Turismos Rurais e Hotéis

Sugestão NiT: a Casa Brava que é um oásis de paz e sossego no interior algarvio

Um casal de emigrantes deixou a agitada Paris à procura de tranquilidade. Encontraram-na em Loulé — e querem partilhá-la connosco.
O rooftop é imperdível

A luminosa e encantadora Paris não o era assim tanto em novembro de 2015. O ataque terrorista que se abateu sobre a cidade teve o epicentro no Bataclan, a sala de espetáculos onde morreram 130 pessoas. A poucos metros de distância estava o escritório da empresa imobiliária de Marco Pinto e Julie Pereira.

O casal descendente de emigrantes portugueses já ponderava, por essa altura, o seu futuro na capital francesa. O ataque terrorista e a insegurança que se vivia no país encerrou de vez o assunto. “Tínhamos que fazer uma escolha de vida, não podíamos viver com aquela pressão, a viver a 200 à hora”, explica à NiT Marco Pinto.

Hoje, a vida do casal não podia ser mais diferente. A sua casa é a última da aldeia nos arredores de Loulé, local de onde gerem dois negócios, um turismo rural de alma ecológica com apenas três quartos e uma empresa de sabonetes artesanais. Tudo para fazer com toda a calma e vagar do mundo.

Com raízes no norte do País, em Guimarães e Chaves, acabariam por decidir mudar-se para o polo oposto do território — por boas razões. “Nós vínhamos sempre de férias para o Algarve, como muita gente vem. Sempre gostei disto, já desde que era mais novo, quando tirei a carta e vim até cá com colegas”, nota o proprietário de 43 anos.

Era a sua pausa anual para respirar da vida sufocante em Paris. Em 2015 tomaram finalmente a decisão de deixar tudo para trás e, na verdade, já tinham um recanto só seu. Em 2013 tinham comprado o pequeno terreno de dois hectares, pelo qual se apaixonaram à primeira vista.

Julie e Marco são os anfitriões

“Conhecíamos o Algarve mas nunca tínhamos vindo a Loulé. Estávamos fartos de vir cá e arrendar apartamentos, queríamos mais natureza e quando viemos a este terreno sentimos uma energia, algo muito forte. Compramos isto em cinco minutos”, recorda. No primeiro ano, optaram por não recuperar a casa em ruínas e mantiveram-se numa pequena casota de madeira.

A obra acabaria por avançar e o terreno tornou-se finalmente um lar. A partir daí, tudo aconteceu de forma fortuita. “Um dia recebemos um contacto de uma senhora que procurava um quarto para ficar duas semanas. Nós tínhamos um quarto recuperado, para receber a família quando nos visitavam. Estava vago e decidimos acolhê-la”, conta. “No final, disse-nos que devíamos abrir isto para toda a gente. Foi o que fizemos.”

Começaram com um quarto, disponibilizado no Airbnb, e foram fazendo obras de restauro nas restantes divisões. Entretanto, as solicitações e reservas preenchiam o calendário.

Quatro anos depois, a Casa Brava tem um total de três quartos, todos com acesso privativo, área de estar e pequeno jardim. Depois, a vida faz-se ao ar livre, nos inúmeros aconchegos criados no terreno, seja junto à piscina natural ou no rooftop da casa com vista para o mar e para a serra.

Um dos quartos disponíveis

Descrevem-se como um Bed & Breakfast ecológico, eles que eram vegetarianos e deram o próximo passo para o veganismo. “Tentamos fazer tudo da forma mais ecológica possível. A comida, por exemplo, é toda biológica e vegan.”

Fala, claro, do pequeno-almoço, a única refeição incluída na estadia. A pandemia veio atrapalhar os ocasionais jantares que o casal organizava para todos os hóspedes. Mas não se preocupe: Marco e Julie oferecem sempre uma lista de todos os bons e saborosos restaurantes nas imediações para compensar a ausência de refeições.

“Ter pouca gente aqui torna tudo mais exclusivo e permite-nos cuidar das pessoas, dar sugestões para que não visitem só as praias. Há muita coisa boa para ver no interior, queremos valorizá-lo.”

O turismo rural não é o único projeto que adota o nome Casa Brava, que empresta o título aos sabonetes artesanais com azeite biológico de Julie Pereira, que também já tinha trabalhado em projetos semelhantes em França e na Bélgica. E têm até uma loja no centro de Loulé onde são feitos e vendidos — e claro que todos os hóspedes os podem usar durante a estadia.

A Casa Brava, que funciona apenas entre abril e final de outubro, já tem a piscina natural pronta para o receber. O preço da estadia começa nos 69€ na época baixa e nos 99€ na época alta.

Carregue na galeria para ver mais imagens da Casa Brava.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Casa Brava, Pedragosa, Loulé
ESTILO
turismo rural
PREÇO MÉDIO
Entre 100€ e 200€
AMBIENTE
rural

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