Turismos Rurais e Hotéis

O novo (e autêntico) turismo rural do Alentejo ocupa metade de uma aldeia

Foram 15 as casas de São Brás do Regedouro que se transformaram para acolher visitantes à procura de experiências autênticas.
No verão, é aqui que vai querer estar

São Brás do Regedouro. O nome será pouco familiar para a quase total maioria dos portugueses. É uma pequena aldeia alentejana que durante centenas de anos serviu de poiso numa encruzilhada de vários caminhos. Hoje, deixada ao abandono, está prestes a receber mais gente do que nunca.

A chamada para conhecer a pequena aldeia a 20 quilómetros de Évora encontrou Vítor Aguda de regresso do Algarve, rumo a casa, em Cascais. Fez o desvio, percorreu o caminho e maravilhou-se.

Hoje, São Brás do Regedouro é a sua casa, a dele e a dos seus três filhos, todos envolvidos no projeto de turismo de aldeia que arrancou a 8 de julho. O empresário e promotor de empreendimentos viu na aldeia alentejana potencial para servir não apenas de refúgio rural, mas potenciar troca de experiências entre visitantes e poucas dezenas de habitantes que resistiram ao êxodo.

“Quando comecei este negócio, visitei aldeias lindíssimas, mas que eram insucessos porque não tinham habitantes, não tinha vida”, conta. Não é o caso desta aldeia, cujos habitantes organizam regularmente jogos tradicionais, bailes e festas.

“Apesar de uma aldeia de passagem, tem algo extremamente importante: proporciona um turismo de experiências, experiências com pessoas da aldeia”, frisa.

O avanço do projeto dependia disso. Foi condição imposta pela autarquia, que avisou que não vingaria se os próprios locais não “agarrassem o projeto”. “Não basta ter casas bonitas, é a envolvência que conta.”

Essa ambição foi também a maior vítima da pandemia. O turismo de aldeia deveria ter arrancado em 2020, foi adiado e, apesar de já estar a receber hóspedes, a Covid-19 impede ainda que muitas das experiências sejam vividas.

Uma das casas tem uma rocha no meio da sala

A cargo de Vítor Aguda ficaram 15 casas, algumas “com 400 anos de história”, divididas por três zonas da aldeia, da igreja à margem do pequeno ribeiro que ali corre. E apesar do calor abrasador de verão chegar perto dos 40ºC, as paredes de pedra garantem um isolamento térmico — isto apesar de todas estarem equipadas com ar condicionado.

A traça foi preservada ao máximo, as paredes irregulares, os nichos, os buracos das trancas e as chaminés deram lugar a duches. No entanto, toda a decoração adotou uma linha contemporânea, minimalista e confortável. Numa das casas, na sala desponta uma enorme rocha com mais de um metro de altura.

Destaque para as paredes propositadamente vazias, ocasionalmente decoradas com esculturas. “Têm a rusticidade das casas antigas, mas não é a casa tipicamente alentejana, até porque essas casas eram extremamente pobres”, nota.

As áreas das 15 casas variam entre os 35 e os 80 metros quadrados, em tipologias T0, T1 e T2. Ao todo, a aldeia suporta mais 45 hóspedes, que se vão juntar aos mais de 70 habitantes fixos da aldeia.

Existe ainda uma zona de receção, uma piscina — que Vítor equipara a um tanque mais tradicional —, esplanada, zona de massagens e um centro interpretativo da história da aldeia. Previsto mas ainda por inaugurar está o restaurante, que irá “servir de ponto de encontro onde as pessoas possam conviver umas com as outras”.

Será dali que também virão as refeições que os hóspedes podem encomendar através de uma app criada para ser usada pelos visitantes. Além de permitir encomendar todo o room service, indica todos os pontos de interesse da aldeia e da região.

Quando tudo estiver em pleno funcionamento e a pandemia — e o calor abrasador do verão — permitir, São Brás do Regedouro ajudará a levar os hóspedes em experiências que, explica Vítor, devem ser vividas “durante uma semana” e não apenas com a visita fugaz de fim de semana.

Isso tem um custo. Os preços da estadia variam entre os 95€, preço dos estúdios na época baixa, aos 200€ dos T2 mais espaçosos em época alta.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    São Brás do Regedouro, 7000-092, Évora Portugal
ESTILO
turismo de aldeia
PREÇO MÉDIO
Entre 100€ e 200€
AMBIENTE
rural

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