Turismos Rurais e Hotéis

Nesta típica quinta minhota pode dormir e nadar entre copos de vinho verde

A Casa Lata faz parte da mesma família há quatro gerações. Por lá produzem-se os vinhos Terras de Amares.
Fica no coração do Minho.

Margarida Costa nunca viveu em nenhuma outra casa a não ser na propriedade rural da família, localizada em Amares, em pleno coração do Minho. Já lá vão 27 anos, mas o sentimento continua a ser o mesmo de sempre: uma paixão enorme pela típica casa minhota, onde as suas gentes, em tempos, se dedicavam à agricultura, à pecuária, à vinha e ao vinho. 

Ainda hoje são visíveis os marcos destas atividades, como o espigueiro que continua a destacar-se na paisagem, ou o lagar do vinho, o alambique e as numerosas ferramentas agrícolas. As memórias de infância, essas, também continuam bem presentes.

“Lembro-me bem de ajudar na adega, principalmente nos engarrafamentos, de fazer a desfolhada do milho, de guardar tudo no espigueiro”, confessa à NiT Margarida Costa, gestora e responsável de enoturismo da Casa Lata.

Nunca se vai esquecer, também, dos dias em que via a sala cheia de vizinhos, prontos a ajudar na colheita da uva. Era uma “tradição inesquecível”, aquela em que faziam as refeições juntos e punham a conversa em dia. Todos se conheciam e a monotonia não existia na quinta entre Braga e o Parque Nacional da Peneda-Gerês. 

Por tudo isso, Margarida decidiu seguir as pisadas dos pais e continuar o projeto de enoturismo da propriedade, que no passado pertencia aos seus tios. “Ganhei um amor que faz-me não querer sair daqui. Tenho muito orgulho naquilo que construíram, na altura da crise, e adoro receber pessoas e mostrar a essência de uma casa minhota e da minha família”, adianta.

Afinal, faz parte da quarta geração da família a viver na Casa da Lata — mas nem sempre foi um projeto de turismo rural. Quando o pai José Carlos Costa se mudou para a propriedade para viver com os tios — o único dos sobrinhos a fazê-lo —, tinha apenas 11 anos. Ainda era um jovem quando se aventurou no mundo da agricultura e começou por trabalhar na vacaria, a produzir leite.

“A determinada altura, já com 20 anos, pensou se deveria investir a sério no setor do leite, mas a área não estava muito famosa e decidiu mudar. Foi quando plantou a primeira vinha”, explica a filha mais velha. A produção de vinho não era uma novidade na propriedade, mas sempre foi feita para consumo próprio, nunca para comercialização — algo que veio a mudar mais tarde.

Atualmente, contam com 85 hectares de vinha espalhados por seis concelhos e uma moderna adega, onde são produzidos os Vinhos Terras de Amares, provenientes das castas autóctones da Região dos Vinhos Verdes, entre o rio Cávado e o rio Homem.

A produção de vinho continua a ser a atividade principal da casa, mas há cerca de dez anos que apostam também na área do turismo. “O espaço já estava muito degradado e os meus pais, ainda antes da viragem do século, já andavam a pensar num projeto para recuperar o que existia, mantendo sempre a traça original e os materiais antigos”, sublinha.

Só dez anos mais tarde é que avançaram, de facto, com a reconstrução da casa. Uma obra que terminou em 2014, ano em que abriram oficialmente as portas da Casa da Lata. Foi um desafio, na altura, até porque nenhum deles tinha um curso de turismo e ver o local onde nasceram a receber estranhos foi “um choque grande.” A estranheza durou pouco tempo e habituaram-se rapidamente à rotina de conhecer caras novas praticamente todos os dias. 

Com a ajuda do arquiteto Carlos Coelho, recuperaram a casa principal e fizeram renascer 13 quartos de diferentes tipologias, com camas de casal e twins, equipados com todas as comodidades para uma estadia tranquila. 

No terreno, com cerca de 3,5 hectares, encontra-se ainda a Casa dos Garrafas, uma villa rústica com piscina privada, vista sobre as vinhas e capacidade para acomodar até oito pessoas. Dispõe ainda de três casas de banho, uma sala de estar, zona de refeições, kitchenette e uma varanda envidraçada.

Todos os hóspedes podem ainda aproveitar os espaços comuns, como o salão de estar, sala de jogos com bilhar e jogos de mesa, sala de provas, piscina exterior sazonal, bem como os numerosos espaços verdes — é lá que pode encontrar as oliveiras seculares, as típicas laranjeiras da região e a horta biológica. A estadia inclui ainda uma degustação de vinho verde e uma visita guiada pela adega, que hoje é bem mais moderna do que no século passado, quando praticamente tudo se fazia à mão. 

“A ideia é receber as pessoas na nossa casa e fazer com que saiam daqui com mais conhecimento e uma boa recordação nossa”, confessa Margarida. Quanto aos valores da estadia, os quartos rondam os 100€ e os 160€ e as reservas podem ser feitas online.

Carregue na galeria para conhecer melhor a Casa Lata.

 

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Avenida de Barriomau, 158
    158 4720  Amares
ESTILO
turismo rural
PREÇO MÉDIO
Entre 100€ e 200€
AMBIENTE
rural

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