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O pequeno-almoço do Hotel Avenida Palace é o melhor do País e nós dizemos-lhe porquê

Num ranking feito por um site britânico, foi considerado o 22.º melhor do mundo. A NiT foi lá e só quer voltar.
Passava ali o resto da vida.

Provavelmente vou ser julgado, mas preciso admitir: nunca tinha tomado o pequeno-almoço num hotel antes de visitar o Avenida Palace. Além disso, e talvez isto já seja mais normal, foi a minha primeira vez a entrar num hotel de cinco estrelas. Dizem que as primeiras vezes nunca são boas, mas aqui essa regra não se aplica.

O site britânico “Mornings.co.uk” partilhou no início do ano um ranking com os melhores pequenos-almoços de hotéis do mundo. A lista foi elaborada recorrendo aos comentários favoráveis no Tripadvisor, e inclui a primeira refeição do dia servida nesta mesma unidade hoteleira de Lisboa, no 22.º lugar. Escusado será dizer que as minhas expectativas estavam no auge.

Foi, muito provavelmente, o pequeno-almoço mais marcante da minha vida — e, sinceramente, o primeiro em vários anos. Preparei-me como qualquer pessoa normal o faria: não jantei na noite anterior e sonhei com os pratos que iria comer de manhã.

Quando cheguei ao Avenida Palace fui recebido por um funcionário que me abriu a porta colocando o outro braço atrás das costas, algo que pensava que só acontecia nos filmes. Acompanhou-me pelos corredores históricos do hotel — com as típicas alcatifas vermelhas — e encaminhou-me ao salão onde tomei o pequeno-almoço.

Se tivesse de descrever o ambiente do palácio em si, certamente que usaria a palavra “histórico”. O alojamento foi construído entre 1890 e 1892, e desde então serve a primeira refeição do dia aos hóspedes. Os traços desta época permanecem em toda a arquitetura deste híbrido entre um hotel e um palácio. Claro que o salão só podia ser de exceção.

A paisagem sobre a avenida era complementada pelo slow de jazz que se fazia ouvir na enorme sala — o que me fazia sentir num filme de Hollywood dos anos 20. Os tons vermelhos e dourados da mobília eram um regalo visual, mas não conseguiam ofuscar a enorme mesa no meio do salão onde estava servido o buffet.

Tem uma arquitetura clássica.

Imagino que arquitetura do hotel não seja o tema mais interessante, por isso vamos passar ao que realmente importa: a refeição.

Quando me sentei fizeram-me aquela pergunta que esperamos em todos os estabelecimentos que servem refeições: “vai querer café?” Minutos depois surge um lindo set de porcelana com café e leite a acompanhar. Sou daquelas pessoas que gosta desta bebida com bastante açúcar, mas uma pitada bastou para aquele que servem no Avenida Palace, visto que o sabor natural era agradável o suficiente para não ter de o disfarçar.

Chegou a altura pela qual esperei semanas (e o meu momento favorito do dia): a hora de comer. Fui até ao centro do amplo salão e fiquei assoberbado pela variedade: pudim de pão, mini pastéis de nata, croissants com pepitas de chocolate, pães de leite, panquecas e vários recheios eram apenas algumas das opções.

Para a primeira ronda optei, então, por pastéis de nata, croissants, pão com doce de morango e panquecas recheadas com compota de mirtilo e arando, uma novidade para mim. A comida mantém-se quente e a mesa é constantemente reposta — isso notou-se no sabor inalterado do que foi servido, como se tivesse acabado de sair da cozinha. Tudo era doce, mas sem grandes exageros. Embora pequenos, os pastéis correspondiam sabor que esperamos, com o prazer acrescentado de se poderem comer com uma única dentada. Porém, o sabor a chocolate dos croissants dificilmente se notava. Já as panquecas leves que complementavam perfeitamente as compotas disponíveis estavam divinais.

Após terminar o primeiro prato, que foi levantado assim que saí da mesa, dirigi-me para o outro lado da banca com o buffet. Ali estavam todos os componentes de um pequeno-almoço mais americano: ovos mexidos que se derretiam na boca, salsichas tenras e tomate quente com queijo gratinado. Numa mistura bastante atípica, juntei-lhes papaia (também outra estreia para as minhas papilas gustativas), manga, laranja e uma salada de frutas. Haviam ainda outros frutos, para todos os gostos.

Não é apenas no centro da sala que encontramos as várias opções do 22.º melhor pequeno-almoço do mundo — e o primeiro do País. Mesmo ao lado é possível escolher vários queijos (optei pelos menos intensos e não fiquei dececionado) e charcutaria, bem como algumas bebidas: sumo de maçã, laranja, detox e tropical. Acabei por experimentar este último, e embora fosse bastante espesso, faltava-lhe um sabor mais intenso. Quem quiser começar o dia em grande, pode beber um copo de champanhe.

Paula Eva Ferreira, a diretora comercial do Hotel Avenida Palace, conta-nos que um dos principais elogios que o serviço de pequeno-almoço recebe, além da comida, são dirigidos aos funcionários. Mostram aquela preocupação necessária à profissão — quando me esqueci de um copo um membro do staff veio logo trazê-lo — sem nos pressionarem demais. 

Antes da pandemia, o hotel servia o pequeno-almoço a todos aqueles que não estivessem ali hospedados, com um custo de 30€. No entanto, a Covid-19 implicou várias restrições, e tal como se verificou em todo o setor do turismo, também esta unidade de cinco estrelas foi afetada. “Tivemos vários meses a zero”, recorda-se. Embora o vírus ainda circule, o medo de ficar num hotel começa a desaparecer, especialmente quando têm o cuidado que o Avenida Palace mostra. “As pessoas sentem-se seguras para vir aqui tomar o pequeno-almoço”, acrescenta. As mesas mantêm a sua distância, mas não estão bizarramente afastadas umas das outras.

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