Viagens

5 segredos do icónico Roosevelt Hotel que a pandemia arrasou

Um túnel secreto, ecrãs para os hóspedes e uma história de discriminação. O famoso hotel vai deixar saudades.
96 anos de história que chegam ao fim

Na concorrida e luxuosa Manhattan, tinha todo um quarteirão só para si. Sobre ele, quase um século de história que agora chega ao fim. A pandemia foi o golpe final num negócio que, segundo os donos, já não corria lá muito bem, como a NiT lhe conta neste artigo.

Era a glória de Madison Avenue nos anos 20, quando foi erguido o imponente edifício com uns impressionantes 1025 quartos e 52 suites. No topo, a suite presidencial de 360 metros quadrados que, curiosamente, nunca acolheu qualquer presidente norte-americano.

Foi, contudo, o presidente Theodore Roosevelt quem emprestou o nome ao hotel que se tornou rapidamente num ícone da cidade. Ele que morreu cinco anos antes da inauguração. 96 anos depois da abertura, chega o fim anunciado.

A lenda não surgiu do nada. Para a sua construção, muito contribuíram as cenas de cinema gravadas com o luxuoso hall e os elegantes quartos como pano de fundo.

Numa das suites, Don Draper fez o famoso pitch ao ketchup da Heinz de “Mad Men” — uma cena que, tal como o ketchup, viveu sem pagar mais por isso na imaginação dos fãs. Aconteceu também no mais recente “O Irlandês” de Martin Scorsese, mas o legado cinematográfico estende-se por várias décadas. Ali foram gravadas cenas de “Maid in Manhattan”, “Malcolm X”, “Wall Street” ou “The French Connection”.

Os segredos não se esgotam aí. Nascido em plena época da Proibição, a ilegalização do consumo de álcool obrigou a uma decisão inovadora: ao contrário do que era normal, as fachadas à face da rua do hotel não estavam ocupadas por bares.

Sem álcool para vender, o The Roosevelt Hotel optou por transformar os espaços em lojas. Algo que ainda hoje acontece, embora o álcool tenha regressado, sobretudo às mesas do restaurante e do mais recente e badalado rooftop mad46.

Nas entranhas do hotel, há outro segredo bem escondido. Noutros tempos, a proximidade com a Grand Central Station era vital e existe ainda uma passagem secreta que liga a estação do outro lado da rua, diretamente ao lóbi do The Roosevelt. 

Usada pelos visitantes para chegar mais rapidamente ao hotel diretamente vindos do comboio, a passagem acabou por ser encerrada algures entre os anos 70 e 80. Servia, então, mais de casa para os sem-abrigo do que uma comodidade para os hóspedes.

O The Roosevelt não foi caso único. Por altura da construção da estação, em 1913, foram criadas passagens diretas para os hotéis das redondezas. Mereceram igualmente a honra o Biltmore, o Commodore, o Yale Club, o Graybar e o edifício Chrysler.

O The Roosevelt foi, também, um dos primeiros hotéis do mundo a oferecer aos seus hóspedes um serviço de televisão no quarto. “Televisão no controlo dos hóspedes em cada quarto individual está prestes a tornar-se uma realidade (…) O The Roosevelt Hotel anunciou que irá disponibilizar o serviço em cerca de 40 quartos, com um custo adicional de três dólares por dia”, escrevia a “The Billboard” em 1947.

O sistema chamado Hotelvision foi uma enorme novidade. E motivou uma festa de inauguração com mais de 300 convidados.

Outro serviço fez furor. Foi igualmente o primeiro hotel a criar um departamento para tratar dos animais de estimação dos hóspedes. No The Teddy Bear Room, nenhum animal era rejeitado — e o serviço tinha um médico veterinário em permanência para qualquer eventualidade.

Foi no restaurante do hotel que o famoso violinista Guy Lombardo liderou a banda do espaço que se envolveu numa acesa polémica na década de 60.

O Men’s Grill, exclusivo para homens, foi alvo de críticas por manter a política de entrada inalterada, mesmo depois da aprovação da Lei dos Direitos Civis de 1964, que procurou acabar com os preconceitos vigentes na sociedade norte-americana relativamente à cor, raça ou sexo.

Ainda assim, o Grill continuou a recusar a entrada de mulheres no espaço. Pelo menos até 1970, ano em que a cidade de Nova Iorque aprovou uma lei que proibia este tipo de discriminação.

Parte da passagem é hoje usada pelas lojas do hotel

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT