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Turismos Rurais e Hotéis

Sugestão NiT: a quinta no Douro onde confinar é um luxo

A Quinta da Gricha tem apenas quatro quartos e aposta numa experiência relaxante e sem distrações. E esqueça a televisão no quarto.
A pisicna infinita sobre o vale

O tortuoso caminho até ao alto do vale é um daqueles obstáculos que separam as experiências banais daquelas que valem realmente a pena ser vividas. Isolada lá no alto do vale, a antiga casa da Quinta da Gricha é um pequeno templo de isolamento. Quatro quartos, não mais de oito hóspedes — e uma paisagem luxuosa para apreciar em silêncio.

Foi esse silêncio e isolamento que viveu o pintor britânico Richard de Luchi, quando em março do ano passado ali se instalou para uma residência artística de duas semanas. Com a casa fechada a hóspedes, aquele que deveria ser um período curto de potenciação da criatividade, acabou por se transformar num confinamento privilegiado de dois meses.

Hoje, quem visitar a Quinta da Gricha, poderá ver nas paredes o resultado dessa experiência. Uma vivência que, garantem os proprietários, querem passar a cada um dos hóspedes. Com a exceção do isolamento de dois meses, está claro. A essência, contudo, é a mesma: viver o Douro em paz, sem ruídos, azáfamas e sobretudo sem perturbações externas. Até por isso se tomou a decisão de não colocar quaisquer televisões no espaço.

A quinta de 50 hectares é propriedade da Churchill’s desde 1999. A marca é, de certa forma, uma “startup do vinho do Porto”, explica à NiT Ana Pinho, responsável pela comunicação da empresa. “Ao lado dos nossos concorrentes que já têm centenas de anos de história, somos uma espécie de startup que celebra em 2021 os seus 40 anos”, nota.

Criada por John Graham em 1981 — quinta geração da família que fundou a marca Graham’s —, a empresa encontrou o seu tesouro na Quinta da Gricha. Do seu passado não restam muitos registos históricos. Sabe-se que ali se produziu vinho pelo menos a partir da segunda metade do século XIX.

As pistas vão surgindo aqui e acolá, inscritas no granito que compõe o terreno de onde nascem as uvas que hoje dão vida aos vinhos da marca. Usadas com sobriedade nalgumas variedades, noutras de forma exclusiva.

Uma das quatro suites da casa

Sabe-se que as estruturas graníticas dos lagares remontam a 1852 e há registos da existência da nascente que tinha origem na gricha — a fenda que dá nome ao local — e cujas águas alimentavam e alimentam as vinhas.

Em 2015, tudo mudou. Traçou-se um plano de renovação da antiga casa que acolhia os trabalhadores e, durante dois anos, transformou-se o espaço num enoturismo de luxo de traça clássica. Pelo caminho, tentou-se ao máximo preservar os materiais e estruturas, da rocha que vai surgindo aqui e ali pelos corredores, ao forno antigo que se manteve de pé na renovada cozinha dos caseiros.

No interior da casa nasceram quatro suites, decoradas de forma clássica e batizadas com nomes de flores da região: urze, alfazema, esteva e zimbro. Todos os quartos têm vista sobre o vale e o rio e, como já dissemos, não há aqui espaço para ecrãs. O único disponível é o que se esconde por detrás das cortinas: a janela com vista panorâmica.

Quem preferir uma vista mais imponente — e se quiser fazer acompanhar de um bom vinho — pode cruzar a sala de estar aquecida por uma lareira e sentar-se no terraço. Lá fora, há mais para ver: do jardim em socalcos onde desponta a antiga fonte de granito que rompe a parede rochosa ao Pátio das Laranjeiras, um terraço rochoso onde moram laranjeiras e limoeiros, que empresta uma valiosa sombra em dias de calor.

Os jardins em socalcos que conduzem à velha fonte mantida intacta

É nesse espaço que, permitindo o tempo, se fazem almoços e jantares preparados pela mão experiente das cozinheiras locais. Conte com um bom rancho, um polvo à lagareiro ou um bacalhau assado no forno.

É esse um dos serviços prestados pela Quinta da Gricha, cujos almoços tradicionais podem rondar os 25€ a 30€; e os jantares, servidos no exterior ou nas salas de jantar da casa, por 40€. Os vinhos estão, como seria de esperar, incluídos.

Ocasionalmente, haverá residências gastronómicas que trocam o bom velho receituário tradicional por técnicas mais arrojadas interpretadas por chefs. Foi o que aconteceu, por exemplo, em 2019, quando o chef Vasco Coelho Santos (do Euskalduna Studio, no Porto), agarrou os produtos locais e, durante duas semanas, ofereceu aos hóspedes uma experiência ligeiramente diferente da habitual.

No Pátio das Laranjeiras almoça-se empoleirado no vale

Há sempre a possibilidade de optar por um piquenique mais leve, servido no jardim ou à margem da piscina infinita, por 35€ para duas pessoas. E se não quiser nada mais do que um copo de vinho a acompanhar a leitura de um livro, os hóspedes têm ao dispor um honesty bar, do qual se podem servir à vontade.

Por fim, a razão de ser de tudo isto: o vinho. As provas são talvez o ponto alto da experiência, onde além de poder ficar a conhecer todo o processo, é possível personalizar o elenco de referências que serão servidos pela equipa. É possível fazer uma prova clássica de variedades de Porto ou simplesmente uma prova vertical de tawnys; e também uma prova que inclua vinhos DOC da quinta. Os valores começam nos 15€ e o máximo, bem, esse irá depender de quão ambicioso for na escolha dos vinhos.

Viver esta experiência por um dia tem um custo mínimo de 200€, valor que pode ascender aos 280€ em época alta. Inclui, claro, o pequeno-almoço em buffet que acrescenta pratos quentes e frescos, preparados na hora na cozinha. A vista? Essa não tem preço.

Carregue na fotogaleria para ver mais imagens da Quinta da Gricha Vineyard House.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Quinta da Gricha, Ervedosa do Douro, São João da Pesqueira
ESTILO
turismo rural
PREÇO MÉDIO
Mais de 200€
AMBIENTE
wine house

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