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A cortiça portuguesa também foi à Lua na missão da NASA

O material foi essencial para proteger a nave usada para a Artemis II. Em 2022, já tinha passado pelo espaço.

Na primeira viagem tripulada à volta da Lua em mais de 50 anos, que chegou ao fim na madrugada deste sábado, 11 de abril, houve presença nacional. Mais do que para fazer rolhas ou sapatos, desta vez, a cortiça portuguesa foi o material escolhido para integrar a proteção térmica da nave da missão Artemis II.

Vinda dos sobreiros, a matéria-prima foi transformada num material conhecido como P50 na indústria aeroespacial. Entre as suas vantagens, estão o isolamento térmico em condições de calor extremo, a absorção de energia sob esforço mecânico, a flexibilidade para adaptação a geometrias complexas e a compatibilidade com sistemas compósitos mais avançados.

“O papel da cortiça é, no fundo, simples, mas crítico: proteger ao sacrificar-se. À medida que as temperaturas aumentam, o material sofre uma transformação controlada, formando uma camada carbonizada que reforça a resistência térmica e protege as estruturas subjacentes”, explicou à SIC o diretor de inovação da Amorim Cork Solutions, Eduardo Soares.

No fundo, serviu como uma espécie de escudo que protege estruturas cíticas da nave das temperaturas adversas, durante o voo. Em 2022, aquela que é uma das principais matérias-primas nacionais já tinha ido ao espaço a bordo da Artemis I pelos mesmos motivos.

“No setor aeroespacial, a continuidade não é assumida — é conquistada através do desempenho”, afirmou, por sua vez, o diretor-geral da Corticeira Amorim, António Rios de Amorim, numa nota partilhada no Linkedin, destacando que a escolha da NASA mostra a “fiabilidade” da cortiça portuguesa.

Segundo o mesmo comunicado, o desempenho de materiais como este é possível através de um processo de engenharia altamente especializado. Depende não só de uma equipa técnica qualificada, mas também de sistemas de controlo de qualidade rigorosos.

“O futuro da engenharia de alta performance dependerá cada vez mais de materiais inspirados na natureza. E se a cortiça consegue responder num ambiente tão complexo e tecnologicamente exigente como o espaço, demonstra o seu potencial para responder a desafios em praticamente qualquer indústria”, acrescentou.

A viagem, feita na nave Orion, teve a duração de 10 dias. Ao todo, levou quatro astronautas: os norte-americanos Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e o canadiano Jeremy Hansen, representando a primeira vez que uma mulher e uma pessoa negra realizam uma missão lunar. 

Pelo meio, além de imagens impressionantes do lado oculto da Lua, da Terra vista do espaço e até de um eclipse observado em órbita, houve também tempo para pequenos virais: como quando um frasco de Nutella foi visto a flutuar no espaço.

Leia o artigo da NiT para saber o que os astronautas comem durante a missão. Emocione-se com a história da cratera na Lua que ganhou o nome da falecida mulher do comandante da Artemis II e descubra também o que os astronautas ouviram no espaço.

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