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A quinta estava na família desde 1653. Foi renovada e agora é um refúgio para todos

CasaNova Farmhouse é o novo agroturismo nos arredores de Braga. Nasceu da vontade do casal Ana e Paulo renovar o espaço, que estava ao abandono.

Quando Ana Cortez conheceu a quinta da família de Paulo Coelho, ficou encantada com o terreno. Na altura, em meados de 2008, a propriedade já estava abandonada há sete anos e ninguém sabia o que fazer ali. Só uma década depois, é que tudo começou a mudar.

“A casa estava muito estragada porque era de vários irmãos e ninguém sabia muito bem o que fazer”, começa por contar à NiT a arquiteta de 46 anos. “Tive pena de ver a casa naquele estado e tentei perceber em que modelo de negócio poderíamos apostar para não deixar aquilo morrer.”

Depois de falarem com a família de Paulo, engenheiro civil de 51 anos, decidiram apresentar uma proposta para comprar a parte dos restantes irmãos e dar início a um projeto para reabilitar o terreno. Em 2017, com a compra finalizada, arrancaram com os trabalhos.

A 10 de julho, a CasaNova Farmhouse, situada em Parada de Tibães, Braga, começou finalmente a receber hóspedes. O novo espaço, gerido pela Amazing Evolution, conta com 19 unidades de alojamento — 14 quartos, quatro apartamentos T2 e um T1.

“A casa está na família do Paulo desde 1653, pelo menos”, explica Ana, acrescentando que a descoberta foi feita graças a uma árvore genealógica que ofereceu ao marido no seu 40.º aniversário. “A última pessoa que lá viveu foi a tia Aninhas, até 2001. Já nesta altura, a casa não estava em condições porque o telhado estava estragado.”

As quase duas décadas de abandono também não ajudaram à reabilitação, antes pelo contrário: foram muitos os trabalhos que o casal teve de realizar para deixar tudo como antes. “Houve uma série de imprevistos, sobretudo a nível de custos”, revela.

Quando compraram a quinta, o terreno já contava com 1800 metros quadrados de construção, mas a grande maioria dos edifícios eram outrora utilizados para a produção agrícola — armazenavam cebolas, batatas e até tratores. O casal teve de os reabilitar e voltar a dar-lhes uso.

O terreno tem cerca de 20 hectares.

Antes de passar para a família de Paulo, acredita-se que a propriedade, que se situa a menos de dois quilómetros do Mosteiro de São Martinho de Tibães, pertencia a monges. O casal está atualmente a trabalhar com um historiador para traçar a história da CasaNova desde que foi criada.

Foram mantidas várias zonas da propriedade para tornar a experiência mais autêntica. É o caso do espigueiro tradicional, dos lagares de vinho e azeite e das antigas máquinas agrícolas. Foi também preservada a capela familiar, que hoje conta com fotografias e a história da família que viveu na CasaNova desde o século XVII.

As obras contaram com atrasos significativos devido à pandemia de Covid-19. No entanto, estes acabaram por ser benéficos para o casal fazer tudo com calma e como sonhavam. Todo o interior, tal como é de esperar, foi feito por Ana e para encontrar os móveis e os materiais mais adequados para o estilo da quinta, a arquiteta visitou diversos antiquários.

“Tentei fazer muita reutilização de madeiras. O objetivo era que todos os quartos tivessem pelo menos uma peça antiga”, recorda a arquiteta. “Evitei o plástico, sempre que possível. Nem sempre consegui, mas usei metal e a madeira para que no fim de vida destes materiais, eles pudessem ser reabsorvidos e reciclados.”

No caso dos apartamentos, acrescentou salamandras e recuperadores para os tornar ainda mais charmosos. “Tem muito a ver com o Minho, porque tem muita floresta e madeira”, refere. “Portanto, fazia todo o sentido que tivéssemos aquecimento através de lenha”, diz, acrescentando que para quem preferir, também há aquecedores elétricos e ar condicionado.

Já para a decoração, seguiu a mesma regra e optou por materiais duradouros, sobretudo o granito. Ainda assim, não deixou de fazer o casamento perfeito entre o moderno e o rústico, tendo preservado alguns apontamentos originais da propriedade, como os lavatórios. 

A decoração junta o rústico ao moderno.

Além da natureza envolvente, os hóspedes podem aproveitar a piscina, uma sala de refeições e uma sala de tratamentos com uma das banheiras originais da casa. Em breve, Ana e Paulo pretendem criar um espaço multiusos e um jardim vegetal, que poderá ser utilizado pelos hóspedes que optem por ficar nos apartamentos.

“Nos arredores, o Manel, que é o caseiro, ainda faz os campos agrícolas ali à volta”, aponta. “É um agricultor que nos ajudou imenso na obra. Ele tem animais e sempre que recebemos famílias com miúdos, eles adoram ir lá vê-los.”

Além de Ana e Paulo, os três filhos do casal também têm aproveitado e ajudado a família com os trabalhos no terreno. André, de 16 anos, Joana, de 14, e Rui, de 12, adoram levar os hóspedes mais novos a conhecer os animais do caseiro e até os ensinar a andar de bicicleta. 

“Algumas crianças que vão lá nota-se que não sabem ainda andar de bicicleta e não têm tanto este contacto com a natureza”, refere. “Nota-se que faz falta aos miúdos andarem soltos e andarem na galocha e na rua e de lá para os campos por ali fora.”

Um dos destaques é também o pequeno-almoço servido todos os dias na casa-mãe. Conta com várias opções de produtores locais, como pão, compotas, bolos, sumos, fruta da época, vários tipos de cafés, chás, granola biológica, queijo, fiambre, entre outros.

Já nos tratamentos de bem-estar, os valores começam nos 60€, no caso de uma ventosoterapia localizada, e pode chegar aos 120€, para uma massagem modeladora. A carta completa está disponível online

Quanto à estadia, as diárias rondam os  100€ para o quarto duplo e os 195€ para os apartamentos. As reservas podem ser feitas através do site do projeto.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias da CasaNova Farmhouse.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua da Senhora da Guia, Parada de Tibães
    4700-793 Braga
ESTILO
turismo rural
PREÇO MÉDIO
entre 101€ e 150€
AMBIENTE
familiar

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