Sempre que viajava para fora de Portugal, Rodrigo Mendia de Castro evitava ficar em grandes hotéis. Para o advogado, o que mais valia quando chegava a um novo local eram as vivências e a proximidade com a cultura local.
“Sempre viajei muito por todo o mundo e nos últimos anos, fui muito à Ásia”, explica o também empresário de 55 anos. “Nunca procurava os hotéis grandes que são iguais em todo o lado, procurava aqueles que dessem a sensação de viver um pouco a vida das pessoas”, conta à NiT. No Sri Lanka, por exemplo, dormiu em casas antigas que servem de apoio às icónicas plantações de chá.
Por cá, quando surgiu a oportunidade de transformar uma casa de família, não teve dúvidas no tipo de projeto que queria fazer. A Casa dos Condes, em Cano, no Alentejo, está na família de Rodrigo há cinco gerações e era usada, sobretudo, como apoio para os trabalhos no campo. A propriedade foi construída no século XIX e sempre foi assim conhecida como a residência dos Condes de Valenças e dos Condes de Nova Goa.
Mais recentemente, passou para os avós de Rodrigo, depois para os pais e, por fim, para o empresário. “Era uma casa de férias, e não ia lá tanto porque tínhamos o hábito de ir para outra residência de família no norte”, explica. “Comecei a ir para o Alentejo a partir dos 16 anos. Tínhamos lá os cavalos e adorava andar. Depois, passei a levar amigos.”
Com o passar do tempo, a propriedade deixou de ser utilizada com frequência e Rodrigo decidiu recuperá-la para não ser esquecida. “Ao princípio, nem era tanto com o intuito de ser rentável, era para poder ser autossustentável”. No entanto, percebeu que podia criar ali um refúgio para outras pessoas viverem o Alentejo de forma autêntica.
Há uma década, começou a receber hóspedes e, em 2025, a propriedade sofreu algumas renovações, tendo começado a ser gerida pela Amazing Evolution, uma empresa portuguesa especializada em gestão hoteleira independente. “Não tive de fazer muitas obras, porque a casa já estava realmente impecável. A minha mãe já a tinha recuperado”, explica Rodrigo. “As únicas alterações que fiz foi para que cada quarto tivesse uma casa de banho.”
A propriedade tem sete quartos e consegue acolher até 18 pessoas. No exterior, tem uma piscina e uma zona para animais de quinta, como burros, cavalos e galinhas. Toda a decoração foi mantida para passar a verdadeira essência da região.
Ainda hoje, as memórias mais presentes que Rodrigo tem do espaço são as das pessoas que ali trabalham “há 40 anos.” “A Margarida, por exemplo, que é a cozinheira, faz parte da família. Está lá, viveu com aquela casa, viu a recuperação e depois acompanhou-nos neste projeto”, diz. “Os irmãos dela também cuidam da horta e fazem parte da família.”
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Depois de abrir o alojamento no Alentejo, Rodrigo decidiu fazer o mesmo com a Casa de São Domingos, no bairro da Lapa, em Lisboa, onde nasceu. Pouco antes da pandemia de Covid-19, preparou a residência para receber hóspedes. “Mantive as escadas e os azulejos, está tudo como estava”, partilha. “Casa de banho havia o suficiente e a propriedade estava meio dividida, porque o meu pai, que tem 90 anos, ainda vive numa parte. Mas não foram feitas muitas obras.”
Nesta altura, decidiu criar a marca 18.21 Houses, de forma a juntar os dois refúgios de charme num só projeto. Pouco tempo depois, o projeto cresceu: comprou novas propriedades, uma em Lisboa (a Casa de São Paulo) e uma em Sintra (Quinta Velha), e abriu-as também ao turismo,
“Comecei a ter a ideia de tornar tudo isto numa coisa ligada, para que as pessoas pudessem usufruir de sítios diferentes, mas dentro da mesma marca”, explica. “O nome surgiu porque a ideia eram casas que tinham o conforto do século XVIII. Embora nem todas sejam desta altura, é uma data que está a meio”.
Apesar de todas as casas estarem em sítios distintos, o objetivo continua a ser o mesmo: proporcionar uma experiência única nas regiões onde estão inseridas. “São casas tradicionais que não podiam estar em mais lado nenhum, era impossível. Têm a arquitetura e a história próprias de cada zona”.
A Quinta Velha, em Sintra, recebe até 13 pessoas. E no mesmo terreno, Rodrigo criou outras duas casas: a da Burra, que recebe até três, e a da Mula, até cinco. As propriedades de Lisboa, por sua vez, contam com dois quartos cada.
As estadias começam nos 76€ para um quarto na Casa dos Condes, no Alentejo; nos 176€ para as casas de Lisboa e nos 180€ nas de Sintra. As reservas podem ser feitas online.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias da Casa dos Condes.

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