Turismos Rurais e Hotéis

O ecoturismo do Algarve que é a definição de sossego e imersão na natureza

Tem um galinheiro, horta, uma sala de cortiça, um haman, produtos naturais, peixe do mar, passeios na Ria Formosa: um sonho.
A piscina.

Provavelmente não há quem não tenha já pensado nas próximas férias. As diferentes empresas do setor incentivam à marcação de dias por este mês, o tempo aqueceu subitamente, a situação pandémica parece estar a melhorar e é quase inevitável que passemos parte do tempo livre à procura daquele hotel ou turismo rural para onde escapar assim que possível.

Na hora da escolha, tudo depende muito dos gostos e preferências, mas há lugares que são quase consensuais. A Companhia das Culturas é um deles. Trata-se de um ecoturismo sustentável e orgânico localizado no extremo sueste do Algarve, perto da Reserva Natural de Castro Marim e de algumas das melhores praias da região.

O cenário do interior e detalhes deste hotel é de luxo, mas não aquele ao qual estamos habituados a associar quando pensamos em alojamento turístico. Aqui, além da horta e do galinheiro que fornecem o restaurante (atualmente ainda fechado), ou os jardins junto às piscinas, a propriedade com 40 hectares feitos de pinheiros mansos, cortiça e alfarroba, damasco e figo, oliveiras e laranjeiras, é sobretudo um espaço para os amantes da natureza.

Neste lugar, explicam os responsáveis, pode passear, encontrar recantos para descansar, ler um livro, fazer um piquenique ou dormir uma sesta. É também um dos dez melhores turismos rurais de Portugal, segundo uma eleição recente da revista “Forbes”.

De acordo com as informações prestadas à NiT pelos donos do espaço, o arquiteto Pedro Ressano Garcia foi o responsável pela recuperação de uma quinta antiga onde existem ainda workshops de arte, design, arquitetura e dança.

Como alojamento, a unidade tem oito quartos: duas suites e seis quartos duplos, além de alguns apartamentos. Certas particularidades marcam a decoração dos quartos, que são todos diferentes. O quarto oito, por exemplo, além de um pátio privado, tem anjos barrocos nos puxadores. E o quarto cinco tem uma parede original de taipa na entrada e um armário desenhado em exclusivo para este espaço. A antiga garagem da máquina debulhadora é agora uma Cork Box (uma sala forrada a cortiça) onde pode ver um filme ou ouvir música. O antigo lagar da quinta transformou-se num salão com uma biblioteca e um bar.

Os anfitriões são Eglantina Monteiro e Francisco Palma Dias. Ela viveu em França, Inglaterra, Senegal e Brasil, é antropóloga e desenvolve um trabalho curatorial com objetos e estéticas de universos culturais distintos, em diferentes instituições. Ele ajudou a introduzir o ioga em Portugal no fim dos anos 70 e foi o mentor dos restaurantes Le Paradoxe (Bruxelas, 1972) e Terraço do Finisterra (Lisboa, 1980).

O ecoturismo, explicam, nasceu da vontade de ambos em não deixarem morrer a história presente nos mais de 2000 metros quadrados da antiga Casa Agrícola da família de Francisco, que ao longo de cinco gerações contribuiu para o desenvolvimento agrícola da pequena aldeia de São Bartolomeu e seus habitantes. “As mesmas que hoje fornecem os seus produtos à Companhia das Culturas, num perpetuar do elogio ao que é regional como fonte de sustentabilidade local”, explicam os responsáveis do espaço.

Quando Francisco e Eglantina se mudaram para São Bartolomeu, observaram que toda a herança natural, aliada ao que restava da antiga Casa Agrícola, era de uma riqueza incomparável. Como os próprios dizem, eram “ricos em ruínas”. Convidaram o arquiteto Pedro Ressano Garcia a projetar aquilo que viria a ser a Companhia das Culturas e em 2008 abriram portas.

Ano após ano, das ruínas de antigos currais, vacarias e abrigos para os moirais foram nascendo os quartos e suites, um restaurante, uma biblioteca, com particular incidência nos ecossistemas, geografias, gastronomia e arte, salas de estar. Da enorme garagem da máquina debulhadora fez-se então a Cork Box, um enorme quadrado forrado a cortiça onde também pode desfrutar de aulas de ioga à terça-feira e sábado incluídas na estadia.

O ovil foi transformado em quatro apartamentos, um térreo (no antigo lagar de azeite) e três duplex; bem como num haman único, uma espécie de sala de banho turco que oferece tratamentos de bem-estar e beleza com óleos essenciais biológicos produzidos pela Unii e Pharmaplant.

Aqui, não há televisão nem música ambiente: a Companhia das Culturas pretende proporcionar estadias de contemplação, recolhimento, partilha e relaxamento. No restaurante, quando ele reabrir, tudo é de produção própria ou da vizinhança, e o peixe é da praia.

Os visitantes podem acompanhar algumas das atividades da quinta, da horta à capoeira, à apanha da fruta ao longo do ano; podem ainda fazer trilhos, participar em retiros, praticar ioga, partir em passeios acompanhados pelas salinas artesanais de Castro Marim, passear de barco na Ria Formosa. Os preços começam nos 90€ por noite, dependendo da época e tipologia, podendo chegar aos 400€. As reservas podem ser feitas online. De seguida, carregue na galeria para conhecer melhor este incrível alojamento no Algarve.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Fazenda S.Bartolomeu - Rua do Monte Grande
    8950-270 Castro Marim
ESTILO
hotel rural
PREÇO MÉDIO
entre 101€ e 150€
AMBIENTES
familiar, romântico, rural

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