Turismos Rurais e Hotéis

Palheta: o empreendimento de luxo que vai ser construído numa herdade no Alentejo

O projeto turístico inclui um hotel de cinco estrelas, villas, casas de campo, centro de bem-estar, adega e um pavilhão de arte.
Será único em Portugal.

A pequena vila de Redondo, no Alentejo, está prestes a entrar no mapa do turismo. Tudo graças ao hotel de luxo que está a nascer na Herdade da Palheta com património datado de 1428 —, entre Évora e Redondo. O projeto turístico, financiado pelo Global Real Estate Fund e gerido pela empresa financeira Arbra Partners, será um “refúgio natural e cultural longe da azáfama da vida urbana”.

Com 300 hectares, o novo empreendimento turístico chamado Palheta terá um investimento de 110 milhões de euros. “É um investimento brutal e ouso dizer que Portugal ainda não tem um projeto desse nível e estava na hora de ter algo assim”, adianta ao “Expresso” Lucas Bitencourt, fundador da Arbra, gestora de ativos que é promotora do projeto no Alentejo.

O complexo turístico dirigido ao segmento de luxo inclui um hotel de cinco estrelas com 60 quartos, 35 villas e 20 casas de campo. A abertura está prevista para 2028.

Além do conjunto de imóveis turísticos para alojamento, as villas e casas de campo, com piscinas privadas e jardins, serão colocadas à venda e terão todas as comodidades do hotel. “Esperam-se que a Palheta atraia hóspedes internacionais, propriedades e a comunidade local”, dia a empresa promotora.

O projeto é assinado pelo arquiteto britânico John Pawson, que já visitou várias vezes a propriedade no Alentejo — e ficou encantado com a paisagem da Palheta, que é “de uma beleza extraordinária”. Será o seu maior projeto em Portugal até à data.

“A nossa colaboração com John Pawson é uma escolha deliberada para criar um marco que eleve a riqueza natural e cultural do Alentejo através da excelência arquitetónica. A Palheta é mais do que um destino, é uma viagem em direção a uma forma de vida mais lenta e ponderada”, explicou Bitencourt.

O executivo compara ainda este complexo com projetos como o Château La Coste, na Provença, em França, ou  o hotel no Castelo de Reshio, na Toscana, em Itália. “É o mais aproximado do que queremos fazer em Portugal. O Alentejo tem potencial para ser como Provença ou Toscana, mas ainda não é”, diz.

Além das unidades, o empreendimento contará com um clube de vinhos numa adega centenária, um anfiteatro ao ar livre, um pavilhão de arte, estúdios e residências de artistas. “Estes foram concebidos para promover uma comunidade criativa, proporcionando um espaço para os artistas permanecerem, trabalharem e exporem as suas criações promovendo uma curadoria sazonal de exibições e eventos”, explicam.

O centro de saúde, bem-estar e spa, o centro desportivo, com piscinas interiores e exteriores, bem como os campos de ténis, campos de jogos, estúdios e áreas privadas de fitness são outros dos destaques do complexo que vai ser construído na zona do Redondo. Além disso, o espaço contará ainda com uma quinta biológica, um parque infantil rural, um restaurante com conceito farm to table, um centro equestre e espaços dedicados ao artesanato e à produção agrícola.

As obras deverão arrancar em 2025, após intervenções a nível de demolições que deverão ter início no final deste ano. O projeto turístico vai nascer na propriedade “onde há muito tempo o grupo insolvente Vila Sol estava a desenvolver um megaempreendimento, mas o edifício entretanto ficou ao abandono”. O Vila Sol Évora tinha abertura prevista para 2009, com um hotel com 73 quartos e campo de golfe, mas nunca chegou a ficar concluído, devido à insolvência da EuroAtlântica III, Empreendimentos Urbanísticos, que era a promotora do complexo. 

Agora, os novos promotores, que têm “uma visão diferente e mais sustentável”, pretendem “pegar no sobredimensionado projeto que existia numa perspetiva de transformação, recuperando o que for possível”. 

As demolições serão inevitáveis, uma vez que no anterior projeto já existiam centenas de casas em construção que os responsáveis consideram ser “totalmente desproporcional para criar um conceito topo de gama que vai elevar o destino”. O campo de golfe que estava previsto no projeto anterior também ficará de fora por “não fazer sentido no Alentejo”. “A Palheta é um projeto de alma alentejana e este não será o nosso único projeto em Portugal, pois o País ainda tem muito a oferecer”, adianta o investidor.

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