Turismos Rurais e Hotéis

A quinta que já foi da Casa Real Portuguesa agora é o melhor enoturismo do País

Foi o primeiro hotel de vinhos a abrir em Portugal. Hoje em dia esta propriedade no Douro continua a destacar-se de outros projetos do género.
É uma das mais emblemáticas da região.

Foi no meio dos socalcos do Douro, com uma vista ímpar sobre o rio, que nasceu, no concelho de Sabrosa, uma das quintas mais emblemáticas da região: a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo. Com 120 hectares de vinhas, a mansão tradicional foi convertida no primeiro hotel de vinhos em Portugal — e continua a fazer história ao longo dos anos.

Agora, a propriedade foi distinguida como o “Melhor Enoturismo de Portugal”, um troféu atribuído na noite desta sexta-feira, 25 de maio, em Santarém, no âmbito da terceira edição do Prémio Nacional de Enoturismo, promovido pela Associação Portuguesa de Enoturismo (APENO).

Apesar de ter “nova” no nome, a sua história não é assim tão recente. Na verdade, foi propriedade da Casa Real Portuguesa até 1725 e só mais tarde se transformou em “Quinta Nova” pela junção de duas quintas numa só. Entre os séculos XVIII e XIX, foi casa de várias famílias portuguesas que deram vida à vinha e ao vinho e aos pomares de fruta numa época muito importante na agricultura do Douro. Ainda mantém alguns dos edifícios tradicionais de cor branca, como a adega, datada de 1764 (e uma das mais antigas da região).

“Não sabemos exatamente a data de fundação da quinta, mas sabemos que o nome ‘Nossa Senhora do Carmo’ tem origem no século XVII, numa pequena capela construída na margem do rio Douro para proteger os mareantes dos barcos que transportavam as pipas de vinho do Porto e se aventuravam nos barcos rabelos num trecho particularmente traiçoeiro do rio”, contou à NiT Luísa Amorim, a mais novas de três irmãs que impulsionou o negócio de vinho da família. Quando a travessia pelo Douro não corria bem, os homens que se aventuravam nos barcos faziam promessas à santa padroeira em troca de salvação. 

A história da quinta “ganhou um novo fôlego” em 1999, quando a família Amorim, que está ligada ao vinho desde 1870, comprou a propriedade — e nunca mais a abandonou. Atualmente na quarta geração da família, o empreendimento é gerido pelas mãos de Luísa Amorim, que deu início “a um novo ciclo”, focando o seu negócio na reconversão e plantação de vinha, para produzir “vinhos tranquilos de qualidade excecional”. O Melhor Vinho de Portugal de 2023, o Quinta Nova Vinha Centenária Ref P29/P21, 2019, é um desses exemplos.

“A par do projeto pioneiro ao nível da viticultura e da enologia, em 2005 abriria na Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo o primeiro enoturismo no Douro com um hotel vínico”, explicou. Com um enquadramento único, voltada para o rio e com vista para os históricos socalcos, nasceu assim a Winery House, em Covas do Douro.

“As viagens pelo mundo, muitas delas às propriedades de clientes em regiões vitivinícolas, inspiraram a vontade de impulsionar e criar no Douro serviços e estruturas quase inexistentes na região há mais de duas décadas”, sublinha Luísa Amorim.

O alojamento arrancou em 2005 com a criação da Quinta Nova Winery House, que nasceu entre o edifício original da adega e a capela de 1765. “Aqui existia a casa dos proprietários e dos funcionários e alguns espaços para animais, na altura denominadas por lojas. Apenas fizemos uma recuperação interior, mantendo-se todas as paredes antigas de xisto e os tetos em madeira”, destacou.

Quanto à decoração, decidiram manter muito do mobiliário da época, assim como objetos que fazem parte da história da casa. As loiças e faianças portuguesas da Fábrica de Sacavém e as peças Bordalo Pinheiro e da ceramista Rosa Ramalho são alguns dos destaques. Por outro lado, a contemporaneidade também se faz sentir com a seleção dos tecidos e paleta de cores, “que dão vida às salas trazendo a luz da vinha e a cor do vinho para o seu interior”, em contraste com o verde do exterior.

A antiga casa senhorial transformou-se assim num alojamento com 11 quartos — todos eles com vistas sobre os socalcos com vinhas centenárias. Dos espaços comuns interiores destaca-se o Jardim de Inverno, “uma sala que inspira os hóspedes a desacelerarem e a aproveitarem o conforto do espaço repleto de luz natural”, e pequenas salas privadas de jogos.

No piso térreo, é possível ainda aceder à receção e ao restaurante Terraçu’s, conduzida pelo chef André Carvalho, que oferece uma “experiência gastronómica imersiva na cultura e no território local”. Junto ao restaurante, encontra-se a parte exterior do Aeternus Wine Bar, com uma carta de vinhos versátil e várias opções de tapas.

No exterior da Quinta Nova Winery House, existem ainda vários espaços exclusivos a hóspedes, como os jardins envolvidos por árvores seculares e a piscina debruçada sobre as vinhas. É lá que encontra também o Mirabilis Pool Bar, um bar com um “ambiente descontraído, de tranquilidade e conforto”. Para os que não resistem a um bom vinho, há ainda uma loja e sala de provas com esplanada, o Patamar Wine Shop & Bar.

Além das estadias, a propriedade é reconhecida internacionalmente por acolher diversos eventos, em especial, casamentos. Em 2016, por exemplo, o jornal britânico “The Telegraph” elegeu a Quinta Nova entre um dos 26 melhores hotéis europeus para casar. O cenário rodeado por vinhas e a decoração dos quartos fazem do enoturismo um recanto ideal para o romantismo. 

“É um lugar único pela forma como nos faz sentir o ambiente de uma grande casa de família portuguesa do Douro, cercado por uma paisagem arrebatadora. É aí que sentimos o verdadeiro luxo que funde elegantes recantos interiores e exteriores, o património historicamente edificado, experiências desenhadas ao detalhe e um serviço atento e dedicado”, realça Luísa Amorim. E acrescenta: “As vistas sobre o rio Douro são mesmo de cortar a respiração”. 

Quanto à estadia, os preços começam nos 225€ em quarto single e os 240€ em quarto duplo. As reservas podem ser feitas online. 

Carregue na galeria para conhecer o Melhor Enoturismo do País,

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