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Torre de Palma: um refúgio alentejano onde viveram romanos

Começou por ser um terreno onde os romanos cultivavam produtos e criavam cavalos, mais tarde a casa do filho de um rei. Hoje é um hotel de cinco estrelas exclusivo, com mobiliário vintage e quadros de um primo de Florbela Espanca.

Na vila de Monforte, em pleno Alentejo, o Torre de Palma tem quartos dignos de um rei — ou não tivesse esta casa pertencido de facto à monarquia. O wine hotel de cinco estrelas tem 19 quartos e casas exclusivas, graças à sogra da proprietária que durante décadas colecionou peças de mobiliário. Também há piscinas, adega, um bar e um spa, tudo isto numa propriedade com 15 hectares. 

A história do Torre de Palma começa há milhares de anos, mais concretamente no século I d.C. Foi nesta altura que os romanos se estabeleceram nesta zona para formarem campos de produção e criarem cavalos. Conta-se inclusive que terão nascido aqui os primeiros cavalos lusitanos, símbolo do Alentejo e de Portugal. 

“Os romanos eram grandes agricultores aqui na região e produtores de cavalos”, conta à NiT Ana Isabel Rebelo, proprietária e diretora do Torre de Palma. “Há um mosaico que está no Museu Nacional de Arqueologia que se chama ‘Mosaico dos Cavalos’ onde se vê o ferro com a palma [folha do milho] que representa esta zona.”

Depois disso, a propriedade ainda pertenceu à coroa portuguesa. Foi entregue a um dos filhos ilegítimos do Rei D. Dinis — e sabemos que ele tinha muitos — a pedido da Rainha Santa Isabel. Estávamos no século XIV. D. Pedro Afonso é assim reconhecido como o primeiro dono oficial desta casa, que se manteve na monarquia por cinco séculos.

Anos mais tarde, após o 25 de Abril de 1974, a casa foi posta à venda por Teófilo Duarte, um advogado. Foi nessa altura que a família Rebelo comprou a propriedade. Ana Isabel e Paulo Rebelo trabalhavam (e ainda trabalham) na indústria farmacêutica em Coimbra. As obras começaram em 2012 com o apoio do arquiteto João Mendes Ribeiro, que quis respeitar todas as tradições da casa. A decoração ficou a cabo da designer de interiores Rosarinho Gabriel, do atelier Coisas da Terra. 

“Tenho um amor imenso pelo Alentejo, é a região que mais gosto. Quando soube que este terreno estava ao abandono, pensei que alguém tinha de fazer algo por esta propriedade — ou daí a dois anos estaria em ruínas. Assim foi.”

O Torre de Palma começou a receber hóspedes em 2014. No total há 19 quartos e casas T1, cada um com uma decoração diferente — e relacionada com um momento histórico da propriedade. Praticamente toda a mobília utilizada veio de casa da sogra de Ana Isabel, que ao longo de décadas colecionou peças de mobiliário. Há peças de valor quase incalculável, como as mesas em castanho maciço com quase 100 anos que estão na sala comum.

Além da propriedade e do mobiliário, há também pequenos apontamentos que fazem parte da história da região e de Portugal. Os quadros que se encontram nas paredes, por exemplo, são da autoria de um primo da famosa poeta Florbela Espanca, natural de Reguengos. 

Há peças de valor quase incalculável, como as mesas em castanho maciço com quase 100 anos que estão na sala comum

“O interior da casa também tem muita da nossa história familiar. Muitos dos móveis que existem, até nas casinhas alentejanas, são peças nossas. Cadeiras, mesas, tudo isso é decoração familiar, o que dá uma autenticidade diferente ao projeto.”

A Torre de Palma é também um projeto de enoturismo, onde se produzem produtos com a marca Torre de Palma. Atualmente já são comercializados vinhos brancos e tintos com o símbolo da casa. Existe ainda a produção de enchidos da zona e ainda de legumes e fruta, todos produzidos na agricultura biológica da qual os hóspedes podem fazer parte, caso queiram participar numa experiência um pouco diferente.

Neste espaço, o hóspede pode também aproveitar para relaxar ou para usufruir de experiências como um passeio de balão de ar quente ou conhecer os quatro cavalos lusitanos que estão nas cavalariças do Torre de Palma. Se quiser, pode ficar apenas pelas provas de vinho, pela piscina ou pelo spa, onde pode realizar uma massagem de vinoterapia por 80€, entre outros tratamentos.

Quanto a refeições, pode tomar o pequeno-almoço — que está incluído no preço da estadia — no restaurante Basilii. O restaurante retira o nome de uma das famílias romanas mais famosas que terão residido no local onde é hoje o Torre de Palma e conta com vários pratos tradicionais do Alentejo, com um toque moderno do chef Filipe Ramalho.

Consoante a época, a tipologia e o dia da semana (ao fim de semana é mais cara), o preço por noite custa entre os 135€ e os 350€, para duas pessoas e com pequeno-almoço incluído. 

Carregue na imagem para conhecer melhor o Torre de Palma.

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