Turismos Rurais e Hotéis

O novo hotel sustentável do Porto nasceu entre as ruínas de um convento

A fachada que serviu de inspiração a Camilo Castelo Branco virou um projeto do Neya Hotels — o novo quatro estrelas da cidade.
As suites duplex são assim.

Foi das janelas do velho Convento de Monchique, nas margens portuenses do Douro, que Teresa de Albuquerque acenou pela última vez a Simão Botelho, naquela que é uma das mais trágicas histórias de amor da literatura portuguesa. A cena foi imortalizada em “Amor de Perdição” de Camilo Castelo Branco, que roubou inspiração ao marco portuense que, à época, já havia sido condenado ao encerramento. Mais de 150 anos depois, as fachadas do convento reerguem-se para acolher o novo hotel da cidade.

O mais recente projeto da Neya Hotels é um quatro estrelas oportunamente empoleirado nas águas do Douro, às portas do emblemático do bairro de Miragaia. Oficialmente aberto desde 3 de agosto — a abertura em abril foi adiada pela pandemia —, não só mantém como reforça a preocupação com a sustentabilidade lançada com o projeto lisboeta — que em julho se tornou no primeiro e único hotel português a receber o prémio internacional de sustentabilidade Energy Globe Award.

O edifício nasce da junção de parte da área pertencente ao convento — do qual se aproveitaram, por exemplo, as zonas da cozinha, onde ainda é possível espreitar os fornos na sala de reuniões — e de um antigo anexo onde moraram várias indústrias. “Por estes edifícios passou a Fábrica Nacional da Moeda, a Fábrica da Indústria, daí também nos termos guiado e orientado para essa rota das indústrias neste projeto”, explica à NiT Sara Freire, diretora comercial do Grupo Neya Hotels. 

Essa inspiração reflete-se particularmente decorações dos quartos, que se adaptam às diferentes marcas e indústrias, da parede decorada com azulejos Viúva Lamego, aos grãos de café e até às cabeceiras de cama criadas em cortiça, sob o nome da Corticeira Amorim.

Tem um total de 124 quartos, sendo que metade tem a honra de beneficiar de vista para o rio. As suites duplex, mais espaçosas e de pé direito impressionante, têm direito à vista através das janelas abobadadas. Cama e casa de banho no piso inferior, sala de estar e secretária no mezanino. No último piso encontram-se as suites com direito a um terraço privativo e espaço para um par de espreguiçadeiras.

As paredes do convento no interior do hotel.

Betão, madeira, metal, granito são os elementos basilares da decoração de linhas simples e requintadas — em consonância com o tema sustentável do grupo. O granito é, aliás, omnipresente, ou não fosse também ele símbolo da história que se ergueu nas paredes do convento.

É para lá da receção, no jardim, que se consegue finalmente ver o esqueleto do pouco do convento que sobreviveu ao passar do século — e que serve de pano de fundo à esplanada. A outra esplanada, a do bar, está precisamente no lado oposto, bem no topo do edifício, onde se tentou recriar o ambiente de clube tipicamente britânico. Padrões axadrezados, longos balcões e torneiras em cobre prontas a encher mais um copo de cerveja. Lá fora, as mesas e cadeiras servem de bancada ao vai e vem que acontece lá baixo, nas águas do Douro.

O balcão do bar.

O Viva Porto, o restaurante do hotel, tenta acomodar quem fica e quem vem de fora, com direito a duas entradas para a sala segmentada que aproveita toda a luz que chega através das janelas panorâmicas. Cozinha portuguesa contemporânea ao almoço e jantar, casa de um “buffet assistido” pelas manhãs para acomodar as contingências da pandemia. Ali, são os funcionários que vão até ao buffet por si. Os quentes, esses são pedidos e servidos diretamente na mesa.

Tudo o que lhe chega ao prato é também moldado pela ideia sustentável do hotel. Todos os produtos são locais e nacionais. Essa é, aliás, outra das regras que foi seguida à risca na construção do Neya Porto. “Toda a construção do hotel foi feita com construtores nacionais e vamos ter uma certificação única ao nível da própria construção”, revela a diretora comercial.

O hotel está equipado com painéis fotovoltaicos que são responsáveis por aquecer 65 por cento da água quente utilizada. As torneiras têm redutores de caudal que evitam desperdícios e os géis e champôs são agora disponibilizados em dispensadores, para evitar a acumulação de resíduos de centenas de frascos de plástico.

O rooftop tem uma vista privilegiada sobre o rio.

A localização, a 100 metros da Alfândega do Porto e a uns 1000 metros planos até à Ribeira, tornam-no perfeito para visitas de lazer e de negócios. E o acesso à marginal convida a longos passeios em qualquer sentido, rumo à ponte D. Luís num passeio até Gaia ou mesmo até à Foz. E se preferir pedalar, há seis bicicletas gratuitas à disposição.

Nesta fase de abertura, o Neya Porto lançou uma promoção cujos preços começam nos 100€ por noite no quarto clássico; e 120€ para os quartos superiores com vista para o rio. No topo da tabela moram as suites duplex cujos preços chegam aos 200€ por noite.

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