois de tudo isto só poderia ter regressado bem ao quarto, para encontrar a cama já aberta e preparada para descansar, acompanhada por uma pequena caixa de bombons que convida a desfrutar do momento. A manhã seguinte acordou enevoada, como é típico do Porto, mas nem isso foi capaz de tornar menos boa a experiência de passar uma noite no The Lodge.

Carregue na galeria para ficar a conhecer melhor os espaços do hotel.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua de Serpa Pinto, 60

    4400-307 Vila Nova de Gaia - Portugal
ESTILO
hotel
PREÇO MÉDIO
entre 151€ e 250€
AMBIENTE
urbano

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