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A Emirates não recruta só estrangeiros. Inês Maia é a prova disso

Muitos acreditam que trabalhar na companhia aérea é um sonho inalcançável. A portuguesa de 27 anos contraria essa ideia.
Trabalha na Emirates há mais de quatro anos.

Hoje em dia é uma das companhias aéreas mais luxuosas do mundo, mas nem sempre foi assim. A Emirates começou com apenas duas aeronaves, em 1985 um Boeing 737 e um Airbus 300 B4. Nos anos que se seguiram, desde aqueles passos iniciais em voos regionais, transformou-se numa das maiores empresas mundiais de aviação comercial. Atualmente, voa para 157 destinos em 83 países divididos por seis continentes.

Muitos portugueses acreditam que trabalhar na Emirates, seja como tripulante de cabine ou até mesmo como piloto, é um sonho inalcançável. Afinal, a companhia aérea faz recrutamentos em todo o mundo e a probabilidade de ser um dos escolhidos é pouca — mas não há impossíveis. Nos últimos anos, a empresa tem realizado vários dias abertos em Portugal — os últimos aconteceram em junho — para reforçar as equipas internacionais das tripulações de cabine, que já contam com uma boa dose de portugueses.

Uma delas é Inês Maia que, há cerca de quatro anos, num dia de calor tórrido de agosto, encheu-se de coragem para participar num destes open days. Contra todas as expetativas, foi selecionada para integrar a equipa. “Recebi a famosa golden call a dizer que fomos selecionados e que a nossa vida ia mudar completamente”, conta à NiT.

Da Póvoa do Varzim para o mundo, Inês tinha apenas 23 anos quando começou a trabalhar como tripulante de cabine numa das maiores empresas de aviação. Não era propriamente um sonho de criança, mas confessa que as viagens que fazia com os pais em miúda deixaram “aquele gostinho por descobrir novos sítios, novas culturas e novas pessoas”.

“Adorava cada oportunidade que tinha para tirar uns dias e viajar. Sempre que andava de avião olhava para hospedeiras de bordo com alguma curiosidade e dizia para mim que, um dia, gostava de ser como elas”, recorda. Foi a paixão pelas viagens que a levou a tirar uma licenciatura na área do Turismo, mas ainda não sabia ao certo o caminho que iria seguir.

“Depois de terminar os estudos decidi que não queria estar em Portugal. Queria viajar e explorar o mundo. Uma das oportunidades que me surgiram inicialmente foi trabalhar numa companhia aérea europeia e pensei que seria uma boa opção para ganhar alguma experiência e sair da Póvoa do Varzim”, conta. Foi lá que trabalhou durante um ano, dando assim início à carreira na aviação, que está a ser uma “viagem emocionante”. Quando soube que a Emirates estava a recrutar em Portugal, nem pensou duas vezes.

Inês candidatou-se em agosto de 2018 e foi “um processo muito rápido”. Em setembro, já estava a viver no Dubai. “Fiz a entrevista, fui ao open day e houve um processo de seleção. Depois, na fase de grupos, eles querem perceber como nós somos, como é a nossa personalidade e fizemos várias atividades engraçadas”, recorda a tripulante de cabine. Seguiram-se os testes de inglês e a entrevista final.

“Assim que olhei para o telemóvel e vi um número dos Emirados Árabes Unidos, fiquei super nervosa. Quando atendi disseram-me: ‘Parabéns Inês, foste selecionada, podes vir para o Dubai’. Foi um momento que nunca mais vou esquecer”. Poucos dias depois, estava já de malas feitas no aeroporto, pronta para enfrentar uma nova aventura do outro lado do mundo. 

“Inicialmente tinha as minhas dúvidas, não digo que não, mas as pessoas têm uma ideia muito diferente do que é a realidade de estar aqui. É uma cidade em movimento, em constante desenvolvimento e há sempre coisas novas para fazer. Há mais de 200 nacionalidades a morar cá, muitas pessoas de religiões diferentes, mas todos se sentem em casa no Dubai. Viver cá é um sonho”, garante Inês.

A primeira viagem que fez com a farda da Emirates foi para Frankfurt, na Alemanha. Tratou-se de um “voo de observação”, onde podem tomar notas ao vivo sobre como os colegas trabalham, dão assistência e colocam em prática tudo o que aprenderam. Assim que chegou ao destino, estava novamente por sua conta. “Podemos fazer o que quisemos, sair e visitar a cidade, cada um decide por si”.

Tem 27 anos.

Desde voos com uma hora de duração, até a viagens que se prolongaram durante 17 horas, Inês já perdeu a conta ao número de aviões e países que conheceu. Recorda-se, contudo, de um momento particularmente sensível que aconteceu quando estava no ar.

“Tivemos uma senhora com um ataque de epilepsia, o primeiro que teve, e tivemos de chamar um outro passageiro para lhe prestar socorro. Marcou-me um pouco, são situações mais difíceis de lidar, mesmo com todo o treino que temos. Na altura podemos estar nervosos e ficar atrapalhados, mas temos sempre a equipa que nos apoia”, recorda. No final, a mulher acabou por ficar bem e tudo não passou de um susto.

Outro dos maiores desafios é lidar com os fusos horários. “O jet lag é real”, diz. Há voos que são mais difíceis do que outros porque o corpo não está habituado, mas é tudo “uma questão de adaptação”. 

Por outro lado, há sentimentos que, passe o tempo que passar, não mudam: as saudades da família que deixou em Portugal. “Falo com eles constantemente, nem que seja só para dizer ‘bom dia’. Tenho imensas saudades de casa, é um dos aspetos mais difíceis, mas tento abstrair-me ao máximo”. Uma das maiores vantagens de trabalhar na Emirates é, também, o facto de a companhia aérea oferecer descontos nos voos aos familiares e amigos para que a possam visitar sempre que quiserem.

Todos os trabalhadores da empresa têm direito a uma casa mobilada nos mais de 50 edifícios que a Emirates tem em várias zonas na cidade do Dubai. É lá que Inês passa grande parte das suas folgas. “Num dia normal de descanso costumo ir à praia e ao ginásio para me manter ativa. As pessoas aqui são super simpáticas e não há sítio mais seguro do que este”.

Recentemente, Inês teve a oportunidade de mudar de posição e passou a trabalhar na classe executiva do avião, deixando para trás a classe económica e a cabine com cerca de 400 passageiros. “A classe executiva permite-me ter um atendimento mais pessoal e individual. Tenho mais tempo para falar com eles, ter mais atenção ao detalhe, é um serviço mais personalizado. Tem sido uma mudança incrível”, adianta. Além dos vários benefícios que oferece aos funcionários, a Emirates dá a oportunidade de progredir na carreira: começa-se na classe económica, depois na executiva, passando para a primeira classe e, no final para supervisora.

Quanto ao salário, que ronda em média os 2.700€ líquidos, está dividido em salário fixo, horas extra e compensação pelos voos feitos para o estrangeiro. Todos têm direito a 30 dias de férias por ano e o subsídio de refeição é atribuído na moeda do país onde fazem a escala. O hotel e o transporte para o aeroporto é sempre garantido pela companhia, assim como os uniformes.

A Emirates está a recrutar em todo o mundo

O grupo Emirates está já a preparar o terreno para a sua próxima grande fase de crescimento. Por isso, abriu um casting para encontrar os melhores talentos a nível global, para 180 funções, desde tripulantes de cabine, pilotos, engenheiros, profissionais de tecnologias de informação e profissionais de serviço ao cliente.

“Estamos a utilizar as tecnologias mais recentes, como avaliações digitais, inteligência artificial e outros sistemas de recrutamento de topo para pré-selecionar, escolher e responder aos candidatos da forma mais eficiente e eficaz”, disse Oliver Grohmann, vice-presidente sénior de recursos humanos do grupo.

A Emirates está a organizar open days nos seis continentes, cobrindo centenas de cidades durante todo o ano. O processo de recrutamento é desenvolvido para ser concluído num dia e os candidatos são contactados até 48 horas após a avaliação. Pode ver online o calendário de eventos, os benefícios e os critérios de elegibilidade.

Caso esteja a concorrer para a posição de piloto, está prevista uma sessão de informação online para 19 de julho, quarta-feira, às 10 horas.

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