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The Grove Houses: o alojamento onde se esconde um dos jardins históricos de Portugal

A propriedade tem cerca de 4 hectares e é única no País. A casa principal foi construída há 120 anos e recebe hóspedes desde agosto.
É único no País.

Guimarães é um município onde a história e a contemporaneidade se fundem. A localidade sabe conciliar, da melhor forma, a manutenção do património com empreendimentos e negócios que caracterizam as cidades modernas. A The Grove Houses, uma propriedade construída no início do século XX, é prova disso mesmo: não ficou perdida no tempo e foi adaptada a alojamento turístico em agosto deste ano.

Construída há cerca de 120 anos, em tempos, foi a casa de férias do bisavô de João Moreira, o responsável por dar uma nova vida à propriedade. Mais tarde, em 1974 o empreendedor, os pais e irmãos mudaram-se para lá — na altura, não tinham tinham eletricidade.

“Com 58 anos de idade, já não há muita gente que tenha vivido e estudado à luz das velas. Na altura, a casa não tinha instalação elétrica capaz, mas vivemos lá uns anos”, recorda à NiT. Entretanto, tanto ele como os irmãos foram crescendo, mudaram-se para outras cidades e, após a morte do pai, a casa tornou-se demasiado grande só para a mãe, Maria Antónia Moreira. Começaram a pensar na utilidade que poderiam dar ao espaço, visto que “o interesse sempre foi manter a propriedade na família”.

Há cerca de dois anos, surgiu a ideia de recuperarem a propriedade, que acabou por se ir degradando com os anos, para fins turistícos — a The Grove Houses começou a receber hóspedes em agosto. O empreendimento tem dois alojamentos, sendo que um deles era a antiga casa do jardineiro, que estava em ruínas. “Manteve-se toda a estrutura da casa e foram reaproveitadas as paredes. É mais moderno, mas tem as características da construção original, com as telhas e as portadas das janelas”, explica João Moreira.

A Casa do Jardineiro tem seis quartos, todos eles “sofisticados, elegantes e aconchegantes. A sala de estar tem lareira, a cozinha está totalmente equipada e a sala de refeições está virada para o jardim florido.

A segunda casa, a da Penha, dispõe de três quartos adaptados, para que os hóspedes vivam o romantismo do início do século passado com o todo o conforto. “Tem algumas características do estilo brasileiro, importado de muitos imigrantes que vieram do Brasil nessa época e construíram as habitações à semelhança do que eram as casas no seu país. Tem um teto em estuque a imitar a madeira e muito valor arquitetónico”, revela.

A lareira da sala de convívio aquece os dias mais frios e os visitantes podem aproveitar a sala de leitura com vista para o jardim para folhearem um bom livro. Já na varanda de pedra da sala de refeições é possível tomar o pequeno-almoço ao ar livre.

O preço dos quartos varia entre os 94€ e os 286€, dependendo da época do ano e do alojamento. Existe ainda a possibilidade de reservar a Casa do Jardineiro na íntegra para estadias em família. As reservas podem ser feitas através do Booking.

Ambas as casas são rodeadas por um jardim romântico com cerca de quatro hectares e que mantém o encanto de outrora. “É um jardim da época, com muitas construções em betão, incluindo um pequeno castelo. Faz parte dos Jardins Históricos de Portugal e foi classificado de interesse público em março de 2019 pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas”, refere.

Assim como as construções, o jardim data do início do século XX e foi adquirido, em 1907, por João Rodrigues Loureiro, um dos maiores comerciantes e industriais do Vale do Ave na época. “Na altura, era uma serra não arborizada e construiu-se aqui um jardim num espaço onde não existia nada. Agora temos cerca de 700 árvores e 321 espécies de plantas diferentes. Algumas árvores têm mais de 30 metros de altura”, destaca.

O espaço verde é constituído por caminhos serpenteantes e labirínticos, delimitados por pedras de granito, passando por diversas estruturas em betão naturalizado, imitando os troncos de madeira. Os bancos, fontes, mirantes, lago com fruta, pequenas casas de fresco, coreto e torre com ponte encontram-se cobertas de musgo devido à humidade.

No topo da propriedade, os hóspedes podem encontrar também um grande tanque que acumula água para rega e está rodeado de bambus. Junto ao tanque, existe uma construção inacabada a que chamam moinho mas, segundo o responsável pelo The Grove Houses, não se conhece exatamente qual a sua finalidade.

“O grande valor do espaço é a beleza do jardim, o conjunto de árvores, construções e zonas de refresco”, diz. Os hóspedes podem visitar livremente o espaço verde e também podem ser acompanhados por um guia que lhe irá prestar informações sobre a histórica do local. 

A pedido, o alojamento pode preparar-lhe uma cesta de piquenique, refeição que pode faer em locais pré-selecionados que foram preparados para o efeito. Quem não fica alojado no empreendimento pode fazer uma visita guiada ao jardim mediante marcação prévia. 

Localizado no topo nascente do Monte de Santa Catarina, também conhecido como Monte da Pena, a The Grove Houses fica apenas a 10 minutos de carro do centro de Guimarães ou à distância de uma viagem do Teleférico da Penha, que faz o transporte entre a cidade e o Monte.  A propriedade fica apenas a 750 metros do elétrico.

De seguida, carregue na galeria para ficar a conhecer melhor este incrível alojamento.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua da Penha, n.º 3891

    4810-038 Guimarães
ESTILO
alojamento local
PREÇO MÉDIO
Entre 100€ e 200€
AMBIENTE
romântico

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