Turismos Rurais e Hotéis

Um dos segredos mais bem guardados dos Açores é um “pedaço de céu” na terra

A Fajã do Belo Kuanza está inserida num cenário único. As casas vulcânicas ficam mesmo à frente de uma praia (quase) privada.
Fica num cenário natural único.

Os Açores têm uma beleza natural única. É impossível visitar as várias ilhas do arquipélago e não ficar apaixonado por cada uma delas. Durante uma viagem à remota ilha de São Jorge, um paraíso escondido no oceano (mas bem reconhecido no mapa), o casal Nuno e Susan Ferreira e os três filhos ficaram encantados com a Fajã do Belo, um dos segredos mais bem guardados da ilha. 

Como o próprio nome refere, beleza é o que não falta nesta pequena porção de terra plana, localizada no concelho da Calheta. É um “convite para uma aventura que restaura a alma, num cenário natural intocado e único” e, felizmente, desde o dia 15 de junho que é possível passar uma noite no Fajã do Belo Kuanza. Ou mais do que uma, até porque vai ser difícil abandonar este local idílico, com uma praia (quase) privada mesmo à frente.

Tudo começou quando Nuno Ferreira, de 54 anos, decidiu mudar-se para Portugal com a família depois de uma vida inteira em Angola, onde trabalhou como empresário e esteve à frente do grupo de media Special Edition. Há cerca de 10 anos, instalaram-se em Carcavelos e foi nessa altura que o empresário começou a investir em áreas diferentes: primeiro na agricultura, depois na hotelaria. 

“Surgiu a ideia de começarmos a montar alojamentos locais diferentes. O primeiro foi a Herdade do Kuanza, na Zambujeira do Mar. Depois começámos a pensar que a natureza era o caminho que devíamos seguir, apostar em sítios onde as pessoas pudessem relaxar e pensar na vida”, começa por contar à NiT o responsável. Quase simultaneamente, surgiram outros dois novos projetos: o Kuanza Farmhouse & Lodge e o Fajã do Belo Kuanza. Este último surgiu de forma totalmente espontânea e inesperada.

Há cerca de cinco anos, a família foi de férias para a Fajã de Santo Cristo, também na ilha de São Jorge, um lugar remoto onde só é possível ir a pé (ou de moto 4). Quando iam em direção à casa que tinham alugado, para passarem uns dias longe de tudo, passaram pela Fajã do Belo. Na altura, estava completamente abandonada e só tinha duas casas em péssimas condições. Tudo o resto estava em ruínas.

“Uma das casas tinha uma tabuleta a dizer ‘vende-se’. Olhámos para aquilo e dissemos: porque não?”, recorda. E assim foi. Tentaram copiar o número que estava na placa, o que se veio a revelar uma dificuldade: o último número estava riscado. Depois de várias tentativas, lá conseguiram ligar para o dono. Fecharam o negócio ainda antes de terem chegado ao alojamento onde iam ficar. A partir daquele dia, começaram a apaixonar-se por aquele “mundo completamente diferente do normal, onde nem os carros conseguem lá entrar”.

Inicialmente, a ideia seria ser terem apenas uma casa onde pudessem passar férias, mas começaram a descobrir que existiam muitas mais ruínas nas redondezas. Entraram em contacto com os donos e, de uma casa, passaram a estar na posse de nove. “Agora temos quase a Fajã quase toda, só três casas é que não são nossas. É um projeto maravilhoso, que fica numa zona reservada da UNESCO”, diz Nuno, orgulhoso.

“Escolhemos o nome Kuanza derivado ao tempo que passámos em Angola. Passávamos muito tempo no rio Kuanza a pescar em família. Por outro lado, também é a moeda do país, por isso, acaba por ter dois significados”, refere.

Com uma paisagem imponente, lagos secretos e cascatas remotas, nasceu assim o Fajã do Belo Kuanza, em junho deste ano. O empreendimento dispõe de nove casas com tipologias diferentes — com capacidade para três, cinco ou seis hóspedes — e com nomes curiosos. “Todas têm uma história que é contada logo na porta de entrada. Quando começámos a comprar as casas, ia ter com as pessoas para fechar o negócio e fui escolhendo os  nomes com base no que as pessoas me contavam ou nas minhas vivências ali”, destaca.

A casa Belo Malandro, por exemplo, é dedicada a um dos proprietários que o enganou em relação à dimensão da casa. Já a Belo Surf, não é difícil perceber o porquê: a Fajã do Belo é um dos “pontos de surf mais virgens do Atlântico”. 

Todas são em pedra vulcânica e mantêm o traço e a fachada antigas, com as janelas em guilhotina de madeira vermelha. No interior das habitações, encontra todo o conforto do mundo e num ambiente que o leva a fazer uma viagem no tempo. “A decoração é moderna e há galerias de fotografias de São Jorge em 1950, na altura em a população da ilha se dedicava à pesca, em especial do atum. As imagens documentam como ali se vivia antigamente. Fizemos uma simbiose muito agradável: as casas estão no meio da natureza, mas oferecem todo o conforto. Até temos Internet 5G para os nómadas digitais”, destaca.

Apesar da proximidade com o mar — o empreendido tem quase uma praia privada — o Fajã do Belo Kuanza tem duas piscinas, uma junto mais perto do areal e outra na zona mais próxima da montanha. Brevemente, o espaço também irá ter uma sauna, que deverá estar pronta ainda antes do próximo verão. “Sinto que comprei um pedacinho do céu”, afirma o proprietário.

É o refúgio perfeito para os que se procuram isolar do resto do mundo durante uns dias, mas não isso não significa que terá oportunidade de se aborrecer: atividades não faltam. Pode aproveitar para fazer surf ou percorrer os trilhos da região a pé, classificados como uns dos melhores dos Açores. Lá perto, existe ainda a lagoa de Santo Cristo, com as famosas amêijoas, e, a cerca de um quilómetro e meio, há cascatas com piscinas naturais. 

Para passar uma noite nestas casas vulcânicas, os preços variam consoante a época e o número de pessoas. Durante a época baixa, um casal paga a partir de 120€ por noite. Já durante o verão, o valor é de 250€. Caso faça a reserva diretamente no site do empreendimento, terá direito a 10 por cento de desconto.

De seguida, carregue na galeria para conhecer melhor um dos melhores mais bem guardados dos Açores.

ver galeria

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Fajã do Belo
    9850-209 Ilha de São Jorge
ESTILO
turismo rural
PREÇO MÉDIO
Entre 100€ e 200€
AMBIENTE
rural

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT