Turismos Rurais e Hotéis

A Quinta do Martelo é uma viagem no tempo (com passagens secretas nos quartos)

O alojamento fica na belíssima Ilha Terceira, nos Açores. A NiT visitou o espaço, que também é um centro interpretativo.
É um turismo rural.

Numa altura em que a pandemia nos empurrou para dentro de casa, respirar o ar puro, sentir o vento no rosto e adormecer ao som do mar é sinónimo de uma escapadinha perfeita. E foi isso mesmo que a NiT fez, entre os dias 22 e 25 de abril, numa viagem à Ilha Terceira. Visitou cascatas, lagoas, espaços com tons de verde inacreditáveis, e até esteve dentro de um vulcão — relembre o roteiro.

Com tanta natureza, ideal para esquecer por momentos os tempos atípicos que vivemos, um dos espaços mais incríveis que a NiT conheceu foi a Quinta do Martelo, um turismo rural e centro interpretativo que se insere na perfeição na paisagem desta ilha dos Açores.

Estamos na manhã de 24 de abril e quem nos recebe é Gilberto Vieira, o proprietário. A propriedade fica a cinco quilómetros do centro de Angra do Heroísmo. O nome Quinta do Martelo vem de uma aldraba do século XVIII que ainda ornamenta o portão principal da quinta.

Lá, já se produziu laranja, vinho, e aguardente de nêspera. Atualmente, é um centro interpretativo, que pode ser visitado por todos, um turismo rural e um restaurante. Foi com muito trabalho de investigação que Gilberto Vieira e a sua equipa conseguiram reconstruir e manter vários aspetos regionais, como as antigas oficinas, os tradicionais trabalhos de tingimento e as casas que datam do início da colonização dos Açores — é como ficar hospedado num museu vivo.

“Aqui, o objetivo é que os hóspedes sintam a verdadeira sensação de como era a vida há cinco séculos atrás,  numa fazenda rural tradicional”, explica-nos o proprietário. Gilberto fala rápido e cheio de entusiasmo, por vezes atropelando-se no raciocínio. A paixão com que nos mostra cada pormenor do espaço inspira.

Leva-nos primeiro à mercearia que funciona como bar e receção, e ao mesmo tempo é a entrada para o restaurante do alojamento, A Venda do Ti Manel da Quinta. Atrás do balcão, está um antigo barril de cerveja à pressão: “São os primórdios das imperiais.”

O espaço está completo, do chão ao teto, literalmente. Há balanças, latas de conservas, chapéus, leiteiras, peneiras, leguminosas em sacos de serrapilheira, e muito mais. Tudo bem antigo.

Dali, seguimos para o restaurante, subindo as escadas, e é como se entrássemos nas casas das nossas avós. Gilberto manteve a traça de uma casa do início do século passado, em que cada divisão é uma área para comer. Ali, servem-se pratos típicos das ilhas, num espaço que já ganhou o prémio “Gastronomia – Património Nacional”.

No exterior, conhecemos as antigas oficinas, o alambique, e a piscina. Vemos a horta, o burro, e a estrutura para secar as espigas de milho. Até que entramos numa das casas de hóspedes e ficamos confusos.

A porta abre-se utilizando uma chave que não passa de uma estreita ripa de madeira, com uma reentrância na ponta para abrir a alavanca que se encontra do lado de lá da porta. A divisão é escura e a cama consiste em fardos de palha sobre quatro pedras. “Será que as pessoas dormem aqui? É uma experiência de viagem no tempo, bastante literal?”, questionamo-nos.

Numa das paredes encontra-se uma estrutura de palha amarrada a barrotes de madeira. “Aqui era onde dormiam as crianças, isto ficava encostado à parede, e à noite colocava-se no chão”, explica-nos o proprietário. Gilberto Vieira pega na estrutura mas abre-a como uma porta. Do outro lado encontra-se um quarto, ao estilo de 2021, uma casa de banho e uma kitchnette.

Seguimos para outra das casas, aqui retratando uma época mais recente. Mas o sistema é o mesmo — existe uma passagem secreta. A casa, mais moderna, conta com uma mezzanine, mas não é ali que os hóspedes dormem. A porta de madeira branca leva-nos a uma casa de banho e umas escadas.

As escadas ligam a três quartos, uma cozinha e outra casa de banho. É tempo de continuar a nossa viagem depois desta viagem no tempo, com a certeza que numa próxima visita este será o espaço escolhido para pernoitar. Os preços começam nos 80€ por noite.

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