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O novo boutique hotel a 30 minutos do Porto que nasceu graças a um sonho de menina

O Solar de Vila Meã foi criado numa antiga quinta de Silveiros, em Barcelos. Começou a receber hóspedes em novembro.
Abriu em novembro.

Carla Rolanda começou a imaginar o que se escondia por trás dos muros de um solar em Silveiros, no concelho de Barcelos, quando era miúda. A propriedade avistava-se da Estrada Nacional 204 e, sempre que a via a partir do banco de trás do carro dos pais, ficava maravilhada. A beleza do edifício “suscitava o encanto e a curiosidade de todos os que por ali passavam”. 

O sonho despertou outro tipo de interesse, que foi crescendo à medida que o estado de abandono e a decadência progressiva da quinta se tornavam cada vez mais evidentes. Queria ressuscitá-la, voltar a dar-lhe uma nova vida para que todos os que, como ela, se haviam apaixonado pela propriedade sem nunca lá terem entrado.

Apesar do estado de degradação, “a sua presença emblemática e o meu encantamento mantinham-se”, começa por contar à NiT. E, por “coincidências do destino”, o pai de Carla, José Joaquim Gonçalves, acabaria comprar a quinta. 

A história da propriedade remonta ao final do século XIX, quando o advogado José de Abreu do Couto de Amorim Novaes adquiriu a propriedade e mandou reconstruir e ampliar a casa aí existente, transformando-a no Solar de Vila Meã. “Na sequência de questões políticas relacionadas com o regicídio, foi expatriado e acabou por adoecer, falecendo pouco mais tarde”, explica.

A responsabilidade de terminar a obra acabou por recair sobre a mulher, Capitolina Pinto da Fonseca Novaes. Ela e os quatro filhos do casal deram uma nova vida à quinta, onde cultivavam pomares e vinha. A família, que vivia no Porto, passava ali longas temporadas com amigos e outras figuras reconhecidas da época. Contudo, nas últimas décadas do século XX, o abandono tomou conta da Vila Meã e a última herdeira, Maria Teresa Lemos de Abreu Novaes, decidiu vendê-la em 2012 ao pai de Carla Rolanda.

“Atualmente seria redutor e pouco sustentável manter a quinta como o retiro de férias familiar que foi no passado”, admite a coproprietária. A opção mais viável seria transformá-la num hotel “para o devolver à comunidade ao mais alto nível, onde fossem retomadas as festas, as tertúlias e os bons momentos que imaginei nos seus tempos áureos”. 

Logo após terem adquirido a propriedade com cerca de 40 hectares, deram início ao processo de reabilitação progressiva, “um enorme investimento económico e emocional” da família. O primeiro passo foi a limpeza dos terrenos, a terraplanagem e a plantação da vinha frontal — que agora se estendem por mais de 20 hectares em torno do hotel. 

Só depois avançaram com as obras de recuperação da antiga adega, cujo edifício estava parcialmente destruído. Seguiu-se a reabilitação do solar, uma tarefa que se revelou bastante desafiante para o arquiteto Fernando Jorge Dias, uma vez que o objetivo era preservar ao máximo a estrutura original e instalar, ao mesmo tempo, todas as comodidades modernas.

“A principal mudança foi o acréscimo do conforto contemporâneo aos espaços. Apesar de dificultar alguns aspetos da logística hoteleira, optámos pela preservação estrutural dos edifícios existentes, mantendo a identidade visual que os definem e a imagem mítica a partir da Estrada Nacional”, refere. 

Posteriormente, arrancou a obra de transformação dos edifícios dos sequeiros e da casa do caseiro, naquilo que é atualmente o hotel. Toda a área envolvente natural, como os jardins de buxo talhado com o roseiral, o pomar, a vinha e a mata, foi replantada e cuidada.

Após cerca de 10 anos, a unidade hoteleira começou a receber hóspedes a 27 de novembro. Com uma localização privilegiada, a cerca de 30 minutos do Porto, o empreendimento dispõe de 29 quartos, divididos pelos dois edifícios, de diferentes tipologias.

Quanto à decoração e ao design dos espaços interiores, que ficou a cargo do Atelier Joana Aranha, a coproprietária adianta que foi feita uma “reinterpretação modernizada da casa clássica senhorial”. Atualmente, a propriedade apresenta um estilo eclético contemporâneo, que homenageia “as artes e ofícios da região”, com destaque para a utilização do barro e do tons terracota.

O Solar de Vila Meã conta ainda com diversos espaços e comodidades, “para que os hóspedes possam desfrutar da melhor estadia possível”. Entre as áreas comuns destacam-se as piscinas interior e exterior, bem como um “spa boutique”, com salas de massagens e um jacuzzi.

A unidade hoteleira dispõe também de um ginásio, um lounge bar e um honesty bar, uma capela e um restaurante. A antiga adega, por sua vez, transformou-se num espaço para eventos, a que se anexou um pequeno auditório.

O valor médio por noite, para duas pessoas e com pequeno-almoço incluído, rondam os 160€ e os 400€, dependendo da tipologia dos quartos. As reservas podem ser feitas online.

Carregue na galeria para ficar a conhecer melhor o Solar de Vila Meã, o novo hotel de Barcelos. 

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua Principal, 101, Silveiros
    4775-237  Barcelos
ESTILO
hotel
PREÇO MÉDIO
Entre 100€ e 200€
AMBIENTE
rural

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