Turismos Rurais e Hotéis

O Terra Sense é um retiro na tranquilidade do Parque Natural da Serra da Estrela

Pão quente, acabado de fazer, queijos caseiros e quartos modernos com vista. É o novo alojamento perfeito em plena natureza.
A sala comum

Após dez longos anos de espera, Neuza Almeida conseguiu transformar a ideia que acalentava há muito em realidade. Tempo suficiente para fazer desistir a maioria das pessoas, mas não a natural da pequena aldeia de Videmonte, em pleno Parque Natural da Serra da Estrela.

Entre a demora de seis anos do licenciamento, mais um obstáculo imprevisto chamado pandemia, o Terra Sense só se tornou real (e começou a receber hóspedes) em julho. Um retiro de aldeia, entre terrenos agrícolas e as paisagens da serra, onde tudo lhe implora que desligue, pelo menos, por uns dias.

A bancária de 40 anos nasceu na região e foi ali que, em 2012, decidiu que haveria de investir numa quinta, inicialmente para lá fazer nascer um projeto agrícola. Mas foi entre os 10 hectares da Quinta do Veledo que encontrou algo mais: a ideia de reconstruir as pequenas pré-existências e a casa do caseiro para criar um turismo rural de traços modernos — sem perder o carisma rural e tradicional.

“Sempre estive muito ligada à terra, à agricultura, os meus avós eram pastores. Tenho as minhas origens na terra, nos animais”, conta à NiT. E foi precisamente por aí que começou, a plantar castanheiros, um colorido campo de lavanda e muitas, muitas colmeias, perto de 100, onde se produz o mel da casa.

Entre esses trabalhos, surgiu a ideia de recuperar a casa e recomeçar a receber hóspedes. O primeiro passo de um pesadelo burocrático. O processo, por estar inserido no parque natural, teve que saltitar de entidade em entidade. Quando a autorização chegou, veio a pandemia. O que não ficou parado foi o projeto agrícola, que continuou em andamento e dá hoje um valioso apoio à casa.

É de lá que chegam frutas, queijos, mel, tudo o que possa ser aproveitado para preparar pequenos-almoços, lanches e até grandes almoços ou jantares. Se for caseiro, tanto melhor.

“Quase tudo o que usamos no pequeno-almoço é da quinta. Os queijos são produzidos por nós, tanto o de ovelha como o de cabra. O requeijão é feito pela minha mãe na noite anterior para os hóspedes comerem de manhã. As compotas, as infusões…”, explica.

O Terra Sense é um sítio para se reencontrar com a calma. Até porque o edifício principal tem apenas seis quartos, mais dois quartos numa pequena casa secundária que também foi recuperada num projeto assinado pelo arquiteto Diogo Almeida.

Uma recuperação que manteve intocado o xisto e, sobre ele, apoiou um lado mais moderno, numa estrutura de betão que casa essas duas facetas, a moderna e a tradicional. “Queríamos que o que estava la fora viesse cá para dentro. Não queríamos uma casa completamente rústica, uma casa de aldeia, mas também não queríamos algo que fosse totalmente moderno”, explica a proprietária.

Dentro dessa visão, o projeto de interiores da autoria da Artspazios optou por objetos e soluções de linhas mais simples, que conjugou com materiais, cores e texturas rústicas. Na sala comum, por exemplo, manteve-se a indispensável lareira serrana, sem recorrer a modernos recuperadores. “A magia da lareira da casa dos nossos avós é o lume à vista, os sons, cheiros. São essas as lembranças que tenho da infância.”

Tudo feito dentro dos limites possíveis e permitidos pelas pré-existências e pelas rigorosas regras do parque natural. Também, por isso, alargaram-se os quartos em altura, entre soluções com mezzanines e pés direitos generosos, em espaços sempre mantidos quentes e acolhedores com os tons terrosos da decoração.

Mais do que um sítio para ficar, Neuza Almeida quer que seja um sítio para viver experiências. Percebeu rapidamente que esse era um objetivo que o Terra Sense podia cumprir. “Ficava admirada quando mesmo amigas e colegas que vinham da Covilhã ou de Coimbra e não sabiam como era uma quinta, as cabras, como se tira o leite, como se apanham as batatas. Acho que isso faz falta às pessoas, terem esse contacto com a terra”, nota. “Com o alojamento queria que as pessoas viessem sentir a terra, ver o que podemos fazer aqui. Mostrar-lhes o que fazemos, de onde vem o que comemos.”

É em torno dessa ideia que nascem as muitas experiências que há para fazer pela quinta, de workshops de pão à apanha da lavanda, à colheita do mel ou simples visitas aos animais da quinta — um favorito dos miúdos. Depois tudo vai à prova na mesa comunitária, sobretudo aos jantares, mediante reserva, sendo que aos fins de semana também se fazem almoços “de comida de tacho de ferro”. Conte com arroz de cabidela, rojões, javali, cabrito ou até ao típico arroz de míscaros, agora que é a época deles. As refeições têm um custo extra de 25 euros por pessoa, com bebidas incluídas.

O Terra Sense é também um bom ponto de partida para explorar a Serra da Estrela. Das pequenas casas de aldeia da Quinta da Taberna, a Videmonte, até passeios de jipe que o levam até à Torre. Há também inúmeros trilhos nas redondezas, bem como os passadiços do Mondego.

No verão, o calor da beira já convida a uma visita até à praia fluvial a não mais de 300 metros. Mas caso não faça questão de sair, pode aproveitar o pequeno tanque de água fresca da quinta. Pode fazer tudo, menos ficar agarrado ao telemóvel — e quanto a ecrãs, esqueça, porque nesta quinta não há espaço para televisões. A estadia no Terra Sense começa nos 140€ na época baixa.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Quinta do Veledo
    6300-245 Guarda
ESTILO
turismo rural
PREÇO MÉDIO
entre 151€ e 250€
AMBIENTE
serra

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