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Turismos Rurais e Hotéis

O alojamento entre 50 hectares de vinhas construído pelo mestre português do Alvarinho

O projeto familiar junta Anselmo, Tiago e Fernanda Mendes. Além de pernoitar, é possível realizar experiências de enoturismo.

Desde muito cedo, que Tiago Mendes se recorda de acompanhar o pai, Anselmo, no trabalho nas vinhas. Natural de Monção, o pai começou a trabalhar como enólogo-consultor e, sempre que podia, levava a família para o campo. “Inicialmente, o meu pai não tinha uma propriedade para produzir o vinho e começou o projeto dele, naturalmente, como enólogo, com foco na região dos vinhos verdes”, começa por contar à NiT.

Em 1998, Anselmo, hoje com 63 anos, fundou a própria empresa e, mais tarde, teve a oportunidade de começar a explorar a Quinta da Torre, uma propriedade já conhecida em Melgaço. “Era uma quinta que estava meio abandonada e pertencia a uma família que tinha diferentes propriedades por Portugal”, explica Tiago, de 31 anos, hoje responsável pela gestão da Quinta da Torre. 

Na altura, Anselmo, hoje conhecido como o mestre português do Alvarinho, já tinha vontade de começar a produzir os próprios vinhos e viu ali uma oportunidade. “O meu pai sempre teve uma filosofia um pouco diferente dos produtores do resto da região, na medida em que ele sempre quis encontrar um lugar que fosse o terroir de eleição para os nossos vinhos”, refere Tiago.

Ao longo dos anos, porém, o contrato de arrendamento evoluiu e, em 2016, Anselmo adquiriu a propriedade por completo. Hoje, a Quinta da Torre tem cerca de 50 hectares de vinhas Alvarinho e uma das novidades, lançada no último ano, é um alojamento onde os hóspedes podem conhecer de perto a história da família e a produção de vinho.

As obras para tornar a quinta no que é hoje começaram no seu ano de compra e demoraram cerca de seis anos. Além do pai e filho, o projeto é também liderado por Fernanda, de 65 anos, mãe de Tiago. Juntos, recuperaram algumas construções em ruínas, como uma casa senhorial do século XIV, uma adega medieval, onde elaboram “uma pequena parte” vinhos e uma capela.

Quando tudo ficou completo, começaram a receber clientes, sommeliers e visitantes para provar os vinhos e conhecer a propriedade. E quase todos tinham o mesmo interesse: pernoitar na quinta. “Recebemos muitos visitantes nacionais, mas também internacionais. Muitas vezes, solicitavam-nos um sítio para dormir e começámos a pensar que podíamos criar um alojamento na quinta”, refere. 

A família por detrás da Quinta da Torre.

O alojamento foi todo construído de raiz e é composto por cinco quartos. Ao longo da estadia, os hóspedes têm acesso a toda a propriedade e podem agendar provas de vinho, acompanhar a produção, conhecer as vinhas ou agendar um piquenique ao ar livre.

“Somos um pouco novos nisto porque o nosso ofício sempre foi a produção e a comercialização dos vinhos, mas tem corrido bem e Melgaço tem tido cada vez mais turismo”. 

Todos os quartos do alojamento da Quinta da Torre contam com terraço, onde os hóspedes podem relaxar ao mesmo tempo que “bebem um copo de vinho, acompanhado de tábuas de queijos e de enchidos”, conta. Pela quinta, há uma loja e wine bar e uma sala de provas.

“Quando chegam, as pessoas dirigem-se inicialmente à loja, que é a parte moderna e que foi construída de raiz”, explica. Depois, passam pelos espigueiros, que são estruturas de pedra onde se costumava secar o milho”. 

O próximo passo é fazer uma visita pela casa, pela adega medieval e antes de passar pelos centros de experiências e as salas da prova, conseguem ver uma parte das vinhas. “Há uma combinação entre o antigo que foi renovado e o moderno que foi construído de raiz.”

Para a construção da parte moderna, a família apostou na rocha de granito para a criação dos quartos e das salas de provas. “É a pedra característica da região, mas quisemos dar ali um toque contemporâneo e, ao mesmo tempo, de conforto”, explica.

Ao longo da estadia, aconselha os hóspedes a conhecer parte dos 50 hectares de vinha espalhados pelo terreno. O gestor refere que a propriedade é a “maior quinta de Monção e Melgaço e também a maior extensão de vinha Alvarinho de Portugal.”

Ali, trabalham diferentes estilos de Alvarinho e têm marcas como o Parcela Única, o Curtimenta, o Torre, entre outras. “Todos esses vinhos nascem de diferentes terroirs dentro destes 50 hectares. Controlamos o processo todo, desde a plantação da vinha, à produção da uva, até à vinificação e depois o engarrafamento e comercialização.”

As estadias no alojamento da Quinta da Torre variam entre os 129€ e 229€, com um mínimo de duas noites. No caso das provas de vinhos, há opções desde 20€ por pessoa, para uma experiência de uma hora. Podem andar pelas vinhas gratuitamente.

Além disso, há diferentes experiências, como almoço vínico (50€), piquenique nos jardins (60€) e a clássica experiência de vindima (100€), que fizeram pela primeira vez em 2025. As reservas podem ser feitas diretamente no site do projeto. 

Leia também o artigo da NiT para recordar algumas das mais recentes experiências do enoturismo.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias da Quinta da Torre.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Avenida Central de Moreira, 717
    4950-600 Melgaço
ESTILO
turismo rural
PREÇO MÉDIO
entre 151€ e 250€
AMBIENTE
rural

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