Turismos Rurais e Hotéis

Os campos de lavanda que pintam de roxo este alojamento único em Castelo de Vide

Não é só em França que se encontram estas plantações. A Quinta das Lavandas tem a maior coleção destas plantas em Portugal.
Fica em Castelo de Vide.

Os campos perfumados de lavanda são uma das principais razões que levam turistas de todo o mundo à região de Provença, no sul de França. As fileiras infindáveis de flores, com um aroma inebriante, pintam de roxo a paisagem, tornando-a num verdadeiro cenário cinematográfico — mas não precisa de ir até tão longe para vislumbrar estes jardins que invadem as redes sociais na altura do verão.

Em Portugal, existe um turismo rural que abriga a maior coleção de lavandas existentes no País: são mais de 40 variedades, desde plantas de climas frios a tropicais, das mais diversas cores e formas. O jardim “é um regalo para a vista e uma inebriação para os sentidos” — e tudo isso se deve ao casal Teresa Tomé e Estevão Moura, que decidiu trocar a vida da cidade pela tranquilidade do campo, há mais de 10 anos.

Depois de uma vida passada a trabalhar em Lisboa, na área da economia e gestão, e com os filhos já criados, sabiam que estava na altura de começar a procurar um refúgio para eles, onde pudessem não só descansar, como dedicar-se à produção de algo. Encontrar o local ideal, contudo, não foi tarefa fácil.

Só após dois anos de muita procura é que descobriram, graças a um anúncio num jornal, um terreno com 20 hectares na zona de Castelo de Vide, inserido no Parque Natural da Serra de São Mamede. Era o ano de 2008 e foi amor à primeira vista.

“Não existia nada, à exceção de um olival. Quando adquirimos a quinta pensámos que queríamos fazer algo que fosse sustentável do ponto de vista financeiros e tivemos durante muito tempo a tentar encontrar uma solução que servisse não só para virmos aqui aos fins de semana, mas também que pudesse agradar a outras pessoas”, conta à NiT Teresa Tomé, de 68 anos.

O marido, Estevão Moura, agora com 70 anos, embarcou então numa intensa jornada de pesquisa para tentar perceber o que poderiam fazer naquela propriedade. Quando viu um panfleto norte-americano sobre plantação de lavandas, também conhecidas como alfazemas, sabia que tinha encontrado a chave do negócio.

A partir daí, começou a primeira fase do projeto: plantaram 60 mil plantas, vindas de França, em cinco hectares do terreno. A  lavanda tornou-se assim a grande protagonista da quinta, que hoje abriga a maior coleção desta planta existente em Portugal. 

Aos campos lilases, acrescentaram ainda um alambique onde fazem a destilação para conseguirem produzir óleos essenciais e outros produtos tradicionais resultantes dos derivados da lavanda, como chás. “É uma planta fabulosa, com características medicinais e terapêuticas, sendo que uma das variedades pode-se comer e beber, enquanto as outras não são utilizadas nesse sentido”, explica a proprietária.

Os óleos essenciais, as águas perfumadas, os cosméticos, bolachas, biscoitos, infusões, mel e azeite podem ser adquiridos na loja online — mas não há nada como vê-los (e cheirá-los) ao vivo. Além dos campos, o casal decidiu reconstruir e ampliar uma casa já existente e transformá-la num turismo em espaço rural. Assim nasceu, em 2013, a Quinta das Lavandas.

“Não tínhamos experiência em nenhuma das áreas, mas tínhamos uma vontade enorme de trazer algo novo para o Alentejo”, sublinha. Quem olha para a quinta hoje percebe que nada tem a ver com o que existia anteriormente, quando não tinha “nem água, nem casa de banho”. 

Agora, o edifício principal é composto por sete quartos, sendo que cada um deles tem o nome de uma planta ou árvore existentes na quinta: oliveira, lavanda, lavandim, rosmaninho, giesta, castanheiro e carvalho. As unidades de alojamento têm todos uma decoração original, da autoria do arquiteto de interiores Abel Garrido. Os quartos, de ambientes e cores vivas, são complementados com quadros de pintores portugueses que lhes dão “um toque íntimo”.

O espaço dispõe ainda de uma sala comum no rés do chão, com uma lareira, assim como sala de pequenos-almoços e uma segunda sala mais pequena, com uma televisão e uma pequena biblioteca. Além dos sete quartos, existe ainda uma suite em pedra no meio da plantação, para quem procura mais privacidade. No exterior, além dos campos de lavanda, há uma piscina de água salgada e um baloiço com vista panorâmica para os jardins. 

A verdade é que o casal pretende que o espaço seja “muito mais do que um hotel”. Afinal, os hóspedes não têm à disposição apenas quartos: têm toda uma quinta onde podem passear e acompanhar todo o processo de destilação, graças às visitas guiadas que a quinta disponibiliza. 

A melhor altura para visitar os campos floridos é na altura do verão, quando as lavandas têm a sua floração. “Neste momento estamos a fazer uma reformulação de alguns campos que estão a chegar ao fim da vida e vamos fazer uma nova plantação, por isso este ano há uma parte que não irá estar florida”, adianta. 

A sustentabilidade é também uma das maiores preocupações do casal, que procura obter da terra os melhores produtos para serem consumidos na quinta. Por esse motivo, e como complemento do olival secular existente, onde se destaca um exemplar de um zambujeiro com mais de 10 metros de altura, cultivaram um pomar e uma pequena vinha.

Os preços da estadia oscilam entre os 99€ e os 139€ por noite. As reservas podem ser feitas online.

Carregue na galeria para vre mais imagens da Quinta das Lavandas.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Quinta das Lavandas
    Sítio de Vale Dornas

    7320-423  Portalegre
ESTILO
turismo rural
PREÇO MÉDIO
Entre 100€ e 200€
AMBIENTE
rural

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