Turismos Rurais e Hotéis

Terra Rosa: o pitoresco refúgio do Minho que nos faz viver mais e melhor

Por ali, vive-se sem pressas, entre laranjais, águas quentes e ambientes meditativos — com todos os luxos, pois claro.
É tudo assim, bonito
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As estacas vão se multiplicando junto à berma da estrada e vão formando o vinhedo que se prolonga até onde a vista alcança. As vinhas interrompem o seu percurso apenas para darem espaço a um longo corredor verde, ladeado por pontiagudos ciprestes.

A estrada verde demora o tempo suficiente a percorrer para, aos poucos, se irem avistando os pequenos pormenores desta quinta com mais de 70 hectares. Lá no alto, imponente, sobressai a casa abrasonada, mas é na fachada do lado que a cor sobressai.

Um velho edifício renovado dá nas vistas pelo tom rosa salmão, esbatido, texturado. Há pormenores escondidos a cada centímetro da fachada que agora se exibe orgulhosamente, mas que até há um par de anos se encontrava escondida por debaixo de uma camada de tinta branca vulgar.

A cor agradou aos donos e mentores do projeto que nasceu há um ano a pouco mais de 10 quilómetros de Ponte de Lima, Francisco e Eliana Rosa, pai e filha. À medida que a velha tinta ia sendo removida, este novo ar rústico e colorido ia agradando — até se decidir que ficaria intocado, tal como está.

Essa fachada com caráter é apenas mais um dos muitos pormenores que tornam o Terra Rosa Country House & Vineyards numa espécie de hotel rural de autor. Neste caso, de autora, com a assinatura de Eliana Rosa, responsável pela decoração do projeto que foi inaugurado em 2021.

Foi numa das quintas da família — a Quinta da Codeçosa — que há um par de décadas decidiram apostar na produção de uva que, hoje, dá origem aos vinhos da Adega de Ponte de Lima. Uma coisa levou a outra e, hoje, além dos 50 hectares de vinha, a quinta acolhe também hóspede que procuram, sobretudo, pôr um travão no stress.

Não é uma tarefa fácil, mas é um desafio a que se propõem em cada um dos pormenores. A chegada faz-se entre as vinhas, até ao cheiro do jasmim que antecipa a entrada naquela que é a sala de estar natural da quinta, coroada pelo espigueiro que ali se conserva, rodeado de oliveiras centenárias — e onde não é preciso qualquer banda-sonora para lá da água que corre no tanque onde, sim, é possível tomar banho.

É para este espaço que se viram os quartos, por enquanto apenas sete, inseridos no edifício que, em tempos, serviu para armazenar e secar o lúpulo que crescia nos campos vizinhos. Hoje, serve de poiso de descanso aos hóspedes.

Quem quer que chegue à Terra Rosa, já terá visto as dezenas de imagens que parecem saídas de um catálogo de decoração. Spoiler alert: tudo é tão ou mais bonito do que nas fotos. As cores amenas conjugam-se numa palete de cores absolutamente relaxantes. As texturas do bambu, da juta, das paredes rugosas, aquecem o cenário, pedem o toque — e esse toque é uma espécie de terapia de choque para que os batimentos desacelerem e vão entrando no ritmo do espaço que se quer, como explicam os donos, ideal para o slow living.

É deste ar de rusticidade preservada, sem poupar no conforto, que se fazem os quartos. Os mais pequenos, junto à relva e com acesso direto a este pátio central, bem como os que moram no primeiro piso, com direito a uma varanda ampla.

A Suite do Espigueiro tem cerca de 30 metros quadrados, uma sala, um quarto, uma casa de banho e uma varanda privativa. Ideal para uma família que, sendo mais numerosa, pode até reservar a suite do lado e habitá-las em conjunto através da entrada comunicante.

O pátio dominado pelo espigueiro

Cada móvel ou peça conta uma história. Escolhidos a dedo, há aparadores centenários vindos da Ásia e, melhor ainda, tudo pode ser comprado se os hóspedes assim o entenderem. O que se ganha em ambiente, perde-se do ponto de vista prático, como o guarda-roupa que consiste num lindíssimo móvel, notável ao olhar, mas pouco espaçoso para suportar malas mais recheadas.

Lá fora, em cada canto deparamo-nos com um sofá, uma rede, um local para parar, abrir um livro e descansar. Não se esperem mil e uma atividades. Não é nada disso que é feita a Terra Rosa, que serve um leque quanto baste de coisas para fazer, sem assoberbar.

Os trilhos pelas vinhas são perfeitos para uma caminhada, a pé ou de bicicleta. Ao longe ouve-se o rio, que serve de cenário a outro caminho, mais fresco e recôndito, mas não menos bonito, que serve de prova viva ao potencial da quinta, ainda com vários edifícios por recuperar e aproveitar.

Há também a possibilidade de organizar piqueniques para dois, junto ao rio, mas também de aproveitar uma massagem. Se tiver sorte, esta última pode ser feita ao ar livre, num pitoresco pequeno pátio interior de um velho edifício, habitado por duas oliveiras. É um verdadeiro cenário de filme .

Por fim, e caso mergulhar num tanque de água fria não seja propriamente a ideia que se tem de relaxamento, há sempre a mais moderna (e aquecida) piscina. A poucos metros, um wine bar à disposição dos hóspedes, onde todos os dias são também servidos alguns mimos, bolachas caseiras, bolos, chás.

A subtileza é também uma marca da casa. O staff é reduzido, mas sempre atento e sobretudo atencioso. Sem pressas, sempre delicado. Só assim é que essa fórmula da desaceleração pode funcionar. Infelizmente, ainda não há forma de abafar os ocasionais ruídos da estrada que, estando longe, não mora ainda suficientemente distante para que nos esqueçamos dela.

Pequenos inconvenientes à parte, se o objetivo era precisamente o de nos libertar do stress, ele foi olimpicamente cumprido. Ao fim de poucas horas, é fácil perdermo-nos a contar as laranjeiras, a meditar ao som da água que pinga dos tanques e dos zumbidos da bicharada. E quando o silêncio é interrompido pelo som de um estômago a precisar de conforto, a sala de estar é o local onde tudo se pode resolver.

Ao pequeno-almoço, servem-se os sumos evidentemente naturais — afinal, as laranjas estão, literalmente, a dois passos de distância — e um bolo húmido e guloso, claro, de laranja. Há depois pão e fruta fresca, uma quantidade considerável de cereais e granolas e um par de opções feitas na hora, ovos ou panquecas. Uma oferta curta mas toda ela boa e saborosa.

Durante o dia, a ementa compõe-se de pratos leves, tábuas de enchidos, tostas, saladas que podem ser de camarão, salmão fumado ou até de presunto e um par de pastas. Por enquanto, ainda não é possível jantar no local, o que acaba por obrigar a uma quebra na experiência totalmente imersiva deste slow living.

É um equilíbrio delicado aquele que se vive na Terra Rosa, o de fazer sobreviver este ambiente familiar, pacífico e silencioso, sem o deixar perder o balanço nesta fúria de querermos sempre fazer mais, fazer melhor. O segredo? Deixe-se levar pela preguiça que, por ali, é tudo menos um pecado.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Terra Rosa, Rua de São Pedro de Calvelo, Ponte de Lima
ESTILO
turismo rural
PREÇO MÉDIO
Mais de 200€
AMBIENTE
rural

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