Turismos Rurais e Hotéis

O novo hotel de Melides fica entre arrozais e tem casas de madeira só para adultos

O projeto foi todo pensado por uma família francesa. À NiT, partilham que o objetivo é "preservar a zona" e "criar conexões."

Quando fez 30 anos, Karine Sence começou a pensar na ideia de ter um hotel. Nessa altura, a francesa, que passou a vida inteira a trabalhar em marketing e software digital para organizações sem fins lucrativos, começou a achar atrativa a ideia de ter um local onde pudesse receber pessoas, ao mesmo tempo que combinava uma série de competências diferentes.

“Estava a trabalhar com várias organizações e tinha alguns centros de curso. Mas decidi vender as minhas empresas para começar a procurar um lugar para construir um hotel”, começa por contar à NiT Karine, hoje com 57 anos. A ideia era criar um espaço num local paradisíaco, como o Algarve ou a Costa Azul, em França, mas sem grandes multidões. Numa viagem a Lisboa para se encontrar com uma amiga, passou pela Comporta, uma região que é “bastante falada nos jornais franceses.” Chegou também a explorar outros países, como a Grécia.

No entanto, só quando conheceu Melides, numa segunda viagem, é que decidiu que era ali que queria criar o seu projeto de sonho. Há cinco anos, comprou um terreno com quase quatro hectares e apenas um edifício de apoio agrícola. Agora, o projeto ganhou forma.

A 1 de junho, a Quinta Amala vai finalmente abrir as portas como o novo refúgio de luxo de Melides. Além de Karine, o projeto conta com o apoio do seu companheiro, o neerlandês Jan Evers, de 62 anos, e a filha, Sascha Caby, de 29, e com experiência em hospitalidade. 

O objetivo era abrir o espaço já esta sexta-feira, 1 de maio, mas Karine explica que ainda estão a resolver alguns problemas de eletricidade na região. Estão agora a preparar um gerador para alimentar o boutique hotel.

É um paraíso.

Embora o terreno tenha sido comprado há cinco anos, as obras só arrancaram em 2023. Pelo caminho, teve de esperar pela licença para construir e enfrentar outros problemas com empresas de construção que ou não tinham pessoal para trabalhar, ou que acabavam por ter outras limitações. 

“Perdemos quase dois anos com esses problemas e só começamos a obra há três anos”, refere. Desde o início, o objetivo da francesa era “construir algo com história” e que, ao mesmo tempo, preservasse a zona onde estivesse inserido.

“Hoje, as pessoas percebem o erro que fizeram em regiões como o Algarve, Tróia ou na Costa Azul, em França”, aponta. “Aqui, em Melides, penso que isso não vai acontecer e vai ser possível manter a região preservada.”

Esta preocupação foi transportada pela forma como o boutique hotel foi construído. No total, conta com 14 quartos, todos construídos em cabanas de madeira. Há ainda uma villa privada, que pode ser alugada por grupos de até 14 pessoas. 

As cabanas de madeira são destinadas apenas a adultos, por um motivo simples: Karine explica que não há espaço para colocar outra cama para receber miúdos. Além disso, como as construções são individuais, também não é possível conectar dois quartos. Na villa, porém, os mais novos são bem-vindos. 

Para a decoração, também procurou apostar em artesãos locais, especializados em produtos feitos em cerâmica, macramé, entre outros. Quanto às cores, passam por tons inspirados na região: branco, azul, verde, bege, entre outros. 

O exterior é também um dos pontos altos — todo o terreno é rodeado por arrozais. Além de caminhadas, os hóspedes têm acesso a duas piscinas (uma delas aquecida), uma sauna com vista para a vegetação e com um duche sensorial, uma zona de cold plunge, uma área para jogarem petanca e bicicletas elétricas.

“É um projeto familiar e queremos falar com todos os hóspedes. A Quinta Amala é um hotel, mas vai funcionar quase como um bed and breakfast porque queremos criar essas conexões”, frisa Karine. “Também sou instrutora de ioga e pretendo organizar aulas.”

O restaurante do hotel, comandado pelo chef brasileiro Zito Lara, também vai apostar na gastronomia portuguesa, sobretudo na alentejana (mas há também um forno para fazer pizzas). O espaço pretende apostar em ingredientes e propostas orgânicas. Além disso, os vinhos disponíveis também serão “70 por cento portugueses”.

“Temos também um terraço onde conseguimos ver toda a plantação de arrozais e o oceano. É muito bonito”, sublinha. “Se os hóspedes quiserem, podem também marcar massagens, passeios pela região ou contratar um chef privado. Nós ajudamos com tudo isso.”

Embora só abra oficialmente a 1 de junho, as reservas para a Quinta Amala já estão disponíveis. As diárias começam nos 306€ e podem ser feitas diretamente no site do projeto. O boutique hotel é também pet friendly e oferece taças de água e comida, uma cala e petiscos caseiros.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias da Quinta Amala. 

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