Turismos Rurais e Hotéis

O alojamento que nasceu de uma ruína num dos lugares mais intocados dos Açores

A Casa do Cinzeiro é o quarto projeto de uma família açoriana que pretende dinamizar “a zona mais selvagem” de São Miguel.
Foto: Beatrice Gatti.

Na imensidão do azul do oceano Atlântico, há um arquipélago repleto de belezas naturais e (quase) inexploradas: os Açores. As ilhas são cada vez mais procuradas, tanto por turistas nacionais como estrangeiros. O conjunto de nove territórios acumula distinções, competindo até com outros destinos insulares como Santorini (na Grécia) ou mesmo Bali (na Indonésia) mas ainda tem alguns segredos praticamente intocados.

É o caso da Pedreira do Nordeste, um dos “locais mais selvagens” de São Miguel, que até há bem pouco tempo era conhecido como a décima ilha dos Açores. Por estar tão longe dos meios mais desenvolvidos (e a centenas de metros de altitude), chegou a ser apelidada “África micaelense”.

Se antes era preciso uma fazer uma longa e penosa caminhada para lá chegar, hoje o acesso é muito mais fácil, graças à construção de novas estradas. É aqui também que se localiza o Pico da Vara, o ponto mais alto da ilha, a cerca de 1.100 metros de altitude.

Com cerca de quatro mil habitantes, a Pedreira do Nordeste é uma zona muito rural, com “vistas espetaculares”, mas com uma oferta turística — ou, pelo menos, assim era até ali chegar Pedro Mota. Nascido e criado em Ponta Delgada, o funcionário público estava habituado à vida citadina. Entretanto, conheceu Nália, que cresceu naquela região remota.

“A minha mulher sempre gostou muito dest zona e também eu comecei a adorar. O meu sogro tinha lá uma casa e, por vezes, íamos para lá passar férias ou fins de semana”, começa por contar à NiT Pedro Mota, de 47 anos. Há cerca de uma década, em 2013, começou a perceber que se tornara num lugar com “um significado especial”.

“Percebi que não havia muita oferta, naquela altura, para o segmento de turismo. Havia muitos hotéis na cidade e era para lá que todos iam”, sublinha. Quando começou a mostrar interesse em abrir alojamentos locais na área, muitos o consideraram louco. “Ninguém quer vir para o Nordeste”, diziam — mas não desistiu.

“Acreditava que existia um nicho para este tipo de turismo, então comprei cinco ruínas de casas de pedra centenárias, tudo na mesma rua. Muitas pessoas que viviam no Nordeste emigraram para os EUA ou para o Canadá no século passado e deixaram as moradias para trás”, recorda. Aos poucos, recuperando cada uma delas. Começou com a Casa do Simão, recuperada durante o ano de 2015, e seguiram-se outras duas: a Casa Vista da Marquesa e a Casa do Castanheiro, que abriram com cerca de dois anos de intervalo.

“São todas casas em pedra que estavam abandonadas e devolutas e reconstruí com a traça original, mas com as comodidades atuais. Algumas têm piscinas e a minha mulher tratou de toda a parte do design com muita atenção aos pormenores”, afirma. Apesar de estar numa zona mais afastada e menos turística, confessa que tem recebido muitos clientes da América do Norte que comparam a região com o Havai.

A mais recente é a Casa do Cinzeiro, a quarta das ruínas a ser recuperada. As obras arrancaram em 2022 e o objetivo foi o mesmo dos três projetos anteriores: manter as características originais da casa, mas dar-lhe um ar mais moderno.

Um ano depois, em dezembro de 2023, as obras de reabilitação foram concluídas e a nova casa prepara-se para receber hóspedes já no próximo mês. Com uma arquitetura tradicional, o alojamento, com 140 metros quadrados, tem capacidade para receber quatro hóspedes no total.

No interior, “todo em madeira”, encontra-se uma suite com casa de banho privada, um quarto, uma sala “muito acolhedora” com uma salamandra grande, cozinha e uma área de escritórios, já que recebem muitos clientes que vão para lá trabalhar. Um dos destaques é o “janelão” na parte da frente da casa que permite uma vista incrível para a paisagem envolvente.

O abastecimento energético é assegurado recorrendo a alternativas renováveis, com dois tipos de painéis: fotovoltaicos e solares térmicos, que minimizam a pegada ecológica do empreendimento turístico.

A inovação estende-se aos serviços disponibilizados pelo alojamento, onde se destacam a piscina aquecida, com uma zona de massagens na água e uma pequena cascata. A piscina foi instalada num deck sobrelevado, pelo que tem uma vista incrível para a serra e para o mar. A área exterior dispõe ainda de uma área privada de churrasco, bem como uma zona de esplanada.

A Casa do Cinzeiro vai começar a receber hóspedes em março, mas as reservas já podem ser feitas através do site. Os preços da estadia começam nos 250€ por noite.

Carregue na galeria para ver mais imagens do novo alojamento na ilha de São Miguel, nos Açores.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Tv. do cinzeiro
    9630-188 São Miguel
ESTILO
alojamento local
PREÇO MÉDIO
Mais de 200€
AMBIENTE
serra

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