Turismos Rurais e Hotéis

Tinha casas em ruínas e 9 habitantes. Agora, esta aldeia algarvia tem 26 alojamentos turísticos

António Ferreira passou anos à procura dos proprietários das habitações abandonadas. Hoje, a Pedralva recebe hóspedes num projeto que renovou a zona como um todo.

António Ferreira, de 54 anos, tinha um objetivo: queria criar um projeto turístico no concelho de Vila do Bispo, no Algarve. Mas não começou por construir um hotel. Primeiro, tentou descobrir a quem pertenciam as casas de uma aldeia. Algumas estavam em ruínas, outras tinham vários herdeiros, espalhados por Portugal e pelo estrangeiro. Passou anos a juntar contactos e a negociar compras, casa a casa.

Foi assim que nasceu o projeto turístico da Aldeia da Pedralva. A localidade, que na década de 60 tivera mais de uma centena de habitantes, contava apenas com nove residentes quando a conheceu em 2006. A recuperação começou nesse ano. Em 2010, as primeiras casas já recebiam hóspedes.

“Ele queria sair de Lisboa com a mulher e os filhos pequenos e procurar outra vida. Uns amigos levaram-no à Pedralva, de que gostou muito. Depois começou o trabalho de encontrar os proprietários”, conta à NiT Nuno Constantino, responsável pela empresa que hoje explora a aldeia. Entre donos e herdeiros, havia mais de 200 pessoas a contactar.

A ideia inicial passava por recuperar casas para viver. Com o avançar do projeto, Ferreira percebeu que também era preciso criar lugares onde as pessoas se encontrassem. Surgiram o Café Central e o restaurante Sítio da Pedralva. As obras mantiveram a traça das habitações e a configuração das ruas, enquanto a Câmara de Vila do Bispo participou na recuperação das infraestruturas.

“Decidimos dar novamente vida e dignidade a esta aldeia, com um complexo processo de recuperação urbanística”, refere o projeto. A Pedralva recebe hoje hóspedes em 26 casas, de um a três quartos. Segundo Nuno Constantino, 23 pertencem à empresa gestora e outras três são exploradas por acordo com os proprietários. Algumas têm pátio privado. As casas dispõem de sala e kitchenette equipada, para quem preferir preparar as refeições durante a estadia.

Uma das casas onde pode ficar nesta aldeia algarvia.

“Não fizemos um resort a imitar uma aldeia. As ruas têm a largura que sempre tiveram”, sublinha o responsável. A diferença também se nota fora das casas: há residentes permanentes, pessoas que ali têm uma segunda habitação e uma equipa que vive na localidade. Constantino estima que sejam cinco os moradores permanentes, além de cerca de dez trabalhadores alojados na Pedralva. Ao todo, vivem habitualmente na aldeia cerca de 14 a 15 pessoas, sem contar com os hóspedes e com quem ali passa temporadas.

A presença de turistas, diz, é bem recebida por quem vive na Pedralva ou tem lá uma casa de férias. “Temos uma ótima relação com os vizinhos. Eles percebem que o nosso interesse é o mesmo que o deles: queremos que a aldeia esteja cuidada e tenha vida”, afirma. Segundo Constantino, os moradores acompanharam o início do projeto com alguma surpresa, mas a convivência foi-se tornando parte da rotina da aldeia.

A empresa recuperou ainda uma área comum com mesas de piquenique, grelhadores e um forno de pão. O espaço pode ser usado por quem está hospedado e por quem apenas visita a aldeia. O mesmo acontece com o Sítio da Pedralva: o restaurante está aberto ao público e tem no bacalhau no pão (25€ para duas pessoas) um dos pratos mais procurados, segundo o responsável.

A localização atrai públicos diferentes ao longo do ano. No verão, predominam os hóspedes portugueses e espanhóis. Fora da época alta, chegam visitantes do norte da Europa para caminhar e andar de bicicleta na Costa Vicentina. A equipa pode ajudar a reservar aulas de surf na Carrapateira ou em Sagres e passeios a cavalo com parceiros da região. A aldeia também recebe casamentos e começa a acolher mais retiros de empresas, acrescenta Constantino.

Para uma casa T1, os preços indicativos comunicados à NiT, começam nos 70€ a 80€ por noite na época baixa e podem chegar aos 200€ a 250€ por noite no pico do verão. O valor depende das datas e da casa escolhida. As reservas podem ser feitas no site oficial da Aldeia da Pedralva.

Carregue na galeria para conhecer as casas recuperadas e passear pelas ruas da Aldeia da Pedralva.

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