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Yotel: fomos dormir ao hotel mais futurista de Portugal (até tem empregados robôs)

Uma repórter da NiT conheceu de perto como funciona uma das maiores aberturas do ano. É um espaço realmente único.
É incrível.

Os feriados de junho são sempre aguardados com expetativa. Por um lado, são vários num só mês; por outro, a temperatura está mais amena e com sorte ainda dá para ir um bocadinho à praia ou à esplanada. Dentro destes planos pode caber também uma escapadinha num hotel. E foi mesmo isso que fiz.

O Yotel abriu o seu primeiro alojamento da Península Ibérica no Porto a 28 de maio e não havia melhor destino para experimentar. A fachada do hotel, que estava a ser preparado desde 2018 e cuja abertura foi atrasada pela pandemia, é branca, com grandes montras e janelas que chamam a atenção mas ao mesmo tempo não destoa por completo dos restantes edifícios da rua.

Reparei nisto tudo ainda antes de contornar a rua e entrar para o estacionamento do hotel. Foi a partir daí que realmente entrei no edifício, através de uma pequena sala comum que será destinada à leitura e que combina móveis e sofás com um estilo moderno e funcional que junta o luxo e o minimalismo. Daí segui para a receção onde o check-in é feito por nós em pequenos pontos automáticos. Essa tarefa, como muitas outras, pode ser feita através da app do próprio hotel, mas já lá vamos.

Enquanto formalizava a minha chegada, fui reparando em Yolinda e Yogiro, os dois robôs que animam o hotel e que são um dos seus pontos inovadores. A relação entre eles deverá tornar-se numa bela história de amor, mas isso talvez demore algum tempo. Para já, vão falando um com o outro e com os hóspedes simpaticamente, tanto em português como em inglês.

Não se preocupe porque nenhum destes simpáticos robôs está a tirar o posto de trabalho de ninguém. Mesmo que uma das suas funções seja levar snacks, bebidas ou pequenos recados aos quartos dos hóspedes, é sempre necessário que seja um humano a colocar nas suas gavetas esses itens. Este é outro dos temas a que voltarei mais tarde, mas fique já a saber que o melhor é não se colocar no caminho de um deles, porque o mais provável é ouvir algo do género “sai da frente, ó morcão”.

Antes de seguir para o quarto dei uma volta pelo resto do hotel para ficar a conhecer melhor o local. Logo no piso térreo fica o Komyuniti, uma área que serve tanto como sala para as diversas refeições do dia como para quem quiser sentar-se a trabalhar ou fazer pequenas reuniões informais. É um espaço amplo, de teto alto e onde a luz da cidade — de preferência em dias que não tenham a típica morrinha característica do Porto — entra através das altas janelas e das grandes montras que dão para a rua.

Do lado oposto fica uma pequena zona onde pode descansar e comprar bebidas e snacks a qualquer hora pelo serviço de Grab+Go. Precisamente no corredor principal deste piso fica um pequeno ginásio que está aberto 24 horas por dia, o que é ótimo para quem tem ritmos de vida diferentes da generalidade, gosta de começar ou acabar o dia com um treino ou simplesmente prefere treinar a dar mil e uma voltas na cama em caso de insónia, por exemplo.

O ginásio encontra-se servido por uma zona de casas de banho e balneários onde a marca decidiu arrojar um pouco. Apesar de haver cacifos e lavatórios para homens e para mulheres separadamente, esta divisão não é totalmente limitante e isso torna-se mais evidente na zona dos duches. É que embora cada chuveiro tenha a sua porta individual, todas essas portas dão para o centro de uma sala comum a homens e mulheres. Nada que seja obsceno, apenas diferente.

A visita a esse piso não está completa sem ver as duas salas de reuniões que ficam mesmo ao lado da biblioteca, Estas podem ser usadas para palestras, reuniões e todo o tipo de eventos mais destinados a empresas.

No fim deste pequeno tour ficam algumas ideias a reter. Este hotel é, de facto, um ótimo sítio para ficar quando se desloca à cidade a trabalho e até mesmo para organizar aqui as suas reuniões ou palestras. Além da funcionalidade de todos os espaços e de ser possível facilmente reorganizar tudo de forma a desempenhar diferentes funções, todo o hotel está muito bem decorado. Há um luxo que se faz presente de uma forma discreta e quase sem darmos por isso. Não há ostentação nem peças que quase nos gritam ou provocam excesso de informação visual.

Com o hotel praticamente visto, subi ao meu quarto, ou cabine, como aqui se chamam. Sim, essa inspiração nas companhias de aviação e na classe executiva está bem patente no Yotel. Dos 153 quartos que há aqui, tive a sorte de me calhar um no sétimo piso, com uma deslumbrante vista sobre a cidade onde facilmente se identificam o jardim da Estação da Trindade ou a Câmara Municipal.

Não espere encontrar quartos super espaçosos com tudo e mais alguma coisa, aqui há apenas o necessário, mantendo aquelas linhas de design moderno e elegantemente luxuoso que se vê no resto do hotel. A casa de banho é toda de vidro fosco, o que ajuda a criar um ambiente visualmente maior, permitindo aproveitar a luz que entra pela janela ou que vem do resto do quarto. O lavatório fica no corredor, com um espelho onde pode regular a intensidade da luz.

A iluminação é, aliás, um dos pontos fortes destas cabines. Há pequenos focos na casa de banho, no duche — onde há até uma espécie de cachoeira relaxante —, num pequeno varão onde pode pendurar as roupas e por trás da televisão. O melhor é que pode regular não só a intensidade da luz que pretende mas também a cor que prefere, desde o roxo do hotel aos azuis, amarelos, verdes ou vermelhos.

Se isto não for suficiente, existem ainda dois focos na cabeceira da cama que permitem uma leitura mais confortável e um pequeno candeeiro de secretária. Além de poder controlar tudo isto manualmente nos aparelhos ou na parede do quarto, pode ainda fazê-lo através da app do hotel, o que é bem útil para aqueles momentos em que só nos lembramos de desligar a luz quando acabámos de nos deitar.

Já vimos tudo o que podíamos ter visto no quarto — para o caso de não encontrar, há uma tábua de passar a ferro escondida num pequeno cantinho junto à janela —, exceto a cama. Bem, não se trata de uma cama qualquer, é uma smart bed. Isso quer dizer que é realmente inteligente. Tem estações de USB onde pode carregar o telemóvel e demais aparelhos mas, mais do que isso, parece que flutua.

Não estou a exagerar, parece mesmo uma cama saída de um qualquer filme de ficção científica. A cabeceira está, por norma, mais levantada e é precisamente quando tentar levantá-la mais ou baixá-la que vai perceber o conceito. Não se limita simplesmente a subir ou baixar, toda a cama acaba por deslizar para a frente ou para trás, de forma a que o espaço do quarto também seja aproveitado ao máximo, precisamente como acontece nas cadeiras reclináveis das companhias aéreas.

Através da app pode, além de fazer check-in e check-out e controlar as luzes do quarto, controlar a televisão e até fazer pedidos de room service. Para quem estiver interessado, há ainda sugestões de restaurantes nas redondezas.

Esta opção pode ser boa para quem quer mesmo provar algo num dos mais típicos locais da zona, mas se essa não for para si uma prioridade, aconselho a experimentar o bar do hotel. As refeições podem ser escolhidas à carta entre diversas opções de carne, peixe, vegetarianos, petiscos para partilhar e sempre com um toque de cozinha internacional que pode ser um desafio para a mente.

Não acredita? Pense então no desafio que é para o nosso cérebro provar um bao cor de rosa, com aspeto oriental mas com um recheio de costela mendinha muito português e um toque de picante a puxar para o mexicano. Ou então uma sandes de leitão onde tudo parece do mais típico até experimentar e sentir, além do leitão, um sabor oriental que, embora inusitado, liga na perfeição com os restantes ingredientes. Para esta perfeita mas deliciosa confusão mental estar completa falta falar-lhe do sushi, que em vez de vir em rodela, embrulhado em alga, traz essa alga em tiras a decorar um crocante taco de milho onde no interior está o arroz com o salmão e o abacate.

Quando acabei de provar todos estes jogos de sabores é que percebi o real motivo pelo qual existe aqui um ginásio aberto todo o dia. Ainda assim, fique com a nota para não deixar fugir o pequeno almoço completo, com ovos mexidos, salsicha, cogumelos salteados e variedade de pão e pastelaria. Principalmente porque tudo sai quentinho, na hora, acabado de fazer. Com sorte, pode até aproveitar para tomá-lo no pequeno terraço que fica ao lado do bar.

Não podia dar por terminada esta minha estada sem experimentar como é fazer um pedido diretamente ao robô, por isso regressei ao quarto e esperei pacientemente. Quando ouvi uma voz pelo corredor não resisti a espreitar para perceber a dinâmica. É o próprio aparelho que comunica com os elevadores e os faz abrir as portas. Quando isso acontece, surge a pergunta “há espaço para mais um?”, seguida de algo do género “este é o meu andar, até à próxima”, quando chega ao destino.

Depois, toca o telefone do quarto e através do auscultador ouve-se a mensagem “tenho aqui o teu pedido”. Quando abre a porta, acende-se a luz do compartimento com o seu pedido e ouve-se o aviso “vê lá onde é que pões as mãos”. No fim, basta selecionar no ecrã tátil que já recolheu o pedido e o robô vai embora. Entretanto, quando achar que é momento de recarregar baterias, ele próprio diz algo como “está na hora de me ir alapar” e vai para a estação de carregamento.

Sem dúvida que esta é uma experiência que vale a pena, nem que seja para descobrir como todo este mundo funciona. Como oferta de lançamento, os preços começam nos 73€ por noite.

Para conhecer um pouco melhor o Yotel por dentro, carregue na galeria.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua de Gonçalo Cristóvão
    4000 Porto
ESTILO
hotel
PREÇO MÉDIO
Entre 50€ e 100€
AMBIENTE
urbano

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